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LAPIDUS POUR HOMME GOLD EXTREME, DE TED LAPIDUS

Perfumart - resenha do perfume Ted Lapidus - lapidus gold extremeLançado no início de 2015, Lapidus Pour Homme Gold Extreme chegou ao mercado para complementar a linha Lapidus, cuja fragrância original foi lançada em 1978 e ganhou sua primeira variação, em 2012, chamada Lapidus Pour Homme Black Extreme.

De acordo com o press release oficial, Lapidus foi inspirado em suas origens: a pedra (do latim lapideus). Desta vez, a inspiração é uma rocha ocre presente no sul da França, que brilha sob os raios do sol e oferece uma gama de tons brilhantes e quentes.

E como nós já sabemos, um dos maiores obstáculos que um novo produto pode enfrentar é a opinião do público. Contudo, em se tratando de perfumaria, a situação ganha uma proporção gigantesca, ainda mais com a internet ao alcance de todos.

Houve um tempo em que toda fragrância que tivesse o termo Black em seu nome era, automaticamente, comparada ao perfume Bvlgari Black. Esse processo se repetiu, após o enorme sucesso de 1 Million. Desde então, qualquer frasco pintado de dourado é, automaticamente, comparado ao perfume de Paco Rabanne. Obviamente, essas comparações simplistas e generalizadas possuem o seu lado positivo e o negativo.

Lapidus Pour Homme Gold Extreme traz notas de toranja rosa, pimenta rosa de Bourbon e cardamomo, na saída. Em seguida, combina notas de flor de laranjeira, cravo, noz-moscada, canela e madeira de ameixeira, no corpo. Na base da pirâmide olfativa, notas de vetiver, âmbar, baunilha e couro encerram a composição.

Na pele, o resultado é bem estranho! O lado suculento da toranja se funde ao lado picante do cardamomo e resulta em uma saída medicinal e, ao mesmo tempo, adstringente. Parece que você apertou um frasco de shampoo para sentir o cheiro e, acidentalmente, um pouco do conteúdo acertou a sua narina. Se muito aplicado, faz até espirrar.

Passados alguns minutos, quando o corpo da fragrância já deveria estar se mostrando, ainda fica difícil de identificar as especiarias quentes e, sobretudo, o aroma da flor de laranjeira, normalmente adocicada e indólica. Ao meu olfato, se sobressaem as notas frutais da ameixeira e um pouco da canela, mas nada muito picante. Por fim, após uma longa e sutil evolução, percebo apenas o âmbar e uma nuance oriental.

De forma curiosa, na minha pele, esta versão me causou cansaço olfativo. Depois de um certo tempo, eu não consigo mais sentir o perfume, mas sei que ele continua exalando. Digo isso, porque recebi vários elogios durante as fases de teste e este é, talvez, o lado positivo que eu não consegui enxergar. Ou seja, projeta muito bem e, com relação à fixação, esta sim faz jus à tradição e ao nome da família Ted Lapidus.

Para mim, Lapidus Pour Homme Gold Extreme não possui semelhança com 1 Million, tampouco com os demais Lapidus, o que me decepcionou bastante (a não ser que a fragrância atual de Lapidus pour Homme esteja assim, depois de reformulada). Ficou claro que é apenas mais um flanker, seguindo a tendência do mercado em aproveitar nomes e identidades visuais, barateando custos.

Pode ser uma boa opção para a garotada que está partindo para as baladas, mas não para o homem que se identifica com o DNA da linha Lapidus. A versão Black Extreme ficou muito boa, na minha opinião, mas esta aqui deixou muito a desejar. Em se tratando de perfumes com assinatura medicinal e nuances quentes, prefiro o Bogart Story Red.

Sigo em frente, torcendo para que Lapidus Pour Homme Sport, anunciado em novembro de 2015, seja melhor.


 

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Publicitário, amante da comunicação, blogueiro, apaixonado por fragrâncias e cosméticos em geral. É colecionador de perfumes, resenhista nacional e internacional, consultor particular de fragrâncias e dono de um grupo no Facebook voltado apenas para os homens. Criador e proprietário do Perfumart, site especializado em perfumaria.

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