Alta Perfumaria


O homem sempre em busca de algo novo e exclusivo.

No período da Renascença, grandes nomes da realeza tinham seus perfumistas exclusivos. A partir das viagens que o homem passou a fazer para desbravar novas terras, matérias-primas foram descobertas e acrescentadas ao conhecimento desses profissionais.

Por volta de 1700, o surgimento da Água de Colônia foi uma revolução na perfumaria e no final do século 19, começavam a surgir nomes como Houbigant, Lubin, Coty e Guerlain. No século 20, foi a vez de Coco Chanel ingressar, como estilista, no campo da perfumaria com seu clássico Nº 5. Depois dela, inúmeros nomes da moda fizeram o mesmo e entraram no segmento. Como consequência disso, já no final do século 20, observou-se que o mercado começava a se tornar pequeno para tantas marcas e lançamentos. No século 21, a globalização trouxe inúmeros destaques, abriu caminhos e oportunidades nunca vivenciadas antes e o mercado publicitário teve papel fundamental na grande disseminação de fragrâncias que envolviam figuras públicas como os artistas de cinema, da música e do esporte. A partir daí, mais do que nunca, foi possível identificar a necessidade de fragrâncias mais exclusivas, que fizessem uma verdadeira segregação entre estilos e classes sociais, como uma forma de se destacar de forma original.

Destaque para o processo de fabricação e a exclusividade.

A exclusividade não é apenas um movimento dos usuários, mas também, dos profissionais da área. A perfumaria de nicho nasceu do desejo de alguns profissionais em fazerem produtos autorais e artesanais, cuja matéria-prima e o criador estão no centro do processo criativo (e das atenções, diga-se de passagem). Trata-se de um movimento moderno, independente e alternativo, que não está associado a grandes marcas e que possui, como uma de suas características básicas, o trabalho sem limites de custo para a formulação, por exemplo. Isso porque, uma das maiores preocupações das grandes marcas, atualmente, é se manter dentro de um valor financeiro para o lançamento de um novo perfume (incluindo todas as etapas) e isto restringe, drasticamente, a liberdade do perfumista, que acaba tendo que escolher materiais baratos e deixa até de usar ingredientes originais.

Além do desligamento dos criadores com as marcas, os perfumes de nicho têm, em sua lista de diferenciais, embalagens únicas que são, geralmente, mais simples (o que importa é a fragrância), com maior preocupação nos ingredientes, sempre de alta qualidade. Perfumistas próprios, que dão identidade à casa e que, muitas vezes, são os donos do negócio, também são destaque frente à produção, pois esta exige conhecimento profundo, experiência e, de certa maneira, já se apresenta ao mercado com certa tradição. Eles costumam tratar a fragrância como uma obra de arte, sem se preocuparem com o quanto ela vale ou vai vender. Normalmente, são profissionais que vão atrás de liberdade poética e não do reconhecimento comercial, até porque, muitos deles já vivenciaram a perfumaria e alguns possuem famílias ligadas a este universo, o que mostra uma competência “de berço”.

Separando o joio do trigo.

A seguir, tentarei comentar um pouco sobre essas classificações que existem dentro da perfumaria, na qual se encontram os perfumes de nicho, considerados de “alta perfumaria”.

  • PERFUMES VENDIDOS EM DROGARIAS:

Apesar de parecer coisa do passado, ainda hoje é possível encontrar muitos perfumes em grandes farmácias/drogarias, a saber: Alfazema Suíça, Tabu (que é um clássico), Fiorucci e até mesmo perfumes da divisão Puig. Isso não quer dizer que eles não possam ser vendidos em outros lugares. Eu prefiro enxergar como uma estratégia dos distribuidores das marcas em facilitar o acesso ao consumidor de todas as classes sociais. No exterior, por exemplo, você encontra alguns “designers” nas prateleiras das farmácias também.

  • PERFUMES VENDIDOS POR CATÁLOGOS:

Nesta categoria, encontramos o famoso método de venda porta a porta, nos quais destacamos empresas como Avon, Natura, Jequiti, etc. Nestes casos, também podemos encontrar fragrâncias de celebridades, que fecharam contratos de distribuição exclusivos, como Madonna e Christina Aguilera (Jequiti), Patrick Dempsey e Fergie (Avon), entre outros(as).

  • PERFUMES DE DESIGNERS:

No passado, a gente os chamava de estilistas. Hoje, os “designers” agregam seus nomes às linhas de acessórios, sapatos, fragrâncias, etc. Atualmente, é quase impossível ver uma marca de um designer famoso que não tenha esta ramificação de perfumes. E não se assuste ao saber que eles lucram MUITO dinheiro através das vendas com perfumes. Afinal de contas, um homem pode passar a vida inteira sem conseguir comprar um relógio Cartier, mas o perfume da marca é mais acessível. Da mesma forma, inúmeras mulheres sonham em ter um vestido Versace, enquanto que as fragrâncias podem ser, facilmente, transformadas em realidade.

A verdade é que você consegue comprar tais perfumes de maneira muito fácil e ainda tem acesso a produtos de excelente qualidade. São os tipos mais procurados e mais concorridos, já que podem ser encontrados pela internet (e-commerce), em lojas próprias das marcas, em grandes lojas de departamento, em aeroportos, nos shoppings, etc. O maior problema desta categoria tem sido a concorrência, já que hoje, vários perfumes são lançados todos os anos. No passado, os lançamentos demoravam mais tempo e, a cada novidade que surgia, era possível enxergar uma inovação. É por isso que muitos usuários reclamam sobre a falta de criatividade dos lançamentos dos últimos anos. E é este nível de exigência que gera uma demanda diferenciada e a procura por mais exclusividade.

  • PERFUMARIAS CLÁSSICAS:

Existem algumas marcas que não surgiram vinculadas a nomes de famosos ou designers. Elas foram criadas para vender perfumes e estes sempre serão os seus principais produtos. São marcas exclusivas da perfumaria, conhecidas pela expertise no assunto. Como exemplos, temos Guerlain, Caron, O Boticário, etc.

Vale lembrar que com o crescimento deste mercado e, consequentemente, da concorrência, estas empresas tiveram de ampliar o seu leque de produtos e, atualmente, também são conhecidas pela qualidade de seus cosméticos. No caso da Guerlain, por exemplo, foram criadas diversas coleções especiais, que costumamos chamar de Linhas Exclusivas, conforme explico abaixo.

  • LINHAS EXCLUSIVAS:

Aqui residem as fragrâncias que costumam ser confundidas com as da categoria nicho. Confesso que a linha é muito tênue e não há mal algum em se confundir. É claro que não podemos comparar um perfume da linha Chanel Les Exclusifs com um Hugo Boss, por exemplo. As linhas exclusivas prezam por elementos de maior qualidade, prometendo maior criatividade e exclusividade nos aromas. Normalmente, são vendidas apenas nas lojas próprias das marcas ou em revendedores selecionados e muitas são edições limitadas. Dentro deste grupo podemos citar a linha Tom Ford Private Blend, a La Collection Privée, da Dior, entre outras. Também são conhecidas como Linhas de Prestígio.

  • PERFUMARIA DE NICHO (NICHE):

Como citado anteriormente, aqui são focados detalhes que não são prioridade para as marcas mais populares. Normalmente, possuem seus próprios perfumistas (inclusive, alguns são os donos do negócio, como é o caso de Pierre Guillaume). Algumas empresas do mercado de nicho também se posicionam com um diferencial: suas fragrâncias são criadas por diversos perfumistas de renome, convidados para participarem do lançamento de uma nova coleção, por exemplo. Já outras empresas são especializadas em determinados pontos: materiais sintéticos (Commes des Garçons), aromas de uma cidade (Bond n.9), uma história a ser contada (Fueguia 1833), etc.

De uma forma mais simplista, eu diria que é a perfumaria feita para um “pedaço da sociedade” que não se preocupa mais com a marca e sim, está atrás da nova criação de um determinado perfumista. Este grupo é mais exigente e está disposto a pagar mais caro pelo produto. Ao mesmo tempo, o criador sabe que o seu produto não será vendido em massa, mas para um “seleto grupo”, desde que disposto a pagar por aquela obra de arte em forma líquida. Ou seja, por todos os lados, existe o foco em algo exclusivo para um grupo segregado. Daí, o termo “nicho”. A única observação que eu faço, no cenário atual, é que as marcas de nicho começaram a ficar tão famosas e desejadas que, a qualquer momento, se tornarão tão populares quanto às de designers.

  • PERFUMARIA INDIE:

Dentro da cena “underground” do mundo dos perfumes, eu diria que a perfumaria Indie é a mais artesanal, que conta com muitos perfumistas amadores, investindo na criação de uma linha própria e tentando estabelecer o seu lugar ao sol. A distribuição costuma ser bastante limitada e a influência artística da perfumaria de nicho é nítida. Mas há uma diferença básica (e enorme) entre elas: uma possui recursos mais limitados e quer se tornar conhecida; a outra possui recursos financeiros e industriais quase ilimitados e seus profissionais já possuem nome estabelecido no mercado.

Por que “alta perfumaria”?

Com tudo isso que foi citado acima, você ainda pode estar se perguntando sobre a questão que envolve o termo “alta perfumaria”, já que isso nos leva a crer que, de alguma forma, exista uma perfumaria de “baixa qualidade”.

O termo “alta perfumaria” não foi criado para rebaixar a qualidade das demais, mas para enaltecer, ainda mais, o nível de exclusividade deste tipo de produto. Por exemplo: imagine você, que algumas destas linhas, além de serem criadas com os produtos mais nobres do mundo, ainda são vendidas para um grupo seleto de 50 ou 100 clientes apenas. Ou ainda, que você pode tentar agendar uma vaga com um destes perfumistas, a fim de criar uma fragrância exclusiva para você, que chega a custar milhares de dólares. É o preço que se paga pela exclusividade!

Fontes: textos próprios e acervo de internet.

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