shadow

EXPLORER ULTRA BLUE, DE MONTBLANC

Perfumart - resenha do perfume Montblanc Explorer Ultra Blue

Explorer Ultra Blue foi lançado em março de 2021, chegando ao mercado brasileiro em agosto do mesmo ano. É o primeiro flanker da linha Explorer, que teve início em fevereiro de 2019 e cuja fragrância contou com o trio de perfumistas Antoine Maisondieu, Olivier Pescheux e Jordí Fernandez que, novamente, voltaram a se reunir para dar vida à esta versão Ultra Blue.

O frasco segue o padrão da linha Explorer, que presta uma homenagem aos artesãos europeus e à expertise e design da grife Montblanc, trazendo o acabamento em couro italiano com estampa Saffiano, desta vez na cor azul, por motivos óbvios.

O conceito da linha Explorer também permanece vivo nesta nova fragrância. De acordo com a empresa, Explorer é uma homenagem aos exploradores: “Da África do Sul ao Haiti, Itália, Alemanha ou Indonésia, Montblanc Explorer convida os exploradores a uma jornada fantástica”.

Em Explorer Ultra Blue a diferença é o foco no frescor, na representação dos lagos das montanhas. Para tal, os perfumistas buscaram criar um acorde único e glacial sem ser gelado, conforme divulguei nas minhas redes sociais, quando do lançamento. A fragrância traz notas de bergamota, limão, mandarina e pimenta rosa, no topo. No coração, notas marinhas, pimenta e Ambrofix (composto patenteado pela Givaudan, produzido através de biotecnologia, mantendo a qualidade olfativa dos processos tradicionais, porém sendo mais sustentável. É a alternativa da empresa para o ambergris). Por fim, a base carrega notas de patchouli, fava tonka e couro. Olhando mais a fundo, algumas notas da versão anterior foram mantidas nesta composição.

Na minha pele, Montblanc Explorer Ultra Blue se revelou uma grata surpresa! Embora as fragrâncias de estilo azul, que seguem caminhos olfativos ozônicos, aquáticos, marinhos, refrescantes etc. não sejam as minhas preferidas, ainda assim, elas representam mais de 50% das vendas para o público masculino, especialmente no Brasil. E este lançamento me trouxe mais do que um cheiro agradável. Ele me trouxe uma ótima performance aliada à uma sensação de nostalgia.

Com relação à performance, ainda que não deixe um rastro absurdo, eu consigo sentir a fragrância por muito tempo sem sofrer com fadiga olfativa. E a durabilidade, em dias de bastante calor, bateu a média das oito horas, algo que não é lugar comum em criações desse tipo e, diga-se de passagem, está deixando de ser até mesmo nas demais criações da atualidade.

Já com relação à nostalgia que mencionei, Montblanc Explorer Ultra Blue trouxe um resultado similar ao que era muito satisfatório no final da década de 90/início dos anos 2000, quando perfumes como Azzaro Chrome ou outros da grife Nautica (nada conhecida ou hypada) faziam sucesso nos fóruns privados do Orkut (rede social que dominou antes do Facebook).

Uma das coisas que mais gosto neste lançamento é o aspecto de linearidade sutil na evolução. Desde o início, a fragrância é frutada, porém bem menos cítrica do que se espera (com base na pirâmide olfativa) e cheia de uma cremosidade carregada de frescor, como se fosse a espuma de um sabonete hidratante durante um banho gelado em dias mais quentes. Sem olhar as notas, não é difícil pensar em almíscar e sândalo, embora nenhuma delas seja oficialmente listada. E com o passar das horas, essa cremosidade amadeirada – que me faz lembrar do sândalo – ganha um pouco mais de força, mas nada exagerado, o que já é padrão na maioria das fragrâncias da grife. Entretanto, não vou mentir: não sinto qualquer nuance de couro.

Outra característica evidente é a qualidade das matérias-primas. Para dar uma ideia, da bergamota só foi extraído o teor verde da casca. Da mandarina, ao contrário, exploraram a suculência e seu teor carnudo, através de um processo de destilação molecular. No final das contas, essa nova Eau de Parfum veio a calhar com a chegada da primavera e o aumento das temperaturas no país.

Em tempos de fragrâncias com resultados cada vez mais artificiais, Explorer Ultra Blue evidencia que o simples não é defeito; o comum não é, necessariamente, vulgar; e o genérico nem sempre é impreciso. Eu gostei bastante!


The following two tabs change content below.
𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: