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COOL WATER MAN, DE DAVIDOFF

Cool Water Man faz parte do seleto grupo de clássicos da perfumaria mundial, que conquistaram posições de best sellers (mais vendidos) durante anos e que fazem sucesso, até hoje, tamanha qualidade e apelo emocional que representam. Não bastasse isso, seu criador foi Pierre Bourdon, responsável por outros clássicos como Tuscan Soul (Ferragamo), Kouros (YSL), Dolce Vita (Dior), entre outros.

Cool Water Man foi lançado em 1988 e começou a despontar em terras brasileiras nos anos 90, como um daqueles casos típicos da época, que só eram vistos nas mãos de amigos ou parentes que viajavam para o exterior. Me traz memórias deliciosas e, mais do que isso, fez com que muitos homens tivessem apreço pela arte de se perfumar, transformando-os em verdadeiros colecionadores e criando gerações de apreciadores.

É o perfume preferido do meu irmão, o que reforça aquilo que chamamos de “memórias olfativas” e foi um dos perfumes mais copiados de uma geração, inclusive, por uma grande empresa brasileira.

Cool Water Man continua tendo lugar de destaque para muitos homens, mas a reformulação tirou um pouco do seu brilho oceânico. Tive um frasco fabricado no final dos anos 90 e possuo outro (da foto acima) fabricado no início de 2011. A diferença existe!

A composição atual é mais simples e faz com o que a fragrância seja classificada como aromática-refrescante, graças às notas de menta piperita (peppermint) e lavanda (no topo); musgo de carvalho, gerânio e sândalo (no coração); âmbar e almíscar (na base). Essa é a informação do fabricante, mas alguns revendedores citam, ainda, a presença de abacaxi, alecrim, violeta e cedro.

A composição original era muito mais complexa e trazia notas de lavanda, folhagem verde, menta piperita, alecrim, acorde marinho e coentro (no topo), seguidas por gerânio, jasmim, néroli (na época se falava em água de flor de laranjeira) e sândalo (no coração), sobre notas de âmbar, tabaco, musgo de carvalho, almíscar e cedro (base). Era classificada como aromática-aquática.

A fragrância atual continua agradável, mas só lembra a original depois de um bom tempo sobre a pele, quando a parte central entra em ação e vai de encontro à base. A saída perdeu o encanto de outrora, que conquistou diversos mercados, com um misto de menta, água do mar e coentro, que era refrescante, levemente salgada e, ao mesmo tempo, apimentada. Agora, sinto apenas uma lavanda sintética misturada à menta e confesso que me sinto decepcionado. O cheiro de antigamente volta a surgir, com o passar do tempo, e a sensação de reencontro com um perfume fresco, viril e nada frutado reaparece. Aqui, há um misto de nostalgia e felicidade.

Cool Water Man não exala mais como antes, mas ainda apresenta bom desempenho na minha pele, dadas as circunstâncias. Continua sendo um belo representante da força do oceano (fonte de inspiração), transmitindo masculinidade e versatilidade, especialmente, em dias e noites mais quentes. Merece respeito, afinal de contas, continua firme e forte há cerca de 3 décadas.


 

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Publicitário, amante da comunicação, blogueiro, apaixonado por fragrâncias e cosméticos em geral. É colecionador de perfumes, crítico de fragrâncias nacionais e internacionais, consultor particular de estilo em perfumaria e dono de um grupo no Facebook voltado apenas para os homens. Criador e proprietário do Perfumart, portal especializado em perfumaria.

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