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ÉCLAT D’ARPÈGE EAU DE PARFUM, DE LANVIN

Perfumart - resenha do perfume Lanvin Éclat D'arpège

Em 1927, o perfume Arpège era lançado. Seu sucesso se manteve por décadas e ainda hoje é aclamado pela crítica. Em 2002, já sob a Direção Criativa de Alber Elbaz, a grife lançou Éclat d’Arpège, que acabou se tornando uma espécie de pilar dentro da linha Arpège. Desde o seu lançamento, mais de 10 flankers já foram lançados (e nem estou considerando todos os Éclats de Lanvin).

A perfumista que deu vida à fragrância foi Karine Dubreuil, responsável por grandes sucessos de Azzaro, Gucci, Lalique, entre outras. E o frasco contou com o design do próprio Alber Elbaz.

Éclat d’Arpège retrata a cor púrpura como se fosse uma nova melodia, tocada ao piano, em uma tarde de primavera e em perfeita sintonia entre o que vemos e o que sentimos. Sua fragrância é floral, mas carrega nuances frutadas e uma comovente vibração de frescor.

Você pode até pensar em violetas num primeiro momento. Mas quando a fragrância é borrifada sobre a pele, é inegável a sensação de que a perfumista escolheu muito bem as notas desta composição. No topo, Éclat d’Arpège traz folhas de limão siciliano e lilás verde. No corpo, peônias vermelhas, flor de pessegueiro, glicínias, osmanthus chinês e chá verde. Na base, cedro do Líbano, âmbar e almíscar.

Sobre a pele, Éclat d’Arpège tem saída floral e verde, ao ponto de me fazer pensar em notas de lírio do vale. O corpo é ainda mais florido, com muita presença das peônias e das glicínias (wisteria), em um misto que evoca o cheiro das rosas e do lilás. Então, o chá verde aparece e traz um efeito neutralizante, que tira o excesso do aspecto floral e cria uma aura delicada e límpida.

Conforme seca, a evolução é bastante sutil, mas o âmbar confere um pouco mais de secura ao fundo. Não chega a ser atalcado, mas a impressão que tenho é que se ficasse maturando por mais algumas horas, teríamos uma base bem mais polvorosa.

Éclat d’Arpège tem um perfume suave, porém bastante duradouro. Sei que muita gente critica sua durabilidade, mas acho que há um julgamento baseado na falta de projeção e no excesso de gentileza da fragrância. Bem, pelo menos em minha pele, mostrou boa fixação.

Em termos de inovação, quem já sentiu fragrâncias com uma bela nota da flor do lilás, não irá se surpreender. Ainda assim, é tão agradável pensar em um perfume pautado na história do clássico Arpège, que tamanha delicadeza surpreende, de certa forma.

Éclat d’Arpège é romântico e adorável. Quem usa uma vez, custa a abandonar.


 

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Publicitário, amante da comunicação, blogueiro, apaixonado por fragrâncias e cosméticos em geral. É jurado e crítico de fragrâncias nacionais e internacionais, consultor particular de estilo em perfumaria e dono de um grupo no Facebook voltado apenas para os homens. Criador e proprietário do Perfumart, blog especializado em perfumaria.

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