Termos usados no mundo da perfumaria


Cada vez mais, o número de usuários de perfumes (e cosméticos em geral) aumenta e, automaticamente, o assunto passa a ser difundido de forma mais ampla e democrática. Entretanto, muitos termos “estranhos” são usados pelos que conhecem um pouco mais desta arte e, sobretudo, pelos profissionais da área e acabam soando como algo de outro mundo aos ouvidos do público em geral.

 Abaixo, tentarei reunir os termos mais comuns para acabar com este mistério e provar para você, que adora estar perfumado(a), que não é nada de outro mundo.

TERMOS DE USO GERAL:

  • ACORDE:

É, basicamente, o resultado obtido através da fusão de duas ou mais notas. Podem ser simples, complexos (também chamados de compostos) ou criados em laboratório, para reproduzir um determinado aroma.

Um exemplo de acorde simples, é o acorde de limão, que pode ser obtido através de notas de limão, lima, etc. No caso do acorde complexo, podemos citar a mistura de acordes simples de limão, de laranja, de bergamota, etc. que resultam em um aroma cítrico. E o uso destes acordes compostos, mesmo que diferentes, é que resultam em uma fragrância.

Já no último caso, constantemente, vemos nas composições de alguns perfumes, acordes diferenciados, como: acorde de gota de chuva (Euphoria), acorde de névoa oceânica (Be Delicious), acorde de capuccino (Blue Seduction), etc.

A pergunta é: de onde surgem esses “acordes”?

Pois bem, o cheiro é obtido através de um processo chamado Scent Treck® ,de captação natural de acordes, tecnologia que permite extrair o aroma de determinados locais e reproduzi-los em laboratório.

  • ANOSMIA / HIPOSMIA:

A perda de olfato parcial é chamada de hiposmia. Quando essa perda é completa, o quadro é conhecido como anosmia, ou seja, a impossilidade de sentir qualquer tipo de odor.

  • BLOTTER:

É aquela fitinha de papel especial e absorvente, que usamos nas lojas para experimentar os perfumes. São muito utilizadas pelos perfumistas no seu trabalho diário.

  • DRY DOWN:

Mais um termo muito utilizado no exterior, que tem tudo a ver com a duração (longevidade) do perfume. Está diretamente ligado à maneira como as notas de base (ou fundo) permanecem e evoluem na pele (algo como a “secagem” do perfume).

  • EVOLUÇÃO:

É a forma de reação química que existe entre a sua pele e o perfume, fazendo com que algumas notas se comportem de uma forma ou de outra e criando etapas distintas (ou não) na sua pele, com o passar do tempo.

Exemplo: O aroma de alguns perfumes pode começar de forma cítrica e “evoluir” para um tom mais amadeirado.

  • FIXAÇÃO:

É comum ouvir falar em fragrâncias com forte – ou fraco – poder de fixação, ou seja, que persistem – ou não – por várias horas. Mas o efeito não é mérito de um agente fixador, como há quem acredite. Na verdade, a fixação se deve, em maior parte, às notas de fundo, também chamadas de notas de base. Elas são ingredientes mais densos e persistentes, capazes de atuar na composição, de modo a proporcionar uma difusão mais lenta. Não é à toa que os perfumes de séculos passados eram muito mais naturais e duravam por muitas horas na pele. Contudo, atualmente, com o avanço da tecnologia e as restrições acerca do uso de alguns ingredientes, estão sendo criadas substâncias químicas que passam a agir com este propósito.

  • FLANKER:

De forma simples, em se tratando de perfumes, o flanker é uma versão diferente de algo que já existe no mercado. Normalmente, os flankers compartilham do mesmo DNA, variando conforme a proposta. Exemplo: Kenzo Pour Homme, Kenzo Pour Homme Fresh, Kenzo Pour Homme Woody, Kenzo Pour Homme Sport e Kenzo Pour Homme Sport Extreme.

Em uma explicação mais completa, uma boa definição mercadológica seria: “Flanker é a extensão de uma marca existente para criar um outro produto ou marca, com aumento de market share. O novo produto pode ser em tamanho diferente, sabor, aroma ou tipo, mas ainda cai dentro da mesma categoria de produtos.”

  • LAYERING:

A palavra layer (da Língua Inglesa) significa, em português, camada. O termo layering, na perfumaria, representa a prática de trabalhar com camadas sobrepostas de perfumes. Não é o mesmo que misturar fragrâncias distintas em um único frasco. Aqui, é preciso técnica e experimentos diversos a fim de encontrar o resultado ideal esperado.

  • NOTAS:

São os ingredientes básicos na composição de qualquer fragrância. É através da mistura delas, que são obtidos os acordes, que constituem uma determinada família aromática (ou olfativa). Estes ingredientes podem ser folhas, cascas, óleos essenciais obtidos através de processos industriais, resinas, etc.

São separadas em 3 tipos: notas de cabeça (ou saída), notas de coração (ou corpo) e notas de fundo (ou base).

  • NOTAS DE CABEÇA (OU SAÍDA):

Costumam ser mais voláteis, dando a primeira impressão da fragrância. Normalmente, compõem acordes cítricos ou marinhos.  Nunca devem ser levadas em consideração em uma compra, porque o seu efeito é passageiro e a decepção poderá ser grande.

  • NOTAS DE CORAÇÃO (OU CORPO):

Começam a aparecer cerca de 15 minutos após a aplicação. Normalmente, são mais densas e demonstram a personalidade da fragrância, já que a sua evolução é mais lenta e, muitas das vezes, permanece por toda a duração na pele.

  • NOTAS DE FUNDO (OU BASE):

São as mais duradouras, que conferem o último aroma que uma fragrância apresenta na pele. Possuem relação direta com a fixação de um perfume e costumam ser representadas por especiarias, resinas e madeiras, além de elementos de origem animal, como civeta, almíscar, etc.

  • OLD SCHOOL:

Significa, literalmente, “antiga escola”, mas também é utilizado para se referir à velha guarda, pessoas e/ou coisas antigas. É utilizado para chamar coisas à moda antiga, algo que era utilizado há muito tempo e hoje já não é mais moda, que já está antiquado, mas que para alguns continua sendo legal utilizar. Ou seja, é qualquer objeto que tenha se tornado clássico, e pode ser também uma maneira de pensar e agir mais antiquada.

(fonte:http://www.significados.com.br/old-school/)

  • OSMÓLOGO:

O prefixo “osmo”, vem de cheiro, odor. Já o sufixo “logia”, vem de estudo. Então, o osmólogo é o profissional que estuda os aromas. Em uma definição mais formal, é o estudioso dos odores e do olfato.

  • PERFUMISTA (OU NARIZ):

É o profissional que cria uma fragrância. Um bom perfumista trabalha com cerca de 3.000 notas diferentes e consegue, ao longo de anos de prática, identificá-las com facilidade. Daí o termo “nariz”.

Hoje, a palavra perfumista também está sendo empregada aos adoradores de fragrâncias, que podem (ou não) estar envolvidos com a arte da perfumaria. É algo muito similar aos envolvidos com o mundo da moda (fashion), conhecidos como “fashionistas”, mas que não são, necessariamente, estilistas (designers).

  • PROJEÇÃO:

É o poder que uma fragrância possui em exalar, dentro de uma determinada distância (alcance), quando aplicada e, também, durante toda a sua evolução.

  • SILLAGE:

Termo muito utilizado no exterior, que simboliza o rastro que determinada fragrância apresenta. Está diretamente ligado à projeção e, por isso, um costuma substituir (ou englobar) o outro.

  • SINTÉTICO:

O que é originário ou resultante de uma síntese. Na perfumaria, está relacionado aos ingredientes que são utilizados em uma composição e que foram criados em laboratório, a fim de reproduzirem o aroma de matérias-primas de origem natural ou vegetal. São compostos mais estáveis do que os naturais. Diz-se que um perfume é sintético, quando sua fragrância não transmite naturalidade, beirando o “plastificado”, mas nem todo perfume feito à base de sintéticos possui tal cheiro.

  • TESTER (OU PROVADOR):

É a versão do perfume que é enviada ao lojista (varejo) para demonstração do mesmo, sem alteração da fragrância. É um frasco retirado da linha de produção e separado em uma caixa parda ou branca, com inscrições “tester / demonstration / not for sale”, na maioria dos casos, e pode vir com ou sem tampa. Algumas lojas conseguem comprar um maior número de testers e oferecê-los aos clientes, como uma opção de compra mais barata, já que existe redução de custo com material gráfico oficial.

  • VINTAGE:

Termo que vem sendo usado pelos amantes de fragrâncias, com muita frequência, para se fazer referência a versões anteriores (antes de sofrerem reformulações). Entretanto, é errado utilizá-lo desta forma, pois o termo Vintage refere-se a qualquer peça que tenha pelo menos 20 anos e menos de 100 anos, já que, a partir de 100 anos a peça é considerada antiguidade. E também, cabe lembrar, Vintage não é o mesmo que Retrô.

(fontes:http://pt.wikipedia.org/wiki/Vintage_(moda) / http://www.significados.com.br/vintage)

TIPOS DE CONCENTRAÇÃO:

– Eau Fraiche (ou fraicheur) (água fresca): muito leve, é bastante utilizada após o banho, para aqueles que não abrem mão de estarem perfumados, mesmo dentro de casa, antes de dormir. Normalmente, possui entre 1% a 3% de essência diluída em álcool de 70º a 80º;

– Eau de Cologne – EDC (água de colônia): Esse é o tipo mais suave de um bom perfume. São, geralmente, mais diluídos e tem uma quantidade menor de essência. Normalmente, de 3% a 5% de essência diluída em álcool de 70º a 80º;

– Eau de Toilette – EDT (água de toilette): é o mais comum no mercado da perfumaria, principalmente, entre os masculinos. Possuem um pouco mais de essência na sua formulação, mas não tanto quanto um EDP. Normalmente, de 5% a 10% de essência diluída em álcool 85º;

– Eau de Parfum – EDP (água de perfume): possuem uma concentração mais forte de essência, o que faz com que fixem melhor na pele. Normalmente, entre 10% a 15% de essência diluída em álcool 90º. Em alguns casos, algumas notas são adicionadas para dar um pouco mais de potência à versão EDT original. Indicado para climas mais amenos.

– Parfum (extratos): superconcentrados, duas ou três gotas são suficientes para perfumar (por isso, dificilmente são encontrados à venda). Normalmente, levam de 15% a 30% de essência diluída em álcool 90º.

TERMOS DE CLASSIFICAÇÃO DAS FAMÍLIAS OLFATIVAS:

  • ALCOÓLICO (OU BOOZY):

É o perfume que apresenta notas baseadas em bebidas alcoólicas, como vinho, rum, vodka, conhaque, etc. Conferem um caráter mais masculino ao perfume.

  • AMADEIRADO:

É o queridinho do público masculino. As fragrâncias de aroma proveniente de madeiras levam este nome. Costumam ser secas, passam virilidade e não são enjoativas.

  • AMBARADO:

É o tipo de perfume de característica oriental, geralmente relacionado a perfumes que contenham âmbar (que não é o ambergris). Suas características são mais quentes, lembrando mel ou benjoim e o nome vem da pedra fossilizada. Existe muita confusão com o termo ambarino.

  • AMBARINO:

De cor ou cheiro do âmbar, está relacionado ao ambergris (âmbar cinzento), famoso pela sua história de extração através da baleia do gênero Cachalote.

O ambergris é uma substância sólida, gordurosa e inflamável, em geral de cor cinzenta ou enegrecida, mas que também pode ter cor castanha ou marmórea. Quando fresco, tem cheiro fecal, mas com a exposição ao ar e à luz ganha um odor peculiar doce e terroso. Hoje, é reproduzido de forma sintética.

  • ANIMÁLICO:

Termo usado em aromas que possuem origem animal, de aspecto sexual ou afrodisíaco, normalmente ligados ao almíscar, civeta, etc. Adicionam complexidade às fragrâncias e ajudam (e muito) na duração das mesmas na pele.

  • AROMÁTICO:

É aquele que possui aroma e/ou é derivado de “ervas aromáticas”, como alecrim, sálvia, etc. Abrange uma grande quantidade de fragrâncias, principalmente, as masculinas.

  • BALSÂMICO:

É aquele perfume de aroma resinoso, obtido através de bálsamos de algumas plantas.

  • CANFORADO:

Nome dado à fragrância de aspecto ardido e que remete à cânfora.

  • CHIPRE (OU CHYPRE):

Este termo surgiu de um perfume lançado em 1917, por François Coty, com o nome de Chypre. Normalmente, as fragrâncias deste tipo possuem notas quentes e frias, como notas cítricas e musgosas, por exemplo.

  • CÍTRICO (OU HESPERÍDEO):

Termo usado em perfumes de característica refrescante, com aroma rico em frutas cítricas e ácidas, como bergamota, toranja, limão, tangerina, etc.

  • ESPECIARADO (OU ESPECIADO):

É o termo usado em fragrâncias que possuem característica e aroma resultantes do uso de especiarias, como cravo, noz-moscada, pimenta, canela, etc.

Ambas as formas estão corretas, mas eu prefiro a 1ª opção, pois evita ligações com a palavra “especial”.

  • FLORAL:

O nome fala por si só. Costumam ser representados pela expressão “bouquet floral”, ou seja, são acordes compostos de flores. São muito empregados no coração das fragrâncias.

  • FOUGÈRE:

Nome dado às fragrâncias de origem “botânica”, normalmente compostos por lavanda na saída e musgo de carvalho na base. Assim como no caso dos chypres, o termo é derivado de um perfume do passado, chamado Fougère Royale.

  • GOURMAND:

É o nome dado à fragrância que ative as papilas gustativas, ou seja, deixe a nossa boca cheia de água. Perfumes com notas evidentes de caramelo, chocolate, creme, café, etc. são considerados gourmands.

  • HERBAL (OU HERBÁCEO):

Nome dado à fragrância de aspecto vegetal, com aroma de grama, relva, ervas aromáticas e algumas plantas como camomila, alecrim, etc.

  • MARINHO (OU OCEÂNICO):

Neste caso, a fragrância possui aroma e/ou característica do mar. Assim é chamado o perfume que possui em sua composição algas, sal marinho, acorde de água do mar, etc.

  • ORIENTAL:

Termo utilizado nas fragrâncias de aspecto ambarado, com notas quentes e sensuais como baunilha, benjoim, etc. Costumam apresentar excelente durabilidade na pele.

  • SAPONÁCEO (OU SOAPY):

Termo dado às fragrâncias de aroma ardido e que lembrem sabonete ou cheiro de lavanderia. São muito procuradas por quem busca perfumes com “cheiro de banho tomado”.

  • TALCADO (OU ATALCADO):

Este também é fácil! Quando um perfume possui aroma seco, que remeta a talco, ele leva este nome. Tem aspecto seco e costuma estar ligado, normalmente, à fragrâncias femininas.

  • TERROSO:

Mais uma vez, o nome já diz tudo. Quando sentimos um aroma seco, que nos remeta à barro, areia ou terra (seca ou molhada), damos o nome de terroso. Perfumes ricos em vetiver ou patchouli podem apresentar este tipo de aroma.

  • VERDE:

É um termo muito utilizado em perfumes masculinos de característica forte e musgosa, com aroma de florestas, de madeira molhada, de musgo de carvalho.


 

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