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Entrevista com John Biebel (PT and EN languages).

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Reprodução: acervo pessoal John Biebel. | Reproduction: John Biebel’s personal files.
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Entrevista com John Biebel: o versátil explorador da arte.

John Biebel é graduado pela Cooper Union (NYC), onde estudou pintura e fotografia. Ele já morou em Londres, Boston e atualmente vive em Rhode Island. Além da pintura, também trabalha como designer de UX (user experience) para softwares de educação, escritor freelance para o Fragrantica.com e membro do Subforum de pesquisa e design de colaboração, sediado em Cambridge.

Antes de conhecer o perfumista e sua marca independente – January Scent Project – me recordo de ver seu nome e foto em alguns artigos do Fragrantica.

Com relação às fragrâncias, posso dizer que são incríveis e cheias de personalidade. Mas faltava conhecer um pouco mais do homem responsável pela criação das mesmas e a sua jornada até aqui. Vamos lá?!

Perfumart - Entrevista John Biebel elevator
Reprodução: acervo pessoal John Biebel.

Cassiano Silva: Você sempre teve o desejo de ser perfumista ou foi algo que surgiu após seu envolvimento com a perfumaria através do site Fragrantica.com?

John Biebel: Lembro-me de quando era bem mais jovem, uma vez tentei fazer um perfume com alguns óleos essenciais e o resultado foi horrível…então, por muito tempo, me pareceu ser algo que só profissionais altamente treinados podiam fazer.

Quando comecei a escrever para o Fragrantica, eu estava cheirando muito mais fragrâncias e cada uma expandiu minha ideia sobre o que seria, então, perfume. Minha curiosidade continuou crescendo. Este foi o ponto de virada, onde a curiosidade era muito grande a fim de entender muito mais sobre esses materiais. Eventualmente, isso acabou me levando à ideia de fazer perfumes por conta própria. Então, eu diria que nem sempre foi uma ideia para mim, não – mas uma resposta direta aos eventos da minha vida.

Cassiano Silva: A propósito, como você se tornou parte do time de editores do site?

John Biebel: O Fragrantica é muito parecido com uma grande família – estou com a equipe desde o final de 2012. Quando surgiu a necessidade de um trabalho maior de edição, eu realmente gostei de poder contribuir desta forma. É um verdadeiro prazer fazer parte do time em algumas funções, como faço agora.

Cassiano Silva: Antes de entrar para a equipe, você já era um apaixonado ou colecionador de perfumes?

John Biebel: Minha experiência com perfumes não foi tão devotada quanto para alguns colecionadores, mas isso tem sido importante para mim. Venho de uma família que gosta de usar fragrâncias – minha mãe e meu pai sempre usaram fragrâncias.

Era importante para mim, mas meu interesse ia e vinha. Ele se tornou muito maior pouco antes de eu começar a escrever, e eu voltei à dar atenção com uma paixão mais especial. Mas tenho, de alguma forma, uma distância um tanto objetiva dos perfumes – acho que às vezes é importante cheirá-los com um pouco de indiferença. Isso significa que você não se apaixona por todos os perfumes, mas apenas por alguns que você realmente adora.

Perfumart - Entrevista John Biebel RetroAd-Selperniku
Reprodução: Arte criada por John para um de seus perfumes.

Cassiano Silva: Com um olhar tão apurado para vários tipos de arte, navegando entre fotografias, pinturas e fragrâncias, você tem alguma predileta?

John Biebel: Eu encontro muitas conexões entre artes e perfumes, e todas elas me FASCINAM! Existem certas obras de arte que realmente me impressionam pelas conexões que faço, em minha mente, entre arte e perfume.

Costumo conectar filmes e perfumes, talvez porque ambos se baseiem em uma linha do tempo, com uma espécie de início e fim. Certos filmes, como os do diretor russo Andrei Tarkovsky (estou pensando, em particular, nos filmes “Mirror” e “Stalker”) têm uma intensidade que, imediatamente, me fazem imaginar perfumes, cheiros da paisagem, os cheiros de uma sala, ou a poeira em uma mesa.

Tenho escrito alguns artigos sobre artistas e faço algumas ligações entre o seu trabalho e os perfumes – um dos meus favoritos foi uma peça que escrevi sobre a artista luso-francesa Maria Helena Vieira da Silva. Suas pinturas me surpreenderam desde que eu era muito jovem, e quando as vejo, “sinto” muita fragrância nelas.

Cassiano Silva: Antes de pensar em ter sua própria marca independente, você tinha um perfume preferido?
(Pode citar mais de um ou a família olfativa que mais te agrada).

John Biebel: Ao longo dos anos tive muitos, e eles mudaram com o tempo. Com frequência, irei amar um perfume por causa do que ele realiza, do ponto de vista técnico. Mas, voltando no tempo, lembro-me de que alguns favoritos meus eram Pour Monsieur de Chanel, Feeling Man de Jil Sander e, mais recentemente, Les Nuits d’Hadrien de Annick Goutal. Eles são muito diferentes um do outro, mas são de diferentes partes da minha vida, todas igualmente importantes. Acabei de comprar uma nova garrafa de Pour Monsieur, há cerca de um ano atrás, e foi uma sensação muito boa cheirá-lo novamente, tantos anos depois.

Cassiano Silva: E perfumista, algum nome em especial?

John Biebel: Existem alguns que fazem coisas realmente incríveis. Eu sempre fico muito impressionado com o que Christopher Sheldrake fez ao lado de Serge Lutens para sua marca. Particularmente, nos últimos anos, eles encontraram novas inspirações e lançaram alguns de seus melhores trabalhos de todos os tempos – é muito inspirador. Eu acabo descobrindo que me impressiono muito com a audácia ou ousadia que alguns perfumistas têm. Alguém como Alessandro Gaultieri (Nasomatto, Orto Parisi) está sempre fazendo cheiros que confundem e desafiam meu nariz. Mais recentemente, o trabalho de Oswald Paré (Motif Olfactif) tem sido, realmente, muito agradável.

Cassiano Silva: O que mais te motivou a criar a January Scent Project?

John Biebel: Sempre me pareceu algo que eu ficava empurrando um pouco; depois um pouco mais, depois mais ainda. Em outras palavras, eu não sabia se poderia, realmente, iniciar esse projeto ou não. Eu não sabia se alguém se importaria ou não. Então, me movi muito devagar, simplesmente trabalhando e depois testando um pouco mais. Eu queria primeiro ver se eu poderia realmente fazer um perfume que eu mesma usaria.

Então, pensei: “Bem, será que consigo fazer algo que as outras pessoas usariam?”. Foi como uma grande tarefa que eu estava me incumbindo de fazer. Ainda sinto como um projeto em andamento, no qual eu nunca chego ao fim.

Perfumart - Entrevista John Biebel - Perfumes 2019
Reprodução: perfumes January Scent Project.

Cassiano Silva: Qual foi (ou é) a maior dificuldade enfrentada para dar vida ao projeto?

John Biebel: São tantos, tantos detalhes! Esta é, provavelmente, a parte que muitas pessoas não sabem muito bem quando começam na perfumaria. Por exemplo: lembro-me de fazer um teste, com uma ideia inicial de perfume, do qual realmente gostei de como cheirava. Mas então, quando comecei a colocar no papel como aumentar em escala, a fim de fazer mais dele, vi que era MUITO CARO!  

Você aprende, rapidamente, que algumas ideias são muito interessantes, mas muito pouco práticas. Ou elas cheiram bem, mas não ficam bem na pele. Ou elas cheiram bem na pele, mas não duram muito. Estas são as artes mais refinadas de fazer perfume, algumas delas são bastante técnicas e demoram um pouco para dominar, e são essenciais para fazer tudo dar certo.

Cassiano Silva: Como responsável por toda a identidade visual da sua empresa, o que nasce primeiro no processo: a arte que acompanha as embalagens, o nome do perfume, o conceito ou a fragrância?

John Biebel: Em quase todos os casos, começa com materiais. Primeiro, me pego pensando em alguns cheiros que vêm flutuando em minha cabeça, pequenas obsessões que me incomodam. Pouco depois de começar a trabalhar no laboratório com essas ideias, geralmente imagens e cores também começam a acompanhar o perfume.

Por exemplo, quando eu estava fazendo o perfume chamado Serin, aquela cor laranja-avermelhada, muito ousada, continuava vindo para mim o tempo todo. Na verdade, era a mesma cor de uma porta que me lembrava de um mercado chinês em Boston, e comecei a combinar o cheiro de crisântemos e incenso com aquela porta vermelha brilhante.

Enquanto continuo trabalhando, imagens, cheiros e histórias começam a se fundir, mas geralmente não toco em nada visual, até que esteja quase que completamente satisfeito com a fragrância.

Cassiano Silva: Qual é seu perfume campeão de vendas?

John Biebel: É uma espécie de empate entre o meu primeiro perfume, Smolderose, e um dos mais recentes, Burvuvu. No último caso, o Burvuvu parece ter impressionado muitos usuários. Acho que é porque tem a ver com a floresta, folhas e alguns dos cheiros do outono. Acho que minha alma artística está muito sintonizada com o outono, então, provavelmente, isso se destacou naquele perfume.

Cassiano Silva: Depois de cinco anos no mercado e uma nova fragrância lançada há poucas semanas (Horla), você acha que os influenciadores foram importantes para ampliar seu campo de atuação ou foram apenas um meio para justificar o fim?

John Biebel: Os influenciadores tiveram impacto nos perfumes (e em outras áreas criativas também…) e não tenho certeza de como quantificá-lo exatamente. Na melhor das hipóteses, é um reconhecimento mútuo de esforços – alguns influenciadores realmente trabalham sério no que fazem e colocam muito trabalho em seu conteúdo, adicionando muita criatividade a ele. Para alguns outros, pode se tornar mais uma espécie de negócio, e isso não pode ser mais tão criativo.

Pode ser como acontece com perfumes, onde alguns perfumes no mercado apenas atendem à uma determinada necessidade do negócio, e outros são expressões criativas muito originais. Eu acho ótimo quando você tem relacionamento com influenciadores que realmente querem adicionar seu próprio “toque” especial ao mercado, e muitos conseguem.
Para mim, acho que ajudou a ampliar a conversa sobre o que está acontecendo lá fora, “no mundo real”, em oposição ao que eu faço em meu estúdio.

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Reprodução: pintura de John Biebel – Story As The Bird Remembers It.

Cassiano Silva: Ainda sobre os influenciadores, você acredita que todos que te procuraram (ou vice-versa) realmente conseguiram entender e transmitir o que você pensava ao criar cada fragrância?

John Biebel: Fico feliz que você faça esta pergunta, porque este é um ponto importante: tudo o que eu faço é realmente criado para o mundo desfrutar (ou não) por conta própria – então, já houve ótimas experiências, nas quais alguém disse algo muito diferente do que eu esperava de um dos meus perfumes. EU AMO quando isso acontece! Significa que desencadeei uma ideia que não planejei. Acho que isso é muito importante para os perfumistas, porque significa que seu público está tendo ideias por conta própria. Gosto quando um influenciador ou crítico diz algo que me surpreende.

Cassiano Silva: Há alguma fragrância que você adoraria criar, mas ainda não sabe por onde começar?

John Biebel: Sim, existem muitas! Um dos meus perfumes favoritos de todos os tempos é o exclusivo da Christian Dior chamado Eau Noire, feito por Francis Kurkdjian. Foi descontinuado e muitos de nós choramos com a ideia de que ele não existirá mais. Ele combina algumas coisas muito estranhas, como alcaçuz, sempre-vivas, lavanda, tomilho…mas juntas ficam tão, tão lindas. Eu adoraria fazer um perfume de lavanda espesso, quase “pegajoso” como este, um dia. Não será fácil, mas adoraria tentar.

Cassiano Silva: Tem algum projeto em mente para 2021 que gostaria de compartilhar conosco?

John Biebel: Eu tinha grandes ambições para 2020 que, é claro, muitos de nós tivemos que diminuir por causa do COVID e suas restrições, mas também significou que eu poderia trabalhar um pouco mais no laboratório para desenvolver ideias.

Eu sei que estou mergulhando em perfumes de âmbar e vou fazer alguns deles. Também estou trabalhando no meu primeiro perfume de almíscar. Vai ser uma versão bastante “fria” do almíscar.
Também estou trabalhando em algumas colaborações – isso é novo para mim, já que não fiz muitos projetos como esse antes –, então é um território novo e empolgante trazer outras pessoas para o que estou fazendo. Estou descobrindo que traz à tona o melhor de muitas mentes em conjunto.

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John, mais uma vez te agradeço, imensamente, por ter dedicado um pouco do seu escasso tempo livre a fim de responder às perguntas acima. Em nome do meu público, te desejo muitas conquistas e ainda mais sucesso em sua jornada perfumada.
Muito obrigado!

Interview with John Biebel: the versatile explorer of art.

John Biebel is a graduate of Cooper Union (NYC), where he studied painting and photography. He has already lived in London, Boston, and currently lives in Rhode Island. In addition to painting, he also works as a UX (user experience) designer for education software, a freelance writer for Fragrantica.com, and a member of Subform, a Cambridge-based design research Collaborative.

Before meeting the perfumer and his independent brand – January Scent Project – I remember seeing his name and picture in some Fragrantica articles.

Regarding fragrances, I can say that they are incredible and full of personality. But I still wanted to know a little more about the man responsible for creating them and his journey until here. Let’s go?!

Perfumart - Entrevista John Biebel elevator
Image: Reproduction / John Biebel’s personal files.

Cassiano Silva: Have you always had the desire to be a perfumer or was it something that emerged after your involvement with perfumery through Fragrantica.com?

John Biebel: I remember when I was much younger, I once tried making a perfume with some essential oils and the result was awful… so for a long time, it seemed to be something that only very highly-trained professionals could do. When I started writing with Fragrantica, I was smelling many more perfumes, and each one expanded my idea of what perfume could be about. My curiosity kept growing. This was a “tipping point” where curiosity was so strong to understand these materials much more. That eventually lead to the idea of making perfume on my own. So, I would say that it wasn’t always an idea for me, no – but a direct response to the events of my life.

Cassiano Silva: By the way, how did you become part of the team of editors?

John Biebel: Fragrantica is a lot like an extended family – I’ve been with the team now since late in 2012. When the need for some more editing work came along, I really liked being able to contribute in this way. It’s a real pleasure to be part of the team in a few capacities as I am now.

Cassiano Silva: Before joining the team, were you already a passionate or a perfume collector?

John Biebel: My experience with perfume was not as devoted as some collectors, but this has actually been important for me. I come from a family that likes wearing fragrances – both my mom and dad always wore fragrance. It was important to me, but my interest would come and go. It became much greater just before I started writing, and I came back to it with a strong passion. But I have a somewhat objective distance to perfumes – I think sometimes it’s important to smell them with a small bit of detachment. It means you don’t fall in love with every perfume, but only with some that you really, really adore.

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Image: Reproduction / Artwork made by John for one of his perfumes.

Cassiano Silva: With such a keen eye for various types of art, navigating between photographs, paintings, and fragrances, do you have any favorite?

John Biebel: I find many connections between the arts and perfume, and they all FASCINATE me! There are certain works of art that really strike me for the connections I make in my mind between art and perfume.

I often connect film and perfume, perhaps because they are both based on a timeline, with a kind of start and finish. Certain films, such as those made by the Russian director Andrei Tarkovsky (I’m thinking, in particular, the films “Mirror” and “Stalker”) have an intensity to them that immediately makes me imagine perfumes, smells of the landscape, the smells of a room, or dust on a table.

I have been writing some articles about artists and making some connections between their work and perfumes – one of my favorites was a piece I wrote about the Portuguese-French artist Maria Helena Vieira da Silva. Her paintings have amazed me since I was very young, and when I look at them, I “feel” so much fragrance in them.

Cassiano Silva: Before thinking about having your own independent brand, did you have a favorite perfume? (You can name more than one or the olfactory family that you like the most).

John Biebel: Over the years, I’ve had many, and they’ve changed over time. I will often love a perfume because of what it accomplishes from a technical standpoint. But thinking back, I remember some favorites of mine were Chanel’s Pour Monsieur, Jil Sander’s Feeling Man, and more recently Annick Goutal’s Les Nuits d’Hadrien. They are each quite different from each other, but they are from different parts of my life, all equally important. I just bought a new bottle of Pour Monsieur about a year ago and it was such a nice feeling to smell it again so many years later.

Cassiano Silva: And about a perfumer, any name in particular?

John Biebel: There are a few that do really amazing things – I’m always so stunned by what Christopher Sheldrake has made alongside Serge Lutens for his brand. Particularly in the past few years, they’ve found some new inspiration and have put out some of their best work ever – it’s been so inspiring. I will find that I’m very taken by the audacity or daring that some perfumers have. Someone like Alessandro Gaultieri (Nasomatto, Orto Parisi) is always making scents that confound and challenge my nose. More recently, the work that Oswald Paré from Motif Olfactif has really been very enjoyable.

Cassiano Silva: What motivated you most to create the January Scent Project?

John Biebel: It always felt like something where I was pushing a little; then a little further, then further still. In other words, I didn’t know if I could really start this project or not. I didn’t know if anyone would care or not. So, I moved very slowly, simply working and then trying a bit more.

I wanted first to see if I could actually make a perfume that I would wear myself. Then I thought, “Well, could I make something that other people would wear?” It was like a great task I was giving myself to do. It still feels like a project in progress, that I never quite reach the end of.

Perfumart - Entrevista John Biebel - Perfumes 2019
Image: Reproduction / Perfumes from January Scent Project.

Cassiano Silva: What was (or is) the greatest difficulty faced to bring the project to life?

John Biebel: There are so, so, many details! This is probably the part that many people don’t quite know when they start out in perfume. For example, I remember making a trial of an early perfume idea and I really liked how it smelled – but then when I started to work out on paper how I would scale this up for making more of it, it was SO EXPENSIVE!

You learn quickly that some ideas are very interesting, but very impractical. Or, they smell great, but don’t test well on skin. Or, they smell nice on skin, but don’t last terribly long. These are the finer arts of making perfume, some of them are quite technical and take a while to master, and they’re very essential to making it all “work”.

Cassiano Silva: As responsible for all the visual identity of your company, what comes first in the process: the art that accompanies the packaging, the name of the perfume, the concept, or the fragrance?

John Biebel: In almost every case, it begins with materials. First, I am thinking about some smells that have been floating in my head, small obsessions that are nagging at me. Not long after I start working in the lab with these ideas, usually images and colors start to accompany the perfume, too.

For example, when I was making the perfume called Serin, that very bold orange-red color kept coming to me all the time. It was actually the same color of a door I recalled from a Chinese market in Boston, and I began to match the smell of marigolds and incense with that bright red door.

As I keep working, images, smells and stories all start to merge, but I usually don’t touch anything visual until I’m almost completely done with the fragrance.

Cassiano Silva: What is your best-selling perfume?

John Biebel: It is a bit of a tie between my first perfume, Smolderose, and one of the more recent ones, Burvuvu. In the latter case, Burvuvu seems to have struck a nerve out there with many wearers. I think it’s because it has to do with the forest, leaves, and some of the smells of autumn. I find my artistic soul is very in tune with autumn, so it probably comes out very strongly in that perfume.

Cassiano Silva: After five years on the market and a new fragrance launched a few weeks ago (Horla), do you think that influencers were important to expand your field of action, or were they just a means to justify an end?

John Biebel: Influencers have had an impact on perfume (and other creative areas, too…) and I’m not sure how to quantify it exactly. In the best cases, it’s a mutual recognition of efforts – some influencers really work very hard at what they do, and they put a lot of work into their content, adding a lot of creativity to it. Then for some others, it may become more of a business for them, and that can’t be as creative anymore.

It can be the same as perfume, where some perfumes in the market just fill a certain business need, and others are very original creative expressions. I think it’s great when you have relationships with influencers who really want to add their own special “something” to the market, and many do.

For me, I think it’s helped broaden the conversation about what is happening out there “in the real world” as opposed to what I do in my studio.

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Reproduction: John Biebel’s painting – Story As The Bird Remembers It.

Cassiano Silva: Still about influencers, do you believe that everyone who came to you (or vice versa) really managed to understand and convey what you thought when creating each fragrance?

John Biebel: I’m glad you ask this question, because this is an important point: Whatever I make is really released out there to the world to enjoy (or not) on its own – so, there have been great experiences when someone says something very different from what I expected about one of my perfumes. I LOVE when this happens. It means that I’ve triggered an idea that I didn’t plan on. I think that’s very important for perfumers because it means your audience is coming to ideas on their own. I like when an influencer or reviewer says something that surprises me.

Cassiano Silva: Is there any fragrance that you would love to create, but still don’t know where to start?

John Biebel: Yes, there any many! One of my very favorite perfumes of all time is the Christian Dior exclusive called Eau Noire, made by Francis Kurkdjian. It’s now discontinued and many of us weep at the thought that it won’t be around anymore. It combines some very strange things, like licorice, immortelle, lavender, thyme… but together it’s so, so beautiful. I would love to make a thick, almost “sticky” lavender perfume like this one day. It will not be easy, but I would love to try.

Cassiano Silva: Do you have a project in mind for 2021 that you would like to share with us?

John Biebel: I had big ambitions for 2020, which of course many of us had to make smaller because of COVID and its restrictions, but it also meant that I could work in the lab quite a bit in order to flesh out ideas.

I know that I’m diving into amber perfumes and will make a few of them. I’m also working on my first musk perfume. It’s going to be quite a “cold” take on musk. I’m also working on a few collaborations – this is new for me, as I’ve not done too many projects like that before, so it’s exciting new territory to bring other people into what I’m doing. I’m finding that it brings out the best of many minds together.

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John, once again I thank you, immensely, for having dedicated some of your meager free time in order to answer the questions above. On behalf of my audience, I wish you many achievements and even more success on your fragrant journey. Thank you very much!


 

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Publicitário, amante da comunicação, blogueiro, apaixonado por fragrâncias e cosméticos em geral. É jurado e crítico de fragrâncias nacionais e internacionais, consultor particular de estilo em perfumaria e dono de um grupo no Facebook voltado apenas para os homens. Criador e proprietário do Perfumart, blog especializado em perfumaria.

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