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JEUX DE PEAU, DE SERGE LUTENS

Perfumart - resenha do perfume Jeux de PeauJeux de Peau foi lançado em 2011 e traz, em seu conceito, mais uma das memórias de infância de Serge Lutens na interpretação do perfumista Christopher Sheldrake. Desta vez, Serge se lembra do cheiro do pão fresco na padaria e da sensação do mesmo, ainda quente, quando apertado contra as bochechas.

Seu nome significa, em Português, “Jogos de Pele” e acho que foi um dos piores nomes que poderiam ter inventado para tal fragrância. Particularmente, este nome me faz pensar em feromônios e acordes ligados, de alguma forma, à luxúria, ao sexo e à paixão ardente entre dois corpos (ou mais). Quem foi que disse que não existem erros na perfumaria de nicho?

Com relação ao resultado entre a composição do perfume e o conceito estipulado por Serge, o perfumista merece somente elogios. Com notas de trigo, especiarias, alcaçuz, sempre-vivas, damascos, sândalo, incenso, notas amadeiradas e âmbar, o que temos na pele é, por incrível que pareça, um perfume que exala desde o cheiro de pão quente ao de torradas condimentadas com lascas de amêndoas, dependendo do olfato e da pele de quem o usa. Além disso, é possível encontrar textos na internet citando a presença de notas de leite, coco, osmanthus e cacau.

Na minha pele, Jeux de Peau se comportou de forma linear: uma nuance de pão tostado, com a cremosidade láctea do sândalo, algumas especiarias (que me parecem canela e noz-moscada) e um fundo levemente incensado e quase caramelizado. O aroma do alcaçuz, que eu tanto gosto, não se fez presente como eu esperava. Há, ainda, uma nuance escondida de damascos, que só se faz presente quando o perfume exala sob o calor. Em mim, ficou quase imperceptível!

De forma geral, é um belo gourmand, muito bem construído e que possui grande projeção e ótima fixação. Mas não me apaixonei tanto quanto gostaria, mesmo sendo um adorador de perfumes desse estilo. Algo nele é enjoativo e o fato de não evoluir com o passar do tempo, me deixou ainda mais incomodado.

Por fim, eu volto ao nome e me pergunto: por que não “Dream Bakery” (padaria dos sonhos) ou algo similar?


 

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𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

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