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L’EAU MAJEURE D’ISSEY, DE ISSEY MIYAKE

Perfumart - resenha do perfume Issey Miyake - L'Eau Majeure D'isseyL’Eau Majeure D’Issey é a mais nova fragrância masculina da grife Issey Miyake. Foi anunciada, mundialmente, em agosto de 2017 e a promessa de cobertura total no mercado brasileiro é para abril de 2018. A empresa não para de produzir, mas o último perfume a ser vendido no país foi L’Eau D’Issey Pour Homme Fraîche, que foi lançado em 2015 e chegou às lojas em fevereiro de 2016.

L’Eau Majeure D’Issey evoca o conceito da água em um acorde maior, símbolo de força e movimento como o princípio da criação. Sua composição foi pensada para retratar o vento que sopra um spray marinho com uma inovadora nota de madeira flutuante que, ao longo do tempo, se torna salgada em contato com a água do mar, além de trazer algumas nuances minerais.

Para tal, os perfumistas Fabrice Pellegrin e Aurélien Guichard criaram uma fragrância a partir de notas refrescantes de toranja e bergamota, conferindo uma saída luminosa, como se fosse o reflexo do sol sobre a água. No coração desse oceano, um acorde marinho com facetas minerais de ambergris. Por fim, uma base de madeiras e cashmeran, retratando uma madeira que flutua, com suavidade, sobre as ondas.

O frasco foi criado pelo designer Todd Bracher e seu vidro parece ter sido polido à perfeição, trazendo o metal escovado na tampa e reforçando a estética da grife. Ficou mais curvo e anatômico e se visto de lado, apresenta formato semelhante ao do perfume feminino (L’Eau D’Issey Pure), conforme mostro na imagem abaixo. O slogan da campanha reforça o conceito: “Designed by Water”.

Perfumart - resenha do perfume Issey Miyake - L'Eau Majeure 2

Vale esclarecer que as imagens que abundam na internet trazem dúvidas com relação à cor do produto. Na verdade, o líquido é levemente azulado. Entretanto, a base do frasco ganhou o que a grife chama de gota azul, causando uma refração da luz sobre o líquido, de acordo com a luminosidade e o fundo. E isso pode resultar em imagens nas quais o líquido fica violeta.

Com relação à fragrância, tenho algumas considerações a fazer: no quesito frescor, sempre enxerguei as fragrâncias de Issey (bem como as de Kenzo) como refrescantes e verdes, construídas com cítricos, ervas aromáticas e um toque de madeiras, em sua maioria. Por vezes, também temos gengibre, um toque de cardamomo e o bom e velho yuzu (que também aceita pronome feminino, conforme eu explico nesta resenha). Por outro lado, a maioria das grifes do mercado de massa sempre trouxe perfumes frescos e azuis, cheios de acordes marinhos, ozônicos e notas em comum, como melão, zimbro e menta. É como se houvesse uma divisão entre Oriente e Ocidente.

Obviamente, o nosso País é o lugar perfeito para apreciarmos esses tipos de fragrâncias. Ambos os tipos (verdes e azuis) já me conquistaram por motivos diversos. Mas confesso que quanto mais cítricas e aromáticas forem, para mim melhor. Não me dou bem, a longo prazo, com todas as fragrâncias de teor marinho-frutado que existem no mercado.

Dito isso, me parece que L’Eau Majeure D’Issey “pulou o muro” e abandonou as raízes dos clássicos da linha Pour Homme (tradicional, intenso e esportivo) e decidiu se encaixar no padrão dos perfumes oceânicos. Até mesmo a versão L’Eau Bleue D’Issey, cujo nome significa “A Água Azul de Issey” consegue ser mais verde. Foi lançada em 2004 e até hoje ainda segura o título de uma das criações mais originais das últimas décadas.

Mas isso significa que L’Eau Majeure D’Issey é ruim? De forma alguma! É um perfume delicioso, fresco e…azul. Não me parece sintético, tem boa projeção (embora esta dure pouco tempo, por causa da volatilidade das notas de saída) e possui ótima fixação, ainda que suave com o passar das horas. Minha maior crítica fica por conta da falta do aspecto de madeira salgada que, pelo visto, ficou no mar (e na fita olfativa)!

É incrível como o ambergris e a cashmeran conferem uma suavidade adocicada na minha pele, enquanto as nuances de madeira salgada ficam mais vivas na fitinha (cuidado ao testar na loja). E é por causa disso que algumas pessoas, incluindo um colega e seguidor do blog, já relataram que sentiram um aroma semelhante ao do perfume Invictus, que também possui notas de toranja, acorde oceânico e ambergris. Particularmente, eu não senti tanta semelhança na minha pele, mas imagino que possa acontecer com outras pessoas.

O frasco é lindo, mas a inscrição Pour Homme não vem gravada, nem mesmo na caixa. Acredito ser um reflexo do momento atual da perfumaria, no qual as grifes estão tentando abandonar a segregação por gêneros.

Por fim, L’Eau Majeure D’Issey tem tudo para se tornar mais um sucesso de vendas, principalmente no Brasil, onde a maior parcela do público investe neste tipo de fragrância que agrada a todos. Porém, não posso deixar de lado a minha sinceridade imparcial de sempre e sou obrigado a dizer que este perfume me fez imaginar um mergulho no mar, mas me deixou com a sensação de um mergulho na piscina.


 

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Publicitário, amante da comunicação, blogueiro, apaixonado por fragrâncias e cosméticos em geral. É colecionador de perfumes, crítico de fragrâncias nacionais e internacionais, consultor particular de estilo em perfumaria e dono de um grupo no Facebook voltado apenas para os homens. Criador e proprietário do Perfumart, portal especializado em perfumaria.

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