Perfumart - post Givaudan Microcaps - testada 2


Givaudan aposta em tecnologia suíça de encapsulamento que pode redefinir a perfumaria fina.

Toda vez que uma gigante como a Givaudan anuncia investimento em uma startup, presto atenção – não pelo valor do cheque (que, aliás, não foi revelado), mas pelo que aquilo sinaliza sobre para onde a indústria está olhando. E neste caso, o alvo é bem específico: encapsulamento.

A companhia suíça anunciou um investimento acionário e uma colaboração estratégica com a Microcaps AG, empresa nascida dentro do Complex Materials Group da ETH Zurich. O objetivo declarado é reforçar as capacidades de encapsulamento da Givaudan. Mas o que isso significa, na prática, para quem cria e para quem usa perfume?

Encapsulamento não é exatamente um assunto novo em perfumaria – a indústria de amaciantes e sabão em pó já vive disso há décadas, prolongando o odor da roupa lavada. O que a Microcaps traz de diferente (e é aqui que a coisa fica interessante) é uma tecnologia microfluídica de alta precisão, patenteada, que encapsula o concentrado de fragrância em microesferas – em vez de dissolvê-lo, como se faz tradicionalmente, em uma base alcoólica. O resultado é um produto de perfumaria fina sem álcool, com liberação de aroma controlada pelas próprias cápsulas.

A Microcaps AG já não é uma desconhecida no mercado: recentemente lançou a linha Perfume Pearls, solução patenteada para fragrâncias sem álcool, e já havia colaborado com a Guerlain no desenvolvimento da coleção Aqua Allegoria Perle. Ou seja, a Givaudan não está apostando em uma ideia no papel, está comprando entrada em uma tecnologia que já provou seu conceito no mercado de luxo.

Do lado da Givaudan, o discurso oficial é o esperado: “parceria estratégica”, “liderança em inovação”, mas um trecho da fala de Jeremy Compton, head global de Ciência e Tecnologia de Fragrâncias da companhia, me chamou atenção: ele descreve o encapsulamento como uma das tecnologias mais transformadoras do setor, capaz de abrir caminho não só para performance olfativa, mas também para sustentabilidade em aplicações de fragrância e skincare. Não é força de expressão à toa: fragrâncias sem álcool tendem a ser mais suaves para peles sensíveis e abrem espaço para formulações menos dependentes de solventes derivados de petróleo.

Já os fundadores da Microcaps, Alessandro Ofner e Michael Hagander, falam em termos de escala – a chance de levar a precisão científica da empresa para um mercado mais amplo, com o respaldo (e a distribuição) de um player do tamanho da Givaudan.

Fico pensando no que isso representa daqui a alguns anos nas prateleiras: perfumes sem álcool não são exatamente novidade, mas a maioria ainda soa como substituto, uma versão “mais fraca” do original. Se a tecnologia de encapsulamento realmente entregar o que promete, talvez a gente pare de pensar em “perfume sem álcool” como categoria de nicho e passe a vê-lo como, simplesmente, outra forma de perfume.

Me fala: você trocaria seu EDP de base hidroalcoólica de confiança por uma versão encapsulada, se a performance fosse equivalente?

Fonte: givaudan.com/media | Imagem gerada por IA | Textos: tradução e adaptação – Perfumart


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BORRIFANDO CONHECIMENTO HÁ ANOS. Crítico de fragrâncias, avaliador olfativo, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, maior blog especializado no assunto.

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