Acabo de ser transportado para um filme de Robin Hood, com cenas gravadas nas florestas, com muita névoa e umidade, guardas Reais e cavalos molhados pela chuva. É assim que Zaffran se apresenta para mim: seco e acourado em um instante, verde e musgoso em outro.
É uma fragrância rica em especiarias, mas com nuances amadeiradas que insistem em aparecer durante a evolução. Contém notas de açafrão, cardamomo, cravos e canela, na saída; Laranja-sangue, Combava (cítrico com origem no limão galego), mandarina e tangerina, no coração; Lavanda, rosa, sândalo, patchouli, Costus (também chamada de cana-do-brejo, periná, etc.), âmbar, tabaco, almíscar, vetiver Indiano e Indonésio e Choya Loban – resina extraída da árvore Boswellia, que é originária da Índia e Arábia Saudita, rica em propriedades anti-inflamatórias. Esta resina também é conhecida como Olíbano Indiano (Indian Frankincense), cujo óleo é escuro e o aroma pode ter nuances levemente esfumaçadas e acouradas, amadeirado-balsâmicas ou ainda resinosas, muito utilizadas em perfumes acourados, fougère, incensados ou com aspecto florestal. Sem dúvidas, é o grande segredo desta criação.
Zaffran toca a pele de forma muito masculina, seca e acourada, com um forte sopro de açafrão e cravos. Somente depois de uma hora de sua aplicação, é possível notar bem o tabaco e, sobretudo, o vetiver. Para quem curte esta nota, aqui está um prato cheio. Uma coisa que pude perceber é que, em um segundo teste, aplicado de forma mais generosa, os cítricos ficaram mais aparentes. Mas, sem dúvidas, a nuance de couro é absoluta neste perfume.
Particularmente, não indico esta fragrância para as mulheres. E vou além: trata-se de um perfume de nicho para poucos apreciadores, apenas para quem já ingressou neste mercado e consegue reconhecer a qualidade deste tipo de fragrância, perfeita para homens maduros e seguros, que apreciam perfumes fortes. Ano de lançamento: 2012.
*imagem: reprodução / pkperfumes.com