Desde o início do ano, as principais lojas de e-commerce passaram a enfrentar maiores problemas com burocracia e, obviamente, isso vem gerando algum tipo de custo extra ou prejuízo para nós, consumidores. Isso porque as novas regras de ICMS estão afetando, profundamente, negócios virtuais em todo o País.
Não, você não está em uma página de economia ou finanças. O Perfumart, tampouco, está aqui para criticar decisões do Governo ou defender lojas específicas. O intuito deste post é tentar esclarecer os motivos que levarão (e já estão levando) vários e-commerces a encerrarem suas atividades na internet ou a aumentarem o custo final de venda aos seus clientes.
Mas então, o que um portal especializado em perfumaria tem a ver com este assunto? E a resposta é: muita coisa!
Primeiramente, porque divulgar as novidades do mercado, bem como resenhar inúmeras fragrâncias, inclusive lançamentos, gera curiosidade e fomenta a compra. Além disso, com o constante aumento do dólar e o cancelamento do envio para o Brasil por parte de algumas lojas internacionais, só nos resta mesmo contar com o mercado interno. E, por fim, como o Perfumart consegue descontos exclusivos de parceria e divulga, diariamente, ofertas em destaque através de suas mídias, ninguém vai estranhar se eu disser que minhas caixas de mensagens ficam cheias de dúvidas, elogios e, sobretudo, reclamações sobre as lojas parceiras, não é verdade?
Por esta razão, resolvi vir aqui e falar um pouco sobre as mudanças que já estão em vigor, desde o início do ano, com relação às novas regras para a cobrança do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para o comércio eletrônico. Com elas, os impostos estaduais das mercadorias compradas pela internet passam a ser repartidos entre os Estados de origem e de destino do bem. Ou seja, em 2016, o Estado de destino da mercadoria ficará com 40% do diferencial de alíquotas e o de origem com 60%. Em 2017, a proporção se inverterá: 60% para o Estado comprador e 40% para o Estado vendedor. Em 2018, o Estado consumidor ficará com 80% e a partir de 2019, o diferencial será integralmente cobrado pelo Estado de destino.
E como isso afeta o lojista a ponto de repercutir no consumidor?
No quadro abaixo, dá para ter uma noção comparativa de como era antes e como está agora, desde que as novas regras passaram a vigorar. O exemplo mostra como funciona uma venda de uma empresa localizada no RS para o RJ:
ANTES DE 2016: 1- Gerar a nota fiscal eletrônica; |
A PARTIR DE 2016: 1- Gerar a nota fiscal eletrônica; |
Se você achou o processo muito complicado, imagine para quem chega no trabalho e se depara com mais de 100 novos pedidos. Estamos falando de agilidade, boas vendas, envios de forma ágil e sentimento de ansiedade e frustração com tarefas repetitivas. Vender bem passou a ser um “problema” em diversas empresas. Não porque não estejam preparadas, mas porque muitas não conseguem dar conta da burocracia envolvida.
E os impactos disso se manifestam de diversas formas: E se algo der errado? E se a impressora falhar? Ou a internet cair? E se o sistema de emissão da GNRE estiver fora do ar?
Alguns lojistas já estão reclamando por não conseguirem cumprir os envios no prazo, o que leva os clientes a enviarem emails de reclamação. Para piorar, a grande maioria faz reclamações junto ao site Reclame Aqui e, no final, todos saem no prejuízo. O maior desafio agora é não entrar para o crescente grupo de empresas brasileiras que cobram demais e entregam de menos.
Obviamente, tais mudanças estão contribuindo para mais um aumento de preços, seja no produto ou no custo do envio, graças ao aumento de impostos, folhas de papel e tinta de impressora, horas de trabalho, que estão exigindo novas contratações, etc.
Para finalizar, eu diria o seguinte: como consumidor, eu também costumo reclamar de algums lojas e acho que os responsáveis precisam estar preparados para eventuais mudanças nas regras do comércio. Mas verdade seja dita, a gente precisa aprender a se colocar no lugar do outro, de vez em quando, e compreender que está complicado manter uma empresa aberta e legalizada, que consiga sobreviver à atual crise que o País vem enfrentando.
Vamos torcer para que o mercado de perfumes e cosméticos continue crescendo e que não sejamos espectadores de portas (e sites) se fechando a cada dia.
*Imagem: reprodução / Public Domain Pictures (free)
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Entendo que o Brasil é uma quase Cuba e a intenção do governo é que todos se perfumem com Boticário e Natura por falta de opção mesmo.
com tempos assim mercado livre bomba! hahaha
Ótima matéria. Sem dúvida irá elucidar muitas pessoas a se colocar no lugar de lojistas parceiros e dos divulgadores.
Obrigado Fernando. Essa é a intenção!