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AMARIGE, DE GIVENCHY

Perfumart - resenha do perfume Givenchy - AmarigeAmarige foi lançado, em 1991, como uma homenagem ao amor e a um dos momentos mais importantes na vida de uma mulher: o seu casamento. Seu nome é um anagrama para a palavra Mariage (casamento, em Francês). Foi criado pelo perfumista Dominique Ropion e se tornou um clássico da perfumaria mundial e da casa de Givenchy, virando sinônimo de qualidade para o chamado “perfume francês”, principalmente, no Brasil.

Na sua composição, temos notas de flor de laranjeira, ameixa, mandarina, violeta, pêssego, néroli e jacarandá, tudo isso apenas no topo. O corpo da fragrância carrega bagas vermelhas, mimosa, cravo, acácia, tuberosa, groselha preta, gardênia, cássia, orquídea, jasmim, rosa e ylang-ylang. E a base possui sândalo, fava tonka, âmbar, almíscar, baunilha e madeiras.

Ao longo dos anos, Amarige ganhou algumas variações e edições limitadas. É um perfume FLORAL, assim mesmo, todo em letras maiúsculas, exagerado e sem medo de ser feliz. Tudo nele é muito grande e, ao mesmo tempo, nada parece ser demais.

Confesso que sou suspeito para falar deste perfume, pois ele faz parte das minhas melhores memórias olfativas, quando se tratam de fragrâncias femininas. Não porque minha mãe ou alguma outra pessoa importante o usou. Mas porque nunca mais me esqueci de seu aroma, desde a primeira vez que o senti, nos anos 90, quando perfumes eram vendidos apenas em algumas lojas de shoppings badalados.

Amarige tem uma das melhores misturas de pêssego + flores brancas + baunilha que eu já senti, principalmente, em grifes voltadas para o mercado de massa. Carrega o que eu chamo de “tríade real” dos florais brancos: jasmim, tuberosa e ylang-ylang. E a tuberosa é das boas, antes de ter virado modinha, assim como acontece com alguns ingredientes de tempos em tempos. Conforme evolui, ganha nuances adocicadas do ylang-ylang e outras de teor salgado e verde, por incrível que pareça. É a faceta amoníaca da cássia.

Por ter uma composição muito rica e cheia de acordes intensos, não é difícil encontrar comparações com outros sucessos do passado. Em algum momento, você irá lembrar uma nota de Trésor ou um acorde de Poême. Faz parte!

Amarige é destemido e não foi feito para mulheres tímidas. É aquele tipo de perfume que projeta muito, ao ponto de pensarem que você exagerou nas borrifadas, mesmo que tenha usado apenas uma. É classudo, é elegante, é sofisticado e é bom, em todos os quesitos. Mesmo depois de tantos anos, continua com ótima qualidade. Aliás, me parece não ter sido reformulado até o momento. Mas já sofreu pequenas mudanças nos frascos e nas embalagens, o famoso repackaging.

Em tempos atuais, de criações minimalistas e noivas pouco ousadas, Amarige não parece ter sido feito para o uso na Igreja, em um momento tão especial como o casamento. Aliás, não é o tipo de perfume feito para as Andreas e sim, para as Mirandas. O diabo pode até vestir Prada, mas seu perfume é Givenchy.


 

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Publicitário, amante da comunicação, blogueiro, apaixonado por fragrâncias e cosméticos em geral. É colecionador de perfumes, resenhista nacional e internacional, consultor particular de fragrâncias e dono de um grupo no Facebook voltado apenas para os homens. Criador e proprietário do Perfumart, site especializado em perfumaria.

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