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CAPTAIN EDP FOR MEN, DE MOLYNEUX (2015)

Perfumart - resenha do perfume Molyneux - Captain EDP 2015

O perfume Captain foi lançado, originalmente, no ano de 1975 e eu devo conhecer apenas umas três pessoas que tiveram a chance de usá-lo daquele jeito. Cabe lembrar que a grife Molyneux não costuma ser a primeira opção dos apaixonados por fragrâncias, mas a empresa tem mais de um século de vida e sua primeira fragrância data de 1925.

Ainda com relação ao perfume Captain, este sofreu mudanças tanto no visual, quanto na composição. E no ano de 2015, foi relançado em concentração Eau de Parfum, trazendo a seguinte pirâmide olfativa: bergamota, gengibre e anis, na saída; lavanda, flor de laranjeira e folhas de violetas, no corpo; musgo, sândalo e madeira de guáiaco, na base.

Quando toca a pele, a fragrância revela todo seu lado fougère, puxando o musgo para cima, em contraste com a bergamota. Em um primeiro momento, os jovens da atualidade com certeza não irão gostar deste perfume. E está tudo bem, porque o mercado precisa oferecer fragrâncias para pessoas de todas as idades, estilos e predileções.

Entretanto, Captain EDP For Men se modifica e, em poucos minutos, se mostra um belo aromático, trazendo uma forte nota de flor de laranjeira aliada à lavanda, ingrediente que se faz presente por toda a evolução. Aqui, o processo de modernização se faz presente, como se a fragrância de 1975 tivesse entrado em um túnel do tempo direto para os dias atuais.

Então, Captain EDP For Men começa a se comportar de forma mais elegante, quando as folhas de violeta emergem e exalam com força, se misturando à fragrância de efeito frutal e aromático. Mais do que isso, há um aspecto gelado, quase mentolado, resultante da junção entre o anis e o gengibre.

Com relação às notas de fundo, o resultado não é tão lenhoso quanto se pensa, ao olhar as notas da pirâmide. Mas o musgo permanece vivo até o fim, como se fosse o último elo com a versão de estilo clássico do passado.

Captain EDP For Men surpreende pela qualidade e pela performance, combina muito com ambientes profissionais – não necessariamente, os mais formais – e tem um pouco de versatilidade quanto ao clima. O frasco parece preto, mas tem uma cor azul-petróleo que ganha outra vida, quando visto contra a luz. Foi a maneira que a marca encontrou de se conectar com a versão original.

E, como de costume, Molyneux se encarrega de oferecer um perfume de excelente custo-benefício, que fica sempre fora do radar do grande público, quando tinha tudo para fazer mais sucesso. Como sou declaradamente apaixonado por Quartz Pour Homme, confesso que isso não me surpreende.


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𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

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