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THE PATCHOULI AFFAIR, DE L’ENVIE PARFUMS

Perfumart - resenha L'envie The Patchouli Affair

The Patchouli Affair é o perfume de número dois na coleção da L’Envie Parfums. Seu nome significa, em Língua Portuguesa, “O Caso do Patchouli” (Questão ou Assunto também se aplicam, dependendo do contexto).

A fragrância foi criada pelos perfumistas exclusivos da empresa, Fanny Grau e Isaac Sinclair, e é definida como uma viagem ao passado, mas com o olhar no futuro, cuja criação traz o patchouli como protagonista. Sua pirâmide olfativa revela notas de mandarina, gengibre e petitgrain, no topo; Madressilva, olíbano, fava tonka e cristais de âmbar, no corpo; Vetiver, sândalo, cedro, almíscares e patchouli, na base.

Na pele, The Patchouli Affair é de uma delicadeza explosiva sem fim. Poderia, inclusive, se chamar Patchouli Explosion. A saída é suculenta e não muito ácida, com maior destaque para a mandarina. As notas de fava tonka e sândalo são muito evidentes, desde o primeiro instante, mas não são as responsáveis pelo caminho quente e sensual desta fragrância. Os cristais de âmbar transmitem uma vibração de cor alaranjada e conferem uma faceta abaunilhada, que ganha força com o efeito suave de mel, proveniente da madressilva.

The Patchouli Affair parece ser linear, mas há uma evolução sutil que vai se desdobrando até revelar o lado quente e terroso do patchouli, com nuances de chocolate e uma cremosidade extra, graças à nota de sândalo.

Há uma qualidade muito evidente na construção desta fragrância, pois o patchouli perdeu seu lugar de destaque nas fragrâncias mais comerciais das últimas décadas, quando passou a ser representado por um acorde extremamente doce e cansativo, que foi replicado ao extremo nas fragrâncias femininas. E aqui, temos o bom e velho ingrediente da perfumaria, cujo resultado tem cheiro mais próximo ao de seu óleo essencial e nos remete às criações mais elaboradas da Alta Perfumaria, que ainda trabalham com matérias-primas de melhor qualidade e, sobretudo, com acordes que respeitam os ingredientes-chave de cada criação. Neste caso, patchouli com cheiro real de patchouli, não de algodão doce!

A fragrância de The Patchouli Affair me leva para os anos 70, quando o óleo de patchouli era muito utilizado pela comunidade hippie, bem como fez parte de inúmeras fragrâncias masculinas. Entretanto, ganhou um toque de modernidade e uma pincelada de requinte, se mostrando mais contemporânea e compartilhável.

E diferente da memória olfativa que a fragrância #001 – São Paulo is Burning me trouxe, com maior apelo popular, esta me leva para prateleiras mais nobres de coleções exclusivas ou de grifes do segmento de Nicho, mas com uma grande diferença: o frasco de maior volume custa bem menos que o da concorrência. Vale muito a pena experimentar!


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𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

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