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CALANDRE, DE PACO RABANNE

Perfumart - resenha do perfume Paco - CalandreCalandre faz parte dos clássicos da grife. Inclusive, ao acessar a página oficial da empresa, é lá que você irá encontrá-lo. Foi criado em 1969, ou seja, tem quase 50 anos de idade e muita história para contar. Aliás, por falar em história, dizem que seu frasco foi inspirado no edifício Sede das Nações Unidas, com suas amplas janelas sobre colunas retas, reforçando o conceito urbano e arquitetônico de linhas puras, usando vidro e metal.

Mas há controvérsias: há quem diga que Paco se reuniu com Pierre Dinand (criador do frasco) e disse-lhe que queria evocar um casal mantendo relações sexuais em um carro. Na época, Dinand protestou, dizendo que era bastante desconfortável e que precisariam de um carro grande, um Rolls Royce, por exemplo. Então, depois de estudarem o design do carro e o conceito de sexo sobre o capô, eles tomaram como inspiração a grade frontal do radiador, que em Francês se chama Calandre.

O perfumista foi Michel Hy, criador de clássicos de uma era, como Rive Gauche (1971), Mademoiselle Ricci (1967), Ivoire de Balmain (1980), entre outros. Obviamente, depois de quase cinco décadas, já sofreu reformulações e a matéria-prima não é mais a mesma. Inclusive, Calandre era vendido em concentração Eau de Parfum e, atualmente, é fabricado como Eau de Toilette.

Possui aldeídos, bergamota e acorde verde, na saída. No corpo, conta com notas de jasmim, raiz de íris, lírio do vale, rosa, gerânio e jacinto. Por fim, a base traz notas de sândalo, âmbar, almíscar, vetiver e musgo de carvalho.  

Calandre nasceu para quebrar regras: seu frasco era muito inovador para uma fragrância feminina daquela época. E o perfume não poderia ser diferente: uma rosa metalizada, com nuances atalcadas (típicas dos perfumes dos anos 70) e estilo avant-garde, de projeção e fixação absurdas.

Me lembro deste perfume no final dos anos 80 e consigo notar muita semelhança com o que é vendido hoje no mercado. Mas é claro, não dá para comparar a potência absurda de antes com a moderada de hoje. Na pele, abre floral e datado, bem old school, com nuances atalcadas muito presentes. Com o passar do tempo, um teor metalizado se funde à rosa e abre espaço para uma base mais balsâmica e musgosa, que permeia por toda a evolução. A barreira entre feminino e masculino se acaba num piscar de olhos e, por esse motivo, Calandre sempre foi muito elogiado pelos homens ao longo dos anos.

Como a concorrência sempre existiu, em 1971 Michel Hy se envolveu na criação de Rive Gauche, para a casa de YSL. São realmente similares, mas este último é muito mais floral e feminino, na minha opinião.

Calandre resistiu ao tempo, às mudanças na moda e no mercado e se manteve fiel – dentro do possível – ao que sempre representou no universo da perfumaria. E continua lindo, elegante, derrubador de estigmas e gêneros e com projeção razoável e durabilidade alta. Na minha pele, ao menos, dura cerca de dez horas.

Se existe uma faca de dois gumes na perfumaria, que é pontuda, afiada e cortante, ela se chama Calandre.


 

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Publicitário, amante da comunicação, blogueiro, apaixonado por fragrâncias e cosméticos em geral. É colecionador de perfumes, resenhista nacional e internacional, consultor particular de fragrâncias e dono de um grupo no Facebook voltado apenas para os homens. Criador e proprietário do Perfumart, site especializado em perfumaria.

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