O perfume Byzance, de Rochas, foi lançado no ano de 1987. Era um floral, cheio de aldeídos e personalidade vintage. Um grande sucesso da marca!
Em 2019, Byzance foi relançado e este é um ponto importante a ser esclarecido. Não houve qualquer tentativa de reformulação a fim de se obter algo próximo à versão original. Toda a comunicação voltada para a imprensa foi bem clara: trata-se de uma nova fragrância!
Em tempos globalizados, onde a informação nasce e se multiplica em segundos, isso significa que se um dia você ler alguma coisa a respeito, citando esta versão como “reformulada”, saiba que não é verdade.
Agora, é claro que a marca escolheu Byzance por sua força e história. E a ligação com o passado fica evidente desde o momento em que botamos os olhos no frasco.
A nova fragrância foi criada por Maurice Roucel e Alienor Massenet. Em sua composição constam as seguintes notas: bergamota, néroli e pera (saída); rosa, frésia e heliotrópio (corpo); absoluto de baunilha de Madagascar, madeiras claras e almíscares suaves (fundo).
O conceito gira em torno do romance e da inspiração das noites parisienses. Annabelle Belmondo é o rosto da campanha, representando a mulher radiante e segura que faz parte do público-alvo do novo perfume. O frasco ainda continua azul, mas ganhou um tom mais misterioso (em azul meia-noite) e ainda mais acabamentos dourados, reforçando aspectos de luxo e sofisticação. Verdade seja dita, ficou um espetáculo!
A fragrância do novo Byzance é floral-oriental e pode ser definida com apenas uma palavra: cremosidade. Assim que toca a pele, parece que foi pensada para não explodir, tampouco deixar um poderoso rastro. É como se o cheiro fosse espalhado através de carícias gentis, que duram mais tempo do que na realidade, pois permanecem na memória de quem as recebe.
Na minha pele, a saída é efêmera e não consegue esconder muito do que está por vir. Byzance é uma fragrância para quem gosta de nuances abaunilhadas, mas não se contenta com adocicados genéricos. Simples assim! Se me dissessem que suas únicas notas são o heliotrópio, o absoluto de baunilha e um acorde de madeiras suaves, eu não questionaria.
Como citado antes, sua projeção não é o ponto forte. Em contrapartida, a durabilidade é surpreendente! E se a palavra do momento é inovação, pode ter certeza que Byzance decepciona neste quesito. Por outro lado, ofusca aquela ideia repetitiva de que toda mulher que sai à noite, com a intenção de seduzir, precisa estar cheirando como um algodão-doce de vestido. E para mim, esse é o grande acerto.
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