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SMOKING LOUNGE, DE AMBERFIG

Perfumart Resenha Smoking Lounge

A história por trás desta criação é belíssima. O perfumista, David Magalhães, se inspirou no livro “O Caçador de Pipas”, quando leu o trecho que diz: “Meu quarto ficava no andar de cima, junto com o de meu pai e o seu escritório, também conhecido como “sala de fumar”, eternamente cheirando a tabaco e canela. Era lá que baba e seus amigos se reclinavam nas poltronas de couro preto, depois que Ali tinha acabado de servir o jantar”. A princípio, David pensou em chamar este perfume de Le Fumoir, mas decidiu por Smoking Lounge.

Eu recebi este perfume, em 1ª mão, já que seu lançamento oficial só irá ocorrer no ano que vem (2015) e fico muito feliz em poder falar sobre esta fragrância, que traz, em sua composição oficial, notas de anis estrelado, cardamomo, amêndoas amargas e canela, na saída. Em seguida, fumo de rolo, tabaco, couro, cravo e absoluto de cacau, no coração. Cedro da Virgínia, baunilha e vetiver, na base.

Eu sinto que este perfume, dentro da linha Amberfig, é uma continuação de uma história iniciada por Café Massoïa. Ambos trabalham ambientes fechados e cheios de livros, além de terem notas em comum, como a canela, o absoluto de cacau e as amêndoas, por exemplo.

Mas esta fragrância é mais misteriosa do que a anterior. Aqui, é possível imaginar que há algo alcoólico, tão logo o líquido atinge a pele. Eu pensei em rum ou algum tipo de Bourbon (whisky). O anis estrelado é extremamente pungente, dando à saída um toque muito peculiar. Além disso, as amêndoas amargas também aparecem. Porém, desta vez, o teor aromático é outro, um pouco mais adocicado, remetendo a cerejas em calda, misturadas com canela. As amêndoas amargas são tão fortes, que a ingestão máxima por um adulto não pode ultrapassar 20 unidades. Mais do que isso, pode ser letal!

A evolução continua, mas eu a sinto bem discreta, quase linear, com um pouco do aroma do cravo e um toque seco, que julgo ser da nota de couro. Então, chego aonde meu olfato me levou, inicialmente: no tabaco. É ele que dá o aroma com nuances de whisky. Delicioso! Por fim, a baunilha chega e torna a fragrância ainda mais bela, quando se junta ao vetiver e suas facetas esfumaçadas, ao invés das terrosas.

Uma dica final enviada pelo criador: cuidado com a aplicação sobre as roupas, pois o líquido pode manchar o tecido. Também quero deixar uma dica minha: cuidado com a aplicação sobre a pele, pois seu aroma inebriante pode viciar!

Ironias à parte, mais um belo trabalho nacional, que merece destaque internacional.


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Publicitário, amante da comunicação, blogueiro, apaixonado por fragrâncias e cosméticos em geral. É colecionador de perfumes, resenhista nacional e internacional, consultor particular de fragrâncias e dono de um grupo no Facebook voltado apenas para os homens. Criador e proprietário do Perfumart, site especializado em perfumaria.

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