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BAHIA, DE ALQUIMIA POR PAULA FRANCO

Perfumart - resenha do perfume Bahia EDP

Bahia pertence à linha Brasil, com perfumes criados por Maria Paula Franco, e sua fragrância é classificada como aromática-verde-floral. O conceito criativo fala de um cenário agreste, úmido, terroso e quente. Uma mistura de plantas, flores, frutos e especiarias, assim como é a Bahia: um pouco de tudo, com bastante Axé.

A perfumista também faz questão de ressaltar que todas as matérias-primas utilizadas nesta composição são encontradas nos biomas do Estado. E por falar nisso, foram utilizadas notas de limão Tahiti, folhas de pitanga, alecrim, erva baleeira, arruda, hibisco, café verde, café torrado, cacau, palo santo, breu branco, breu preto, bálsamo do Peru, sangue de dragão, copaíba, imbuia, vetiver e tintura de cumaru.

Se a Bahia é de todos os santos, então sua fragrância tem de tudo um pouco! Mas antes de falar sobre como ela funciona na minha pele, acho que vale a pena comentar sobre dois ingredientes listados acima. Primeiro, a erva baleeira, que talvez você conheça pelo nome de maria-milagrosa e faz parte da família da verbena. Em seguida, o sangue de dragão, que vem a ser a seiva extraída do Dragoeiro (Dracaena Draco), árvore nativa da Colômbia, Peru, Equador e Brasil e considerada, por alguns povos, como sagrada. Essa seiva oxida, quando exposta, formando uma resina pastosa de cor vermelha, que foi comercializada na Europa com o nome de sangue-de-dragão e era utilizada em fármacos. Atualmente, é muito difundida na indústria cosmética por causa de suas propriedades antioxidantes e estimuladoras de colágeno.

Na pele, a fragrância de Bahia tem uma saída para lá de aromática, na qual as notas de arruda e, principalmente, de alecrim sobressaem. Mesmo antes de receber as listas oficiais de ingredientes, eu já havia notado a forte presença do alecrim, cheio de nuances frescas e canforadas. E essa é, talvez, a melhor característica da Perfumaria Indie, que permite ao perfumista ousar em alguns pontos que jamais seriam estimulados pela perfumaria mais comercial.

E dessa saída verde, surge um delicioso acorde central de madeiras balsâmicas, com muita presença de palo santo, que é uma madeira pela qual tenho verdadeira admiração, já que utilizo – com frequência – pedaços para queima sobre brasa, em forma de incenso. Junto à esta, temos a boa e velha Colofônia, que nós conhecemos melhor pelo nome de breu, aquela goma de cheiro fresco e natural, que também apresenta nuances de pinho e até algumas facetas mais adocicadas. Quer mais? A secagem traz o lado especiado da imbuia, que faz lembrar da canela em pau.

Dito isso, vou me arriscar um pouco mais nesta descrição, pois vou utilizar uma metáfora que atravessa alguns aspectos religiosos e sei que isso pode ser bom para uns e ruim para outros. Mas, para mim, Bahia Eau de Parfum abre com um cheiro de defumação espiritual, com muitas ervas aromáticas, e evolui para um incenso de origem indiana. Uma fragrância para repelir o mau-olhado, se conectar com outras dimensões e ainda se sentir perfumado(a). Tem algo mais baiano do que isso?

*imagem: reprodução / alquimiaporpaulafranco.com.br


 

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𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

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