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GOLD MAN, DE AMOUAGE

Perfumart - resenha do perfume Amouage - Gold ManHá muita confusão sobre a exata data de lançamento deste perfume. Pesquisando, a gente encontra dados que dizem ter sido lançado em 1998 e outros que confirmam seu lançamento em 1983.

Quando a Amouage foi fundada, a intenção foi reviver e redefinir a tradição da perfumaria de Omã. Para tal, contratou o renomado perfumista Guy Robert, criador de clássicos como Madame Rochas e Monsieur Rochas, Calèche, Dioressence, etc. O pedido de Sua Alteza Sayyid Hammad foi simples: “crie o perfume mais rico e luxuoso de todos os tempos, não importa o custo”. E assim foi feito!   

A primeira fragrância era vendida como unissex (hoje já se sabe que foi Gold Woman) e recebeu frascos diferenciados para homens e mulheres, ambos com acabamento impecável. O feminino era banhado a ouro e foi inspirado em uma mesquita de Omã, enquanto o masculino era de cristal, com arabescos. Mais tarde, em 1998, Guy Robert retornou para criar uma versão masculina à altura.

Gold Man possui a mesma composição da versão anterior, com apenas dois ingredientes extras na base da pirâmide olfativa – patchouli e musgo de carvalho. É claro que a empresa lista os principais, mas dizem que este perfume possui cerca de 140 ingredientes.

No topo da fragrância estão as notas de rosa canina (foi utilizada uma espécie rara, que só cresce nas montanhas de Jebel Akhdar), lírio do vale e olíbano. No corpo estão as notas de mirra, raiz de íris e jasmim. E na base estão as notas de ambergris, civeta, almíscar, cedro, sândalo, patchouli e musgo de carvalho.

Vale a pena esclarecer que a rosa canina (rose hip) é do gênero das rosas e é diferente da esteva (rock rose), que é do gênero do cistus. Por aqui, a gente conhece bem como rosa-mosqueta.

Na pele, porém, Gold Man me causou uma sensação de espanto, que fica entre a surpresa e a decepção. A fragrância é maravilhosa, sem dúvidas, mas é muito feminina, levando-se em consideração as tais classificações por gênero. Calma, eu sei que a raiz da perfumaria defende que perfume não tem gênero e que essa tendência nasceu com as mudanças no mercado. Mas, ainda assim, a partir do momento em decidiram criar uma versão para os homens, confesso que esperava algo bem diferente e mais masculino. Do contrário, bastava permanecer com a original.

Gold Man me fazia imaginar algo doce e intenso, mais voltado para o combo rosas + açafrão + canela + benjoim. Mas quando borrifei em minha pele, me deparei com um chipre-floral datado e bastante atalcado, que me fez lembrar de clássicos como First (Van Cleef & Arpels) e Chanel Nº5 (Chanel).

A fragrância é rica, opulenta (duas borrifadas exalam eternamente) e cheia de nuances de incenso, orris e civeta. Além disso, dura mais de 12 horas sobre a pele e demora muito para apresentar as nuances “mais masculinas” de patchouli e musgo de carvalho.

Novamente, eu afirmo: é um perfume e tanto. Mas, particularmente, acho que existem opções mais baratas no mercado para os homens que adoram vestir este tipo de fragrância e que não necessitam de um rótulo (Man/Pour Homme) para justificarem a sua escolha.


 

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Publicitário, amante da comunicação, blogueiro, apaixonado por fragrâncias e cosméticos em geral. É colecionador de perfumes, resenhista nacional e internacional, consultor particular de fragrâncias e dono de um grupo no Facebook voltado apenas para os homens. Criador e proprietário do Perfumart, site especializado em perfumaria.

One comment on “GOLD MAN, DE AMOUAGE

  1. José Marcos

    Chanel No5 … First … Caleche … É por isso que ainda prefiro os clássicos. Se não são … mais … tão badalados, são os verdadeiros, os clássicos, a planta original …

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