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A GLÓRIA DA MANHÃ, DE SAPIENTIAE

Perfumart - resenha do perfume Sapientiae - A Glória da Manhã

O perfume A Glória da Manhã foi lançado em 2016 e também já foi reformulado. Apenas os lançamentos de 2017 (Ofanins, Ícarus e o novíssimo Heroin) não precisaram passar por reformulações, pois já foram concebidos dentro do novo estilo de criação do perfumista Sanderson Santana.

Mas esta resenha traz o gosto amargo da crítica. Muitas pessoas acham que receber uma crítica é sempre muito pior do que fazê-la. Não é bem assim! Isso só funciona para quem não tem comprometimento com os envolvidos no processo. No meu caso, criticar sempre é difícil, ainda mais quando se trata de uma criação nacional. Mas o trabalho de um avaliador/resenhista não pode (e não deve) ser pessoal, mas imparcial. E a crítica não deve escolher nome, marca ou apreço, sim produto.

Dito isso, antes mesmo de testar a fragrância, o perfume já seria motivo de crítica por causa do seu nome. Muitas vezes, perfumistas independentes perdem o viés do padrão conceitual na hora de nomearem suas criações. E este é um belo exemplo. Depois de perfumes com nomes curtos e de fácil memorização, como Graal e Vanille Noir, A Glória da Manhã é quase um slogan para uma fragrância que visa retratar o alvorecer. Meu primeiro questionamento foi: por que não Alvorecer, Aurora ou até mesmo Dawn, já que termos estrangeiros estão sendo usados?

Parto para a fragrância que possui notas de limão Siciliano, lavanda da França e bergamota, abrindo caminho para um coração aromático de alecrim, hortelã, néroli e gerânio, sobre uma base de almíscar, vetiver, musgo de carvalho e fava tonka. E então, chegou a hora dos testes na pele. Confesso que foi uma das fragrâncias que mais me gerou expectativas, pois o conceito me fazia imaginar uma fragrância solar, luminosa e alegre, com um belíssimo teor cítrico e grande destaque para o néroli. Digo isso, pois conheço o potencial do perfumista com relação ao uso de tal nota.

Contudo, ao borrifar sobre a pele, a mistura entre o azedo do limão com o floral-canforado da lavanda resultou em um cheiro que me fez lembrar, de imediato, de um produto de limpeza (não irei citar nome, pois não gosto de termos pejorativos ou comparações desnecessárias), que não é o cheiro que eu, particularmente, quero exalar.

A Glória da Manhã não convence pela saída, muito pelo contrário, assusta. Se você tiver paciência para esperar a fase inicial passar, você irá encontrar um perfume mais balanceado, com nuances de néroli e uma base sedosa de almíscar e fava tonka. Mesmo assim, me decepcionou e está aquém das outras fragrâncias, na minha opinião. Aliás, em termos de reformulação, este é o primeiro caso em que prefiro a versão original.

Se a minha opinião valesse de alguma forma, eu diria: “tenta de novo e capricha naquele néroli que você usa tão bem”.

Por fim, vale reforçar o seguinte: esta é a minha análise e perfume se testa na pele e cada pele reage de um jeito. O que funciona para mim, pode não lhe agradar e vice-versa.


 

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Publicitário, amante da comunicação, blogueiro, apaixonado por fragrâncias e cosméticos em geral. É colecionador de perfumes, resenhista nacional e internacional, consultor particular de fragrâncias e dono de um grupo no Facebook voltado apenas para os homens. Criador e proprietário do Perfumart, site especializado em perfumaria.

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