shadow

CUIR VERT, DE CONDÉ PARFUM

Perfumart - resenha do perfume Condé Cuir VertO perfume Cuir Vert foi lançado em 2017 e visa oferecer refinamento, através de uma fragrância cujo tema central é o couro.

Seu nome significa Couro Verde, em Português, e sua composição traz notas de limão, goiaba e yuzu, na saída, abrindo caminho para um corpo verde de cipreste, bétula doce, olíbano e oud, sobre uma base de musgo, açafrão, couro e madeira de lei.

Sinceramente, poucas fragrâncias me deixam tão perplexo a ponto de não saber por onde começar a análise. Decidi, então, começar com um elogio: incrível!

Cuir Vert é para amantes de perfumes com couro, muito couro. Mas não aquele cheiro de couro quente, que costuma vir junto com ládano, âmbar ou alguma outra nota de teor oriental, lembrando o toque de uma jaqueta. É para amantes de couro seco e aromas verdes, como aqueles dos clássicos de outrora, com um toque de modernidade que só a perfumaria independente consegue trazer, já que foge, totalmente, do padrão explorado pelo mercado na última década.

Cuir Vert surpreende em todos os quesitos e revela, mais uma vez, o lado clássico do perfumista Fábio Condé em suas criações. Desde o momento em que toca a pele, é de uma beleza implacável, com projeção monstruosa e duração acima de todas as expectativas. Como se diz por aí: “não é para os fracos”!

Quando tento traçar um raciocínio comparativo, penso que Cuir Vert foi feito para quem, no passado, se apaixonou pela fragrância de Habit Rouge (Guerlain) e sempre quis conhecer uma versão mais intensa, uma evolução mais forte, porém, com menos teor atalcado.

Na pele, Cuir Vert assusta os desavisados de olfato mais sensível. Não dá para estranhar comentários e adjetivos negativos que possam surgir com o passar do tempo e com o aumento das vendas. Até pensei em descrever a evolução, explicando as nuances de algumas notas, mas só consigo pensar em uma forma de descrever este perfume: uma floresta densa, cheia de arbustos, ciprestes e umidade. Algumas casas, com fumaça saindo pelas chaminés. Aquela paisagem branca e isolada do inverno, dando lugar à campos verdes, lagos gelados e árvores sendo cortadas por lenhadores. Um deles se embrenha no meio da mata e retorna para casa trazendo um largo chumaço de galhos envoltos por uma peça de couro. Ali estão galhos de limoeiros, de ciprestes e de vidoeiros. Da lenha, que queima no fogão e na lareira, um cheiro de madeira nobre. Da casa, um forte cheiro verde, mentolado e seco se espalha, conforme a fumaça alcança os céus.

Assim é Cuir Vert, que poderia se chamar Condé Pour Monsieur com tranquilidade, mas ganhou o nome perfeito para descrever fragrância tão peculiar. Não sei o que veio primeiro: a fragrância, o conceito ou o nome, mas foram feitos um para o outro.

Até o momento, não conheço nada na perfumaria nacional (ou feita por perfumistas brasileiros) que se pareça com este perfume. Minha única crítica seria o estilo extremamente masculino da fragrância, que diminui o leque de opções para as mulheres, em um momento de lançamento da coleção. Belo perfume!


 

The following two tabs change content below.
Publicitário, amante da comunicação, blogueiro, apaixonado por fragrâncias e cosméticos em geral. É colecionador de perfumes, crítico de fragrâncias nacionais e internacionais, consultor particular de estilo em perfumaria e dono de um grupo no Facebook voltado apenas para os homens. Criador e proprietário do Perfumart, portal especializado em perfumaria.

Fique à vontade para deixar o seu comentário!

Translate »