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1 MILLION ELIXIR, DE PACO RABANNE

Perfumart - resenha do perfume Paco - 1 million Elixir

O perfume 1 Million foi lançado em 2008 e sua fragrância, criada por Christophe Raynaud, Michel Girard e Olivier Pescheux, se tornou sucesso mundial de vendas e resultou em um dos pilares mais bem-sucedidos da perfumaria masculina internacional, bem como da grife Paco Rabanne. Desde 2008 até os dias atuais, já são inúmeros flankers e Edições Limitadas para colecionadores.

Seu frasco, em formato de lingote de ouro, foi criado por Noé Duchaufour Lawrance, gerou muita polêmica e, verdade seja dita, se tornou peça de destaque nas prateleiras das principais perfumarias, o que ajuda muito no posicionamento da marca.

Em 2022, a grife lançou esta versão 1 Million Elixir, declarada como uma fragrância em concentração Parfum Intense. Mais uma vez, Christophe Raynaud e Quentin Bisch se uniram para cocriar a fragrância e decidiram dar vida à uma composição de perfil oriental-frutado.

No topo da pirâmide olfativa foram combinadas notas de maçã e davana. No centro, rosa Turca, osmanthus e cedro determinam a evolução. Na base, sementes de baunilha preta, fava tonka silvestre e patchouli.

Assim que é borrifada sobre a pele, a fragrância de 1 Million Elixir não me agrada. A davana, da família da Artemísia, confere um aspecto licoroso e até refinado. Porém, a nota de maçã fica muito evidente no meu olfato e acaba trazendo um efeito genérico e uma nuance que mais lembra abacaxi. E essa saída não me satisfaz e não me “comunica” 1 Million, infelizmente. Por sorte, ela dura menos na pele que na fita, o que vale ser mencionado (sempre testem na pele!).

Dito isso, 1 Million Elixir acontece de maneira muito rápida, ou melhor, precoce. Para mim, o prazer de não sentir mais a tal nota declarada de maçã é tão rápido quanto a decepção de não perceber a beleza da rosa ou o lado mais seco do cedro. É como se um vídeo fosse adiantado em alta velocidade e a fragrância pulasse direto para a base.

Mas nem tudo está perdido! A evolução abandona o lado frutal e juvenil e se transforma em um combo de fava tonka licorosa com patchouli levemente achocolatado. Há beleza no dry down e, sobretudo, um resgate do DNA da linha 1 Million.

O produto tem vários atributos que conversam com os jovens de hoje, chega a ser quase unissex e tem ótima performance. Mas eu, particularmente, sinto falta das notas mais densas e especiadas de outrora. Na minha opinião, 1 Million Elixir não é um bom flanker, no final das contas. Mas isso, é claro, só vale para quem conhece as versões anteriores.

O fato é que criei muita expectativa e acabei um pouco decepcionado. Me parece que aquele que foi exaustivamente copiado, agora está copiando. Será que o jogo virou?


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𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

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