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Entrevista com Paul Kiler (PT and EN languages).

Perfumart -Entrevista PK - testada
Reprodução: acervo pessoal Paul Kiler. | Reproduction: Paul Kiler’s personal files.
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Paul Kiler, um perfumista destemido, inovador, premiado e humilde.

 

Paul Kiler tem formação pela UCLA (University of California, Los Angeles), é fotógrafo e fundador da Kiler Photography, já realizou trabalhos como designer e é o nariz responsável pelas fragrâncias da sua própria marca de perfumaria independente: a PK Perfumes.

Paul tem um fascínio por tudo aquilo que não pode ver, mas que pode ser sentido, principalmente, no que diz respeito aos cheiros. No final dos anos 90, ele se viu desejando grandes fragrâncias para uso próprio, mas achava que o que estava disponível no mercado era fraco e sem originalidade.

Em 2012 lançou a PK Perfumes e, em pouco tempo, foi indicado a inúmeros prêmios, tendo conquistado 19 deles apenas nos dez primeiros meses de vida comercial. Agora, quase uma década depois, decidi entrevistá-lo para descobrir quais serão os seus próximos passos.

Ficou curioso(a)? Vem comigo!

Perfumart - Entrevista PK - foto 6
Reprodução: acervo pessoal Paul Kiler.

Cassiano Silva: Você decidiu criar fragrâncias mediante tamanha decepção com o que estava disponível no mercado. Qual foi a última fragrância que usou antes de chegar a essa decisão?

Paul Kiler: Por anos usei Grey Flannel, eu adorava, e outras pessoas gostavam em mim. Eu usei por anos, mas parecia não durar mais, tinha perdido um pouco do seu requinte e, como soube depois, estava sendo reformulado.

Mas o outro lado disso é que na década de 1990, muitos dos perfumes masculinos trouxeram fragrâncias esportivas, e cada uma delas tinha exatamente a mesma mistura de notas de base e todas me davam dor de cabeça. Eu queria tentar e ver se poderia fazer uma fragrância para mim, com a complexidade que eu tanto gostava em Grey Flannel, mas também que não me desse dor de cabeça. Eu realmente queria desfrutar de grandes perfumes em minha vida.

Cassiano Silva: Podemos dizer que você já era um apaixonado ou colecionador de perfumes?

Paul Kiler: Certamente fui um artista em muitas maneiras. E amar os cheiros ao meu redor fazia parte de ser um tipo de pessoa sensível / observadora / artística. Eu realmente amo os cheiros dos lugares…a floresta, uma velha Igreja, flores de tuberosa que descobri viajando em outros países, etc.

Eu prestei muita atenção aos cheiros das plantas e lugares ao longo da minha vida, antes de me tornar uma pessoa que aprendeu a fazer fragrâncias por conta própria.

Cassiano Silva: No mercado brasileiro, acredito que fui o primeiro blogueiro a experimentar e divulgar algo sobre as suas fragrâncias. E lá se vão sete anos!

Em algum momento, ao criar a sua empresa de fragrâncias, você imaginou que o alcance e a curiosidade viriam de tão longe e tão rápido?

Paul Kiler: Sinceramente, respondendo à sua pergunta, eu não tinha ideia de que haveria interesse de tão longe como aconteceu. Acho que, realmente, só pensava muito em ser um cidadão/perfumista americano, e nunca em ser qualquer tipo de pessoa ou empresa global. Mas, realmente, fico muito surpreso em saber que tenho fãs no Brasil, é realmente incrível…porque eu tenho sido um grande fã da música brasileira por muitos anos. É muito emocionante para mim pensar na possibilidade de desfrutar no Brasil, algum dia, de amigos desse ramo e da música, ao mesmo tempo. 😊

Vou levar minha cuíca comigo, quando for ao Brasil…ou talvez não, e vou comprar uma cuíca bem bonita por aí. 😉

Cassiano Silva: Com um olhar tão apurado para vários tipos de arte, como fotografia, esculturas, etc. você tem alguma predileta?

Paul Kiler: Não tenho um meio artístico favorito, mas provavelmente um estilo, aquele que favorece padrões e design geometricamente orientados. E eu aprecio e amo artes mais refinadas, assim como artesanatos de todo o mundo.

Perfumart - Entrevista PK - foto 7 corte
Reprodução: acervo pessoal Paul Kiler.

Cassiano Silva: Antes de pensar em ter sua própria marca independente, você tinha um perfume preferido? (Pode citar mais de um ou a família olfativa que mais te agrada).

Paul Kiler: Eu mencionei antes Grey Flannel, mas também era um grande fã de Santos de Cartier e Donna Karan Black Cashmere. E quando Calvin Klein Escape for Women surgiu e era vendido na versão de perfume, eu andava atrás de mulheres no shopping, só para poder sentir o cheiro do rastro deixado pelo perfume delas.

UAU, eu realmente amava Escape em uma mulher e o volume do perfume era capaz de encher um ambiente bem grande. Era tão inebriante para mim…eu provavelmente assustava algumas mulheres por segui-las, desculpe senhoras…KKK! Tentei não fazer isso por muito tempo! 😊

Cassiano Silva: E perfumista, algum nome em especial?

Paul Kiler: Eu não tinha um perfumista favorito antes e realmente não posso dizer que tenho um agora também…acho que ainda não tentei fazer isso.

Cassiano Silva: Qual foi (ou é) a maior dificuldade enfrentada para dar vida às suas fragrâncias?

Paul Kiler:  1) a difusividade nas fases posteriores de uma fragrância é muito desafiadora.

2) não ter conhecimento sobre o que não sei é uma dificuldade que me impede de resolver problemas e criar bem/melhor. Se já sei que não conheço algo, então estou tentando aprender. Mas são essas dicas do que não sei, que desconheço. 😉

3)  ao trabalhar em fragrâncias para meus clientes, acho que o mais difícil é quando tento fazer um perfume para eles, mesmo quando eles não têm uma direção clara, uma expectativa, ou até mesmo conseguem dizer o que querem. Já recebi clientes que me procuraram e disseram que queriam “um perfume que tal estrela de cinema de Hollywood usaria”. Estes clientes já foram em todas as principais casas de fragrâncias e nenhuma delas fez algo que os deixassem felizes. Eles não sabiam o que queriam em uma fragrância ou a direção da fragrância, exceto que “eles saberiam quando cheirassem”. Então, enviei alguns esboços e eles acharam que cheiravam como um perfume de qualidade similar às de um Creed, mas que não era o que eles queriam. UAU, apenas me dê um alvo melhor para mirar e eu posso fazer algo, mas não me dar direcionamento? Como pode um perfumista dar o que você quer, se o mesmo não tem nada para visar e o cliente nem sabe o que quer?

4) ou quando o cliente deseja um perfume baseado em um poema curto de quatro versos e esse poema contém apenas duas palavras importantes /operativas a ponto de fundar uma fragrância. Às vezes, traduzir as ideias e desejos do cliente para o seu perfume, quando se trata de uma origem muito nebulosa, é uma dificuldade real.

Perfumart - Entrevista com Paul Kiler - foto 1
Reprodução: acervo pessoal Paul Kiler.

Cassiano Silva: Matéria-prima: qual a melhor para trabalhar? E a pior (ou mais difícil)?

Paul Kiler:  Acho que a maioria das pessoas pensa que existe apenas um tipo de matéria-prima. É como se houvesse apenas um tipo de vetiver ou um tipo de óleo essencial de manjericão, ou capim-limão, ou mesmo uma única molécula como Iso E Super.

Com cada natural, existe uma variação de quimiotipos que enfatizam diferentes combinações de moléculas. Como o manjericão, que tem o quimiotipo Linalol e tem um cheiro mais floral. Ou o quimiotipo Metil Chavicole/Estragol, com um perfil de odor fresco-herbáceo semelhante ao anis, ou ainda um quimiotipo de Eugenol, que cheira diretamente como um botão da flor de cravo.

Um verdadeiro perfumista precisa entender todas as partes de cada matéria-prima que usa e, em seguida, escolher a certa para a necessidade ou efeito desejado antes de misturar em uma fragrância. Talvez eu queira um pouco mais anisado ou talvez eu queira um cheiro de cravo com nuances verdes. Então, eu escolheria um desses três óleos essenciais de manjericão que mencionei acima. Mas se você for cego quanto ao que constitui seus ingredientes naturais, terá problemas para entender como usar suas matérias-primas. O melhor material é aquele que é adequado para o seu propósito. O pior é o errado para o objetivo desejado.

É por isso que tenho uma cesta inteira de frascos de óleos essenciais de manjericão ou vetiver, cinco cestos de óleos essenciais de cedro, etc. para poder escolher o ideal pelo motivo certo e para o perfume certo. Não existe uma matéria-prima ruim, existem apenas maneiras ruins ou boas de usá-la.

Mencionei o Iso E Super – mesmo os produtos de uma única molécula têm variações para avaliar e usar de maneira adequada. Toda matéria-prima possui um conjunto de impurezas relacionadas ao processamento do produto final. Alguns fabricantes têm processos de fabricação diferentes, que resultam na mesma molécula, mas têm impurezas diferentes tagueadas ao longo das etapas de processamento. Você precisa ser capaz de escolher qual conjunto de impurezas deseja usar em um perfume ou não. E acontece o mesmo com moléculas únicas que podem vir por meio de um laboratório ou de uma planta. É exatamente o mesmo produto final da molécula, mesma estrutura molecular e mesmo odor, mas cada processo tem seu próprio conjunto de impurezas.

Vamos deixar isso bem claro (sendo todas as coisas exatamente a mesma molécula e tipo): não há absolutamente nenhuma diferença entre uma molécula que é obtida de uma planta e, portanto, pode ser chamada de “natural” (porque teve origem vegetal) e uma mesma molécula que é processada em um lote de laboratório. As moléculas são exatamente a mesma e têm o mesmo cheiro. Mas cada uma deles tem seu próprio conjunto de impurezas que acompanham o processamento, o que muda sutilmente o perfil do odor final.

Cassiano Silva: Qual é seu perfume campeão de vendas?

Paul Kiler: Pois bem, sob a marca PK Perfumes, o mais vendido atualmente seria Maderas de Oriente Oscuro. Mas antes do Maderas sair, era Carissa.

Mas é difícil não considerar o Rhinoceros original com a Zoologist, já que foi para tantas lojas de varejo ao redor do mundo, mesmo sendo copiado e roubado no Oriente Médio. Mas meus dois novos perfumes na Espanha, para a marca Ecuacion Natural, estão chegando rápido ao topo, pois estão vendendo muitos deles.

Cassiano Silva: Depois de anos no mercado, vários prêmios e convites para ser o criador de outras marcas já estabelecidas, como foi o caso da Zoologist Perfumes, você acha que os influenciadores foram importantes para ampliar seu campo de atuação ou eles representam apenas um “meio necessário” com o qual as marcas de nicho/indie precisam atuar?

Paul Kiler: Publicidade é um trabalho muito importante que os reviewers e influenciadores fazem. Eles parecem ter uma habilidade de construir um grande público, que ouve o que eles falam, e apresentar os produtos aos consumidores é sempre fundamental.

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Reprodução: acervo pessoal Paul Kiler.

Cassiano Silva: Ainda sobre os influenciadores, após ler resenhas e assistir aos vídeos no YouTube, você acha que a maioria deles conseguiu transmitir o que você queria ao criar cada fragrância?

Paul Kiler: Muitas vezes, parece que um reviewer (resenhista) ou influenciador fica preso. Com extrema frequência, reviewers e influenciadores chegam a um perfume da minha marca esperando algo e nem sempre são recompensados ​​com tal expectativa. Os perfumes da PK não são como os outros, não são como os do mercado de massa; eles vivem totalmente isolados neles mesmos e separados.

E quando as expectativas não são atendidas, eles tentam encaixá-los (os perfumes) em alguma outra caixinha que construíram em suas mentes, ou descartá-los, porque falharam no que era esperado. Uma vez, um reviewer sentiu um perfume da PK por alguns minutos e, logo em seguida, o descartou, porque não atendeu às suas expectativas. Eu realmente não posso ajudar esse tipo de pessoa, exceto por dar zero informações com antecedência na forma de notas ou lista de materiais. Então, suas expectativas não são bem definidas na hora de sentir o perfume.

De forma extremamente deliberada, eu não fiz fragrâncias que cabem em modelos de tipos históricos de fragrâncias, como, digamos, Chipre, Fougère, etc. Francamente, eu nem mesmo estudei o que constrói um Chipre ou um Fougère. Esta minha escolha deliberada levou muitas vezes à rejeição dos meus perfumes, porque eles não se encaixam em caixinhas preconcebidas que algumas pessoas esperam. E às vezes, são chamados de “difíceis de usar” ou algum outro rótulo depreciativo. Mas tudo se resume a qualquer bagagem que alguém traga ao cheirar meus perfumes. Suponho que essa falha em atender à uma expectativa vem de ser um verdadeiro artista, ao invés de ser alguém que faz perfumes para o mercado de massa. Mas não quero que isso pareça importante, pois isso parece ter funcionado contra mim até agora.

Minha recomendação para os perfumes PK, é aceitá-los como um presente que eles ofereçam a você e usá-los em várias ocasiões, sem simplesmente usar por dois minutos e decidir que você não gosta, só porque ele falhou em atender às suas expectativas.

Eu vi essa mesma situação com outra de minhas obras de arte – uma parede de vitral monumental de 65 metros quadrados. Quando eu estava instalando, um dos meus contatos principais disse (bem no meio da instalação): “Não gosto disso”. Tive que dizer gentilmente: “Você pode me fazer um favor? Espere algumas semanas para ver, antes de decidir que não gosta. Foi projetada para revelar sutilezas e camadas de prazer com o tempo. O simples fato de olhar para ela uma vez não revelará tudo o que ela tem a lhe oferecer, e a graça em apreciá-la, tenho certeza que crescerá em você”.

Eu não disse a ele que ele gostaria, mas que a apreciação não foi projetada para o imediatismo, mas para um longo período de tempo, ao invés de apenas alguns minutos de revisão e, em seguida, uma decisão rápida a ser tomada. Depois de algumas semanas, ele me disse que gostou. 😊

A alta complexidade intencional em meus perfumes e outras obras de arte tem sido minha marca registrada. Meus trabalhos não são como os perfumes de Jean Claude Ellena, onde 92% da fragrância vem de seis moléculas individuais, tampouco possuem a simplicidade de um perfume da Jo Malone. Muitas vezes chamo minhas obras de “Orquestrais”. Eu faço isso porque a complexidade é, de fato, intencional e projetada para evoluir bem ao longo de um período de tempo, assim como uma sinfonia abre e desenvolve temas e subtemas ao longo do tempo.

Eu nunca quis fazer aromas que pudessem ser entendidos em dois minutos. Então, quando um reviewer/influencer faz um julgamento sobre um perfume meu em apenas dois minutos, bem…isso me enfurece.

Cassiano Silva: Particularmente, sei que você ajuda vários apaixonados e estudantes da área com relação à criação de acordes, formulações e outros assuntos afins. De onde surgiu esse lado tão generoso, uma vez que os perfumistas costumam ser tão inacessíveis?

Paul Kiler: Bem, é generoso de sua parte dizer isso de mim. Provavelmente, isso vem de um profundo compromisso em evitar o egoísmo, e então trabalhar o seguinte pensamento: “daquele a quem muito foi confiado, muito mais será pedido.”

Tive de aprender quase tudo sobre perfumaria sozinho e também com a camaradagem de outros alunos em alguns grupos online. Conhecendo o caminho, conhecendo o vazio que se desenvolve trabalhando de forma solitária, quero continuar a oferecer esse caminho de transmissão comunitária de conhecimentos sobre essa Arte e Ofício da Perfumaria.

Eu não trabalho para nenhuma empresa, exceto a minha. Vejo tantos profissionais da perfumaria, que trabalham para as grandes casas de fragrâncias, que são proibidos de falar sobre a perfumaria no mundo. Eles são calados por seus próprios empregadores. Eles têm que parar de falar em público sobre como aprender perfumaria. Eles são obrigados a tirar do ar as postagens feitas, publicamente, que ensinam perfumaria. Mas eu não sou limitado em minha generosidade por meu empregador, então, posso doar meu tempo e conhecimento e falar tão livremente quanto eu quiser.

Cassiano Silva: Há alguma fragrância que você adoraria criar, mas ainda não sabe por onde começar?

Paul Kiler: Eu queria saber como é o cheiro do Espaço. Eu soube de alguns resultados de testes da NASA que haviam sido feitos, até localizei as pessoas certas ao ponto de pegar o telefone e pedir por esses resultados, mas eles não quiseram me fornecer. Agora, há um perfumista e sua empresa ganhando muito dinheiro com este tal Perfume do Espaço, que foi criado a partir dos resultados daqueles testes.

Comecei a trabalhar em uma série de Perfumes de Arte, baseados em jardins muito artísticos como, por exemplo, um na Escócia – o Jardim da Especulação Cósmica –, e alguns outros jardins de Isamu Noguchi. Você deve saber (ou talvez não) que eu desenho e faço algumas de minhas próprias moléculas para usar em meus perfumes. Estas são moléculas projetadas para a PK Perfumes e que ninguém mais faz, só eu! Estou planejando trabalhar em uma série de, talvez, dez perfumes sobre esses e outros jardins, e cada fragrância apresentará uma de minhas moléculas especialmente criadas. Eu ainda não sei por onde começar, ainda estou digerindo as fotos desses jardins e mastigando as grandes ideias sobre eles e suas obras de arte e, então, tentando traduzi-las e interpretá-las em um perfume para diferentes porções desses jardins.

Como em muitos empreendimentos artísticos, essas serão edições limitadas. Todo o conceito é bastante abstrato, e eu tenho que reunir o abstrato, o design molecular científico, a beleza…tudo em um cheiro.

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Reprodução: acervo pessoal Paul Kiler.

Cassiano Silva: O ano de 2020 foi muito difícil para todos. Por causa da pandemia, marcas adiaram lançamentos, projetos foram cancelados e a indústria de fragrâncias ficou bem estagnada, como não se via há décadas. Quais foram os impactos com relação à PK Perfumes?

Paul Kiler: Cinco fragrâncias foram lançadas em dezembro de 2020 pelas marcas para as quais tenho trabalhado. Existem mais duas marcas, cada uma desenvolvendo um perfume atualmente, para lançamentos em 2021.

Cassiano Silva: Tem algum projeto em mente para 2021 que gostaria de compartilhar conosco?

Paul Kiler: Em 2021, a PK Perfumes estará lançando a Coleção Ásia. Essa coleção será de 4, 5 ou 6 perfumes (um deles pode ser lançado sob a marca de uma perfumaria na Austrália). Essas fragrâncias oferecerão excursões à China, Japão, Vietnã e Índia.

Existem alguns outros aromas em desenvolvimento para a PK Perfumes, a reedição do Rhinoceros 1 e um refinamento do Panda 1, bem como alguns outros perfumes masculinos e femininos.

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Paul, mais uma vez te agradeço pelo carinho e amizade dispensados a mim e ao meu blog Perfumart e por ter dedicado um pouco do seu tempo para responder às perguntas acima. Torço para que 2021 seja um ano de muito sucesso para você e a PK Perfumes.
Muito obrigado.

Paul Kiler: Eu realmente gostei das perguntas desta entrevista. Obrigado por perguntar e sondar com essas questões instigantes…continue cheiroso!

Perfumadamente,
PK

Paul Kiler, a fearless, innovative, award-winning and humble perfumer.

 

Paul Kiler graduated from UCLA (University of California, Los Angeles), is a photographer and founder of Kiler Photography, has already worked as a designer, and is the nose responsible for the fragrances of his own independent perfumery brand: PK Perfumes.

Paul is fascinated by everything that he cannot see, but that can be felt, mainly, when it comes to smells. In the late 1990s, he found himself wanting good fragrances for his own use, but he thought that what was available on the market was weak and unoriginal.

In 2012 he launched PK Perfumes and, in a short time, was nominated for numerous awards, having won 19 of them in the first ten months of his commercial life.

Now, almost a decade later, I decided to interview him to find out what his next steps will be. Are you curious? Come with me!

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Reproduction: Paul Kiler’s personal files.

Cassiano Silva: You decided to create fragrances due to such disappointment with what was available on the market. What was the last fragrance you wore before reaching this decision?

Paul Kiler: For years I wore Grey Flannel, I loved it, and other people liked it on me. I had worn it for years, but it seemed to not last as long anymore, it had lost some of its finesse, as I learned later, it was getting reformulated. But the other side of this is that in the 1990’s, SOOO many of the men’s scents were “Sports” fragrances, and every single one of them had the exact same base note blend, and they all gave me a headache. I wanted to try and see if I could make a fragrance for myself, with the complexity that I had enjoyed with Grey flannel early on, but also make something that I liked and didn’t give me a headache too. I REALLY wanted to enjoy great scents in my life.

Cassiano Silva: Can we say that you were already a perfume lover or even a perfume collector?

Paul Kiler: I was certainly an artist in many mediums. And loving scents around me was a part of being a sensing/observational/artistic type of person. I really did love the smells of places…the forest, an old church, tuberose flowers that I discovered by traveling in other countries. I certainly had paid great attention to scents of plants and places through my life, before I became a person learning to make scents myself.

Cassiano Silva: In the Brazilian market, I believe I was the first blogger to try and share something about your fragrances. And there go seven years!
At some point, when creating your fragrance company, did you imagine that the reach and the curiosity would come from so far and so fast?

Paul Kiler: Honestly, to answer your question, I really had no idea that there would be interest from as far away as it has come from. I think I really only thought much about being an American person/perfumer, and not ever about being any kind of global person or company. But really, I am so amazed that I have fans in Brazil, really amazing…because I have been such a HUMONGOUS fan of Brazilian music for so many years. It’s really exciting for me to think about the possibility of enjoying perfume friends and music both, in Brazil sometime… 😊

I’ll bring my cuíca instrument with me when I come to Brazil or maybe I won’t, and I’ll buy a really nice cuíca in Brazil. 😉

Cassiano Silva: With such a keen eye for various types of art, such as photography, sculptures, etc. do you have a favorite one?

Paul Kiler: Not so much a favorite artistic medium, but likely a favorite style, one that favors geometrically oriented patterns and design. And I appreciate and love very refined fine arts, as well as handicrafts from around the world.

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Reproduction: Paul Kiler’s personal files.

Cassiano Silva: Before thinking about having your own independent brand, did you have a favorite perfume? (You can name more than one or the olfactory family that you like the most).

Paul Kiler: I mentioned previously, Grey Flannel. But I was also a big big fan of Santos de Cartier and Donna Karan Black Cashmere. And when Calvin Klein Escape for women first came out and was sold in the perfume version, I would walk behind women at the mall, just so that I could smell their trail of scent from Escape.

WOW, I really loved Escape on a woman and the scent volume would fill a huge room. It was so intoxicating to me…I probably creeped some women out by following them, sorry ladies…LOL! I tried not to follow for too long… 😊

Cassiano Silva: And perfumer, any name in particular?

Paul Kiler: I didn’t have a favorite perfume before…I can’t really say that I do right now either. I guess that I just haven’t really tried to do that just yet.

Cassiano Silva: What was (or is) the greatest difficulty faced to bring your fragrances to life?

Paul Kiler:  1) Diffusivity in the later stages of a fragrance is very challenging.

2) Not knowing what I don’t know, that’s a difficulty that keeps me from solving problems and creating well/better. If I already know that I don’t know something, then I am trying to learn it. But it’s those tips that I don’t know that I don’t know them… 😉

3) But in working on fragrances for my clients, I think it is the most difficult when trying to make a perfume for them when even they don’t have a clear direction or expectation, or can even tell you what they want. I’ve had clients come to me and say they want: “A perfume that smells like this Hollywood movie star would wear.”  And they’ve already been to every major fragrance house already, and none of them made what they were happy with. They didn’t know what they wanted in a fragrance, or direction of the fragrance, except that “they would know it when they smelled it.” Geesh.  So I sent them a few drafts, and they thought it smelled like it was a Creed type fragrance quality perfume, but it wasn’t what they wanted…wow, just give me a better target to aim at, and I can make something. But give me no target to aim at?  How can any perfumer give you what you want, if Perfumer has nothing to aim at, and the client doesn’t even know what they want?

4) Or another client that wants a perfume based on a short four-line poem, and that short poem only has two important/operative words in it to found a perfume upon. Sometimes, translating the client’s ideas and desires for their perfume, when it comes from a very nebulous origin, that is a real difficulty.

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Reproduction: Paul Kiler’s personal files.

Cassiano Silva: Raw material: which is the best to work with? And the worst (or most difficult)?

Paul Kiler: I think that most people think that there is just one kind of raw material. Like there is just one kind of vetiver, or one kind of basil essential oil, or lemongrass, or even a single molecule like Iso E Super. With each natural, there are plant variation chemotypes, which emphasize different blends of molecules, like basil has a linalool chemotype, and it smells more flowery. Or there is a Methyl Chavicole/estragole chemotype, with an anise-like, herbaceous fresh odor profile, or a eugenol chemotype that smells straight up like a clove bud. A real perfumer needs to understand all the pieces of every raw material that they use, and then pick the right one for the right need or effect to blend into a fragrance. Maybe I want an anisic bit, or maybe I want a clove-like bit with green nuances, then I would pick the right of these three basil essential oils that I mention above. But if you are blind as to what makes up your naturals, then you have problems understanding how to use your raw materials. The best material is the one that is the right one for the purpose. The worst one is the wrong one for the purpose.

That’s why I have a whole basket of bottles of basil or vetiver essential oils, or five baskets of cedarwood essential oils, etc. to be able to pick the right one for the right reason, for the right perfume. There isn’t a bad raw material, there are just bad ways to use it or good ways to use it.

I mentioned Iso E Super – even single molecule products have variations to evaluate and use properly. Every raw material has a set of impurities that tag along with the processing of the end product. And some manufacturers have different manufacturing processes, that arrive at the same molecule, but have different tag along impurities, that came from that set of processing steps. You need to be able to pick which set of tagalong impurities are what you want to use in a perfume, or not. And it happens the same with single molecules that may come by way of a lab, or by way of a plant. It is the exact same molecule end product, same molecular structure, and same odor, but each process has its own set of tagalong impurities that comes with that version of the same molecule. Let’s get that perfectly straight – (with all things being exactly the same molecule and type) – there is absolutely zero difference between a molecule that is refined from a plant, and so, gets to be called “natural”, because it was sourced from a plant origin, or that very same molecule, that gets processed in a batch and assembled in a lab. The molecules are the exact same thing and smell the same. But they each have their own set of tagalong impurities that came with their processing that subtly changes the odor profile in a small way.

Cassiano Silva: What is your best-selling perfume?

Paul Kiler: Well, Under the PK Perfumes brand, the best seller would currently be Maderas de Oriente Oscuro. But before Maderas came out, it was Carissa. But it is hard to rule out original Rhinoceros with Zoologist as it was in so many retail stores around the world, even being copied and stolen in the middle east. But my two newest scents, in Spain, for Ecuacion Natural are coming up fast, they are selling a lot of them.

Cassiano Silva: After years in the market, several awards and invitations to be the creator for other established brands, as it was the case of Zoologist Perfumes, do you think that influencers were important to expand your field of action, or do they represent only a “necessary path” that niche/indie brands need to work with?

Paul Kiler: Publicity is a very important work that reviewers and influencers do. They seem to have a knack at building large audiences who listen to what they talk about, and getting products in front of consumers is always paramount.

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Reproduction: Paul Kiler’s personal files.

Cassiano Silva: Still about influencers, after reading their reviews and watching their videos on Youtube, do you think most of them managed to convey what you wanted when creating each fragrance?

Paul Kiler: Many times, it seems, that a reviewer or influencer gets stuck. Extremely often, reviewers and influencers come to a PK scent expecting something, and they are not often rewarded with that expectation. PK scents are NOT like others, are not like mass-market scents, they are quite unto themselves, and apart. When someone’s expectations are not met, they either try to fit it into some other box that they have constructed in their minds, or toss it away, because it failed their expectations. One reviewer smelled a PK scent for a couple of minutes and then dismissed it because it didn’t meet their expectation. I can’t REALLY help that kind of person, except to give zero information ahead of time, in the form of notes or a list of materials…then their expectations are not well defined going into smelling the scent.

Extremely deliberately, I have not made scents that check off and fit into boxes of historical types of fragrances, like say, Chypre, Fougere, etc. Frankly, I haven’t even studied what makes a Chypre, or what makes a Fougere. This deliberate choice of mine has led too often to dismissal of PK scents because they don’t fit preconceived boxes that some people expect them to fit into. And they sometimes get called “hard to wear”, or some other derogatory label. But it all comes down to whatever baggage that someone comes with, to smell my scents. I suppose that that failure to meet an expectation comes with being a real artist, vs. being someone who makes mass-market scents. But I don’t want to make that seem important, as clearly, it seems to have worked against me to this point in time.

My recommendation for PK scents is to take them for whatever gift they offer to you, accept that gift, and wear it on a number of occasions, without simply wearing for two minutes, and deciding that you don’t like it, just because it failed to meet whatever expectations that you came to it with. I’ve seen this same thing done with another of my artworks, a monumental stained glass wall of 700’ square, or 65 square meters. When I was installing it, (right in the middle of installation), one of my main contacts said, “I don’t like it.”. I had to gently say, “Can you do me a favor? Give it a few weeks to look at before you decide that you don’t like it…it is designed to reveal subtleties and layers of enjoyment over time. Simply looking at it once will not reveal all that it has to offer you and the enjoyment of it, I am sure that will grow on you.”. I didn’t tell him that he would like it, just that appreciation was not designed into the stained glass wall window for immediacy, but over a longer period of time, rather than just a few minutes of review and then a quickly made decision. After a few weeks, he told me that he liked it. 😊

Intentional high complexity in my perfumes and other artworks has been my hallmark. (You can see that in my painted Perfumer self-portrait). My works are not like Jean Claude Ellena’s perfumes where 92% of the fragrance comes from six single molecules, nor is it the simplicity of a Jo Malone scent. Often I call my works “Orchestral”. I do so, because complexity is indeed intentional, and designed to evolve well over a period of time, just like a symphony opens and develops themes and subthemes over time. I’ve never ever wanted to make scents that can be understood in two minutes. So when a reviewer makes a judgment about a PK perfume in two minutes, well… it infuriates me.

Cassiano Silva: In particular, I know that you help many passionate and students in the field with regard to creating accords, formulations, and other related matters. Where did this generous side come from, since perfumers are known for being so inaccessible?

Paul Kiler: Well, that’s generous of you to say that of me…likely this comes from a deep commitment to avoid selfishness, and then working out the following thought: “from the one who has been entrusted with much, much more will be asked.”

I had to learn nearly everything about Perfumery by myself, and also with the camaraderie of fellow learners in some online groups. Knowing the path, knowing the void that developed working in solitary mode, I want to continue to offer that path of a communal passing on of knowledge about this Art and Craft of Perfumery. I don’t work for any company, except my own. I see so many professional Perfumery people who work for the big fragrance houses, that are told to shut up about Perfumery in the world. They get shut down by their own employers. They have to stop talking in public about learning Perfumery. They have to take down publicly made blog posts that teach Perfumery. But I am not limited in my generosity by my employer and am able to give of my time and knowledge, and speak as freely as I care to.

Cassiano Silva: Are there any fragrances that you would love to create, but still don’t know where to start?

Paul Kiler: I’ve wanted to know the scent of Space. I knew of some test results from NASA that had been done, I even tracked down the right people to get on the phone and asked for these results, but they wouldn’t give them to me. Now there’s this Perfumer and company making big money off this Space Perfume from those test results.

I’ve started to work on a series of Art Perfumes, based on very artistic gardens, like say one in Scotland, the Garden of Cosmic Speculation, and some other gardens by Isamu Noguchi. You may know, (or maybe you don’t know), that I design and make some of my own molecules to use in my perfumes. These are PK-designed molecules that no one else makes…just me. I am planning to work on a series of maybe a total of ten perfumes, about these and other gardens, and each perfume will feature one of my specially made molecules in that perfume. I don’t yet know where to start yet, I am still digesting the pictures of these gardens, and chewing on the big ideas of the gardens and their artworks, and then trying to translate and interpret them into a perfume, for different portions of these gardens. (Like many artistic endeavors), these will be limited editions. The whole concept is pretty abstracted, and I have to bring together abstract, plant, scientific molecular design, and beauty all together into a perfume/scent.

Perfumart - Entrevista com Paul Kiler - foto 10
Reproduction: Paul Kiler’s personal files.

Cassiano Silva: 2020 was a very hard year for everyone. Because of the pandemic, brands postponed launches, projects were canceled and the fragrance industry was quite stagnant, as has not been seen for decades. What were the impacts in relation to PK Perfumes?

Paul Kiler: Five fragrances were launched in December 2020 by the brands that I have been working for. There are two more brands each making one scent currently in development for 2021 launches.

Cassiano Silva: Do you have a project in mind for 2021 that you would like to share with us?

Paul Kiler: PK Perfumes in 2021 is launching the Asia Collection. This collection will be either 4, 5, or 6 scents. (One of those might go to launch under a label for a perfume store in Australia). These scents will offer excursions to China, Japan, Vietnam, and India.

There are a few other scents for PK Perfumes also in development, reissue of Rhinoceros 1 and a refinement of Panda 1, as well as a couple of other both Men’s and Women’s scents.

Perfumart divisor opaco

Cassiano Silva: Paul, once again I thank you for the affection and friendship given to me and my blog Perfumart and for having dedicated some of your time to answer the questions above. I hope that 2021 becomes a very successful year for you and PK Perfumes. Thank you very much.

Paul KilerI have really enjoyed your interview questions, thank you for asking and probing with these thought-provoking questions. Keep it Smelly!

Fragrantly Yours,

PK

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𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

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