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SAUVAGE EAU DE PARFUM, DE DIOR

Sauvage Eau de Parfum foi anunciado em janeiro de 2018 e já chegou às principais lojas brasileiras. Trata-se da primeira variação da fragrância original, que foi lançada em 2015. François Demachy, perfumista da Dior, inspirou-se no deserto e na hora do crepúsculo.

Em 2015, Sauvage Eau de Toilette causou impacto no mercado (afinal de contas, é um Dior) e movimentou fóruns e redes sociais que discutem a perfumaria. No mundo inteiro, inúmeros blogueiros e youtubers comentaram sobre a fragrância e tudo a seu respeito, como originalidade, qualidade, etc. Sem contar nas comparações feitas com outras fragrâncias de grifes concorrentes. O que eles não sabem é que esse tipo de movimento, que vem sendo feito nas últimas duas décadas, substitui com maior alcance (e eficácia) as antigas pesquisas de mercado que as empresas realizavam sempre que um novo briefing criativo era iniciado.

Então, seguindo o movimento natural da indústria e tentando ajustar as críticas que foram feitas sobre a versão original, François Demachy – junto com as demais áreas envolvidas em cada lançamento de uma nova fragrância – resolveu fazer o que a Dior sempre fez muito bem: flankers que ampliam coleções sem abrir mão do DNA. Um exemplo ideal para retratar esta questão é a maravilhosa linha Dior Homme, principalmente, antes de chegar às versões esportivas. Quem teve acesso à versão Eau de Toilette (2005), bem como às versões Cologne e Intense (ambas de 2007), entenderá minhas referências. E o mais interessante é que essas três foram feitas por diferentes narizes, o que reforça ainda mais a importância do briefing.  

Agora chegou a vez de um novo Sauvage, teoricamente com maior concentração e com algumas mudanças na composição. As principais notas foram mantidas: bergamota da Calábria, lavanda, pimenta Sichuan e ambroxan. A novidade veio através de notas mais quentes, como noz-moscada, anis estrelado e absoluto de baunilha da Papua-Nova Guiné. De acordo com o perfumista: “Eu não criei Sauvage EDP pensando em potência. A assinatura de Sauvage já é muito identificável. Não era uma questão de exagerar ou saturar a composição existente. Eu me esforcei para enriquecer cada uma das notas dominantes de antes, lhes dando uma nova cor”. Será que funcionou?

Na minha pele, Sauvage Eau de Parfum abre menos fresco e mais encorpado. O tal cheiro saponáceo que muitos criticam na versão EDT (e que nunca se fez presente ou incômodo ao meu olfato) ficou mais vivo desta vez. Rapidamente, a lavanda surge e traz um teor canforado muito forte, que não existia na versão anterior. Em cerca de dez minutos, o anis aparece e confere nuances mais geladas e aromáticas. Porém, poucas pessoas fizeram menção à esta nota em suas resenhas, o que reforça a importância do teste na pele. Em mim, ela ficou bem perceptível durante boa parte da evolução.

Quando a fragrância chega a esse estágio, pouca coisa parece mudar. Então, o ambroxan surge e traz suas nuances mais almiscaradas quando, na verdade, eu esperava por algo mais encorpado, ainda mais em uma pirâmide olfativa que carrega absoluto de baunilha. E é aqui que mora o ponto negativo desta fragrância: a frustração. Não só minha, mas de todo mundo que já testou e publicou algo a respeito. Parece que a grande expectativa sobre Sauvage Eau de Parfum e o uso das notas de baunilha e noz-moscada era, justamente, encontrar a fragrância de Sauvage EDT com uma profundidade maior e um teor mais quente, adocicado e noturno. E isso não aconteceu!

A diferença entre ambas as fragrâncias pode ser notada por quem as conhece e usa com frequência ou tem um olfato um pouco mais apurado. Mas de forma geral, o usuário padrão – aquele que vai até a loja atrás de novidades, não consegue identificar notas e se prende apenas às famílias olfativas (amadeirado, aromático, etc.) – não irá notar diferenças porque, verdade seja dita, ainda que pareça contraditório, elas entregam um resultado muito parecido.

Em termos de projeção e durabilidade, Sauvage Eau de Parfum é incrível! Diferente da versão EDT, que me causa um certo cansaço olfativo e parece não exalar mais depois de um tempo, esta aqui exala o tempo todo. Nenhuma delas tem longo alcance, mas funcionam para quem está por perto. A durabilidade também é maior, bem como a evolução, que muda com o tempo, enquanto a versão EDT sempre se comportou de forma linear sobre a minha pele.

Particularmente, este perfume me conquistou. Sempre gostei do original, mas agora vejo qualidades neste que não estavam presentes no outro. Me encanta saber que posso usar um Dior Sauvage e senti-lo o tempo todo, além de notar pequenas mudanças com o passar das horas. A versatilidade também continua a mesma. Não consigo enxergar este perfume apenas para uso noturno ou ocasiões mais formais. Triste mesmo foi não sentir a baunilha que eu desejava, mas algo me diz que isso será resolvido em uma próxima versão, provavelmente chamada de Parfum ou Absolute. 😉

Por fim, mas não menos importante, vale falar do frasco. As fotos divulgadas na internet enganam! A gente olha e pensa que o vidro possui um gradiente de cor laranja na base, mas os frascos são idênticos em mãos.

Na minha opinião, o homem de Dior Sauvage é o mesmo. Ele apenas decidiu mudar um pouco o visual e se reinventou, a fim de chamar a atenção de quem nunca notou sua presença antes.


 

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Publicitário, amante da comunicação, blogueiro, apaixonado por fragrâncias e cosméticos em geral. É colecionador de perfumes, crítico de fragrâncias nacionais e internacionais, consultor particular de estilo em perfumaria e dono de um grupo no Facebook voltado apenas para os homens. Criador e proprietário do Perfumart, portal especializado em perfumaria.

4 comments on “SAUVAGE EAU DE PARFUM, DE DIOR

  1. Jonas

    Como sempre você fez um belo texto, muito detalhado e elucidativo. Confesso que não me animei muito com o EDT mas parece que agora vale investir nesta versão. Quando li no início do texto sobre a baunilha, já me animei porque amo baunilha, mas a alegria durou pouco,rsrs. Como você bem disse: vamos aguardar a próxima. Ótimo resenha Cassiano, muito grato!! Parabéns.

  2. Junior Barreiros

    Palmas, palmas e mais palmas…análise maravilhosa Cassiano! Um grande abraço e tô sempre por aqui seguindo suas resenhas incríveis viu. Tudo de bom e muito sucesso!

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