Perfumart - resenha do perfume Goldfield&Banks - Silky Woods Elixir

Silky Woods Elixir foi lançado em 2023, no mesmo ano em que a marca já havia lançado Island Lush. Todavia, Silky Woods Elixir veio como o primeiro flanker dentro da Coleção Exclusiva chamada Botanical Series. Sua fragrância faz uma releitura mais profunda, densa e misteriosa de Silky Woods, elevando a assinatura amadeirada da composição original a um território ainda mais opulento e envolvente.

Inspirada na ancestral Daintree Rainforest, a fragrância explora a riqueza do agarwood australiano, uma das matérias-primas mais raras e reverenciadas da perfumaria, revelando um perfil aromático exuberante e multifacetado. Foi criada pelos perfumistas Olivier Cresp e Hamid Merati Kashani e revela acordes criados por notas de figo, açafrão, lírio, madeira de guáiaco, baunilha, Oud Assafi, Oud australiano, além de bálsamos e cipriol.

Antes de comentar sobre a fragrância, vale explorar o tema dos elixires no mercado global. Na perfumaria, muita gente espera encontrar um perfume puro, uma poção mágica, quando lê o termo “Elixir” na embalagem. Porém, a indústria não trabalha dessa forma, até por questões tributárias. Geralmente, flankers em versões Elixir são criados para vender uma ideia de uma versão mais concentrada ou intensa de uma fragrância, em que se espera algum incremento em matéria-prima, como maior pureza, por exemplo. Na prática, nem sempre a versão Elixir entrega melhor performance que a sua versão original. Por vezes, o elixir fica até abaixo das versões Intense ou Parfum de uma determinada linha.

Dito isso, posso afirmar que aqui a promessa se faz cumprir e Silky Woods Elixir consegue entregar ainda mais performance do que sua versão original. A saída apresenta um contraste fascinante entre o frescor verde e a suculência do figo, salpicado pelo calor especiado do açafrão. Esse início combina uma explosão aromática e traz nuances que lembram o amargor do cacau e criam uma abertura sofisticada e misteriosa.

No coração, a fragrância revela uma faceta cremosa e envolvente. Há uma floralidade terrosa bastante presente, que traz um toque atalcado e refinado, enquanto os bálsamos trazem um efeito mais oriental e introduzem nuances defumadas sutis, vindas da madeira de guáiaco.

À medida que evolui na pele, o perfume mergulha em uma base bastante sensual. A baunilha suaviza as arestas amadeiradas, criando um efeito adocicado, enquanto notas resinosas e a intensidade do Oud reforçam a sensação de conforto e luxo. O resultado é um rastro denso, elegante e hipnótico, onde dulçor, fumaça e madeira se entrelaçam com equilíbrio magistral.

Silky Woods Elixir apresenta excelente fixação e projeção, desenvolvendo-se lentamente e mantendo sua presença ao longo de muitas horas. Mais dark, texturizada e intensa que sua versão original, esta fragrância privilegia a profundidade e a riqueza sensorial, oferecendo uma experiência olfativa imersiva e sofisticada.

Sem dúvida, é uma fragrância que mantém o DNA da versão original, porém menos cremosa e mais opulenta. Ouso dizer que trouxe uma abordagem árabe e me parece uma resposta ao movimento do mercado no que diz respeito aos ingredientes do Oriente Médio.

Você consegue imaginar um executivo australiano, bem rico, expandindo seus negócios em Dubai? Esse é o perfume dele.


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BORRIFANDO CONHECIMENTO HÁ ANOS. Crítico de fragrâncias, avaliador olfativo, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, maior blog especializado no assunto.

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