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HELLSTONE, DE GORILLA PERFUME

Perfumart - resenha do perfume Gorilla Perfume - Hellstone

O nome vem de uma formação rochosa, localizada na Inglaterra (mais precisamente em Dorset), chamada de Hell Stone (Pedra do Diabo, em Português). De acordo com a história, o local servia como túmulo há cerca de 4.000 anos atrás. Por volta de 1866 ela foi restaurada. E da área escavada surgiu um forte cheiro de terra e raízes das árvores, que serviu de inspiração para esta fragrância. Trata-se de mais um perfume que chegou ao mercado no início de 2013, como parte da linha de fragrâncias chamada “Volume 2” (lançada em 2012).

Na composição constam notas de óleo orgânico de jojoba, óleo de vetiver de Madagascar, óleo de opoponax (mirra doce), sementes de ambrette, absoluto de cera de abelhas e cominho, além de compostos químicos como Geraniol e Farnesol – que realçam o aspecto floral – e Limoneno.

Na pele, Hellstone é a mais “old school” dentre todas as fragrâncias Gorilla Perfume que eu conheci até o momento. Basicamente, possui três facetas distintas: uma verde e picante, graças às suas nuances de vetiver e cominho; uma floral-almiscarada, resultante do uso das sementes de ambrette com os compostos sintéticos e, por fim, uma mais doce e levemente resinosa, com um toque de âmbar, devido ao uso do opoponax e da cera de abelhas, em seu absoluto. Muita gente confunde o aroma da cera com o do mel, mas são suavemente diferentes. A cera lembra um melado com nuances de tabaco, enquanto o mel é doce por natureza. Ambas variam um pouco, conforme as flores das quais foi coletado o néctar.

E por causa deste aspecto “old school”, muitas mulheres não apreciam a fragrância de Hellstone, embora seja comercializado como unissex. Por outro lado, homens que gostam de perfumes como Gentleman, Giorgio for Men, etc. tendem a se apaixonar quase que automaticamente. Entretanto, Hellstone me faz lembrar de uma época na qual os perfumes ainda eram muito fortes e naturais, verdadeiros clássicos.

Novamente, a regra se aplica: assim como nas outras criações da casa, há muita projeção e durabilidade dentro de um perfume linear, que não surpreende durante a evolução. O óleo de jojoba não confere cheiro, mas funciona como um hidratante natural, que deixa o perfume mais viscoso, ou seja, com maior poder de fixação sobre a pele.

Infelizmente, termino a resenha com uma notícia triste: este perfume não consta mais do catálogo brasileiro da Lush e, pelo que parece, não irá mais voltar.


 

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𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

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