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SÃO PAULO IS BURNING, DE L’ENVIE PARFUMS

Perfumart - resenha L'envie São Paulo is Burning

O perfume São Paulo is Burning data de 2019 e vem a ser o número um da coleção de fragrâncias corporais da L’Envie. Seu nome significa, em Língua Portuguesa, “São Paulo está Queimando” (ardendo ou fervendo também se aplicam, dependendo do contexto).

A fragrância de São Paulo is Burning é definida como urbana, pela marca, e vem a ser um tributo apaixonado à cidade de São Paulo, que nunca deixa de surpreender. Traz, em sua composição, notas de bergamota, aldeídos e toranja, na saída; Gerânio, notas verdes, íris, fava tonka, almíscar, ládano e sândalo, no corpo; Olíbano, musgo, patchouli, couro e tabaco, na base.

Na pele, São Paulo is Burning revela uma criação amadeirada intensa, com muitas nuances de couro e facetas aromáticas. Mais do que isso, revela um posicionamento bastante ousado da empresa, uma vez que sua fragrância é densa e cheia de estilo clássico, como aquelas que faziam sucesso na década de 80 e ganharam apelidos menos favoráveis a partir dos anos 2000, quando passaram a ser consideradas “fragrâncias de tiozão” ou, ainda pior, “perfume de velho”.

Particularmente, achei uma jogada de mestre, pois esse tipo de fragrância está sumindo das prateleiras, como se o consumidor acima dos 50 anos de idade não existisse mais ou não representasse uma grande parcela das vendas, o que é totalmente contraditório em um momento no qual o mercado voltou a reverenciar a geração prateada (Silver Generation).

Além disso, São Paulo is Burning exala classe e sofisticação, revelando as nuances quentes e ambaradas do ládano, bem como o esfumaçado balsâmico e terroso das notas de olíbano e patchouli. Não é uma fragrância com muita presença cítrica, ainda que as notas de topo possam causar essa impressão. Aqui, o couro é musgoso e os aldeídos fazem com que as notas borbulhem, como se estivessem fervendo, exalando com muita intensidade desde os minutos iniciais de aplicação.

Para ser sincero, não enxergo São Paulo is Burning como uma fragrância unissex. Mas entendo (e aplaudo) o posicionamento da empresa em não rotular seus perfumes por gênero. Em questão de performance, a projeção é alta e a duração na pele não deixa a desejar.

Para encerrar, vou compartilhar com vocês a minha primeira impressão ao sentir esta fragrância: São Paulo is Burning é a reencarnação do excelente Photo, de Karl Lagerfeld que, coincidentemente, nos deixou no mesmo ano em que este produto foi lançado. Muda uma coisa aqui, outra acolá, tem mais couro e menos mel, mas segue a mesma direção olfativa deste último e de tantos outros, como Jaguar For Men, Tsar, etc.

Uma grata surpresa e um belo pontapé inicial para uma empresa brasileira que quer mostrar sua independência autoral e não seguir os modismos comerciais.


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𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

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