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NATURA HOMEM ESSENCE, DE NATURA

Perfumart - resenha do perfume Natura - Homem EssenceLançado em meados de 2016, Natura Homem Essence é o primeiro Deo Parfum da linha Natura Homem. Em poucas palavras, seria o equivalente brasileiro para a Eau de Parfum importada, já que as nomenclaturas para perfumaria no Brasil mudaram, há alguns anos, por razões que estão ligadas aos impostos e tributos.

Com o slogan: “A grande jornada é viver”, o conceito é encorajar o homem a encontrar o seu próprio jeito de trilhar a sua jornada. Foi criado em mais uma co-participação envolvendo Verônica Kato (perfumista da Natura) e Clément Gavarry, da casa IFF.

A composição oficial traz notas de bergamota, óleo de gengibre, toranja e limão, na saída. No coração, notas de cardamomo, pimenta preta, canela do Ceilão, coentro e violeta. Na base, notas de patchouli, madeira de guáiaco, cedro, âmbar e moléculas sintéticas de Iso E Super e cashmeran.

Antes de prosseguir, vale a pena reforçar que a nota de cashmeran (ou cashmere) não é novidade no universo dos perfumes. Você já deve ter ouvido falar dela com outro nome, mais comum, que é madeira de caxemira. Isso porque a tal molécula possui facetas amadeiradas e o aspecto sedoso da famosa lã. Atualmente, a indústria começou a falar, mais abertamente, dos compostos sintéticos utilizados em suas composições.

Natura Homem Essence é um amadeirado-especiado, cheio de sensualidade e facetas amendoadas. Fica claro que, dentro da atual linha Natura Homem, é o perfume feito para chamar atenção (em festas, eventos, baladas, etc.). Mas não é, necessariamente, um perfume apenas para uso noturno.

Na minha pele, a saída não foi tão cítrica quanto eu esperava. A fragrância parece começar do meio, não do princípio. Sinto um forte impacto de violeta, cardamomo, canela e nuances frutais mais sutis, com maior destaque para a toranja. Também não noto muita evolução, pois consigo perceber, em poucos minutos, o âmbar e os compostos sintéticos, principalmente, a cashmeran.

A projeção é excelente e a fixação é muito boa. Consegui notar sua presença, mesmo após cerca de dez horas sobre a pele. Mas senti que a fragrância “desandou” no tempo mais quente (surge um cheiro medicinal, vez ou outra, que pode incomodar).

Não entendo porque vi tantos comentários negativos sobre este perfume, pois apesar de não ser inovador para mim, tem muito a acrescentar para o grande público brasileiro. Além disso, não tem aquele cheiro ardido, que vários perfumes nacionais possuem e que fazem a pessoa pensar: “é perfume brasileiro”.

Minhas maiores críticas ficam por conta dessa bobeira de utilizar termos em Inglês para uma fragrância criada por uma empresa super brasileira e comprometida (Homem Essência resolveria), além de ficar claro que é só mais um flanker mal aproveitado, porque o DNA do tradicional não está ali.

Por fim, o frasco recebeu uma pintura especial, que me fez lembrar do acabamento utilizado em Natura Homem Nitro Intenso (2015). Mas dá para enxergar o conteúdo pelas laterais, que são vazadas.


 

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Publicitário, amante da comunicação, blogueiro, apaixonado por fragrâncias e cosméticos em geral. É colecionador de perfumes, resenhista nacional e internacional, consultor particular de fragrâncias e dono de um grupo no Facebook voltado apenas para os homens. Criador e proprietário do Perfumart, site especializado em perfumaria.

2 comments on “NATURA HOMEM ESSENCE, DE NATURA

  1. Cara, sou seu fã, mas confesso que esse lob que as empresas tem com o governo de se classificar como “desodorante colônia” para ter baixa tributação, e no final competir com os produtos importados no preço, é sacanagem. Não tenho nada contra com os produtos nacionais, mas desse jeito é concorrência desleal. Antes de maus nada, parabéns pelo blog/youtube/instagram. Abs

    • Poxa, muito obrigado.

      Sobre a posição das empresas, acho que faz parte da nossa legislação cheia de brechas. E já que o governo quer empresas contatando, mas elas não recebem incentivo nas questões tributárias, então arrumaram um jeito de minimizar os custos. Mas também, verdade seja dita, essa questão de “nomenclatura que paga menos impostos” é o que se fala por aí, né? 😉

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