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AZUL, DE AQUA DOS AÇORES

Perfumart - resenha do perfume Aqua dos Açores - Azul

Azul Eau de Parfum foi o nome escolhido para uma das fragrâncias de lançamento da marca Aqua dos Açores, em 2019. O conceito criativo fala do cheiro que vem dos ventos que atravessam os oceanos de cor azul intensa, e das madeiras de antigos veleiros, boiando no mar, impregnadas de sal e tempestades.

A fragrância de Azul Eau de Parfum é produzida na Itália e carrega notas ozônicas, acorde marinho e bergamota, na saída. No corpo, notas de sálvia esclareia, madeiras, gerânio bourbon, lentisco e jasmim. No fundo, notas de ambergris, madeiras, davana, criptoméria e opoponax.

A Aqua dos Açores garante que a composição possui essências naturais dos seguintes ingredientes: criptoméria, gerânio, sálvia, lentisco, bergamota, davana e opoponax.

Antes de comentar sobre a performance na pele, vale esclarecer alguns pontos. O lentisco, também conhecido por mástique, é a goma obtida da árvore do gênero Pistacia Lentiscus (da família do pistache) e seu cheiro é balsâmico e fresco. Já a criptoméria é uma árvore de casca escura, castanho-alaranjada, com formação de flores entre os meses de setembro e outubro e também é conhecida como cedro-japonês, mas não se engane, pois é da família do cipreste, não do cedro.

Visualmente, tudo encanta e denota uma simplicidade de muito bom gosto. Na pele, a fragrância de Azul Eau de Parfum se comporta como amadeirada-aquática e sua secagem tem aspecto levemente oleoso. A saída é muito refrescante e traz nuances levemente florais, além de um tom frutal e sutil de melão. Por vezes, parece que um cheiro de algas marinhas tenta sobressair, mas não se sustenta.

Desde o início, a presença de madeiras é bastante evidente e eu sinto um grande volume de Iso E Super, com suas facetas aveludadas e madeiras leves, como o cedro. Todavia, posso estar enganado, uma vez que não há nada declarado, oficialmente, sobre o uso de tal molécula.

Azul Eau de Parfum acaba não tendo muita evolução em minha pele e isso me decepciona um pouco, uma vez que a composição é promissora, com notas balsâmicas e adocicadas de mirra doce (opoponax) e todo o teor aromático da davana. E embora inovação não seja um pré-requisito para fragrâncias do segmento independente ou de nicho – um erro comum que muitos cometem –, ainda assim, imaginava uma composição mais fresca e mineral.

No final das contas, Azul Eau de Parfum me parece uma espécie de fragrância híbrida, uma junção entre alguma edição Summer da grife Issey Miyake com Molecule 01, da Escentric Molecules. Mas calma lá! Não digo isso de forma depreciativa. Apenas quero tentar desenhar uma ideia que facilite o entendimento de quem está lendo esta resenha agora. Até porque, ambas as grifes citadas são muito bem-sucedidas no ramo de fragrâncias.

Por fim, uma dica: Azul Eau de Parfum parece o perfume ideal para dias ensolarados e de extremo calor, mas não é, porque o teor natural se esvai rapidamente. Os melhores resultados que obtive foram nos dias nublados e abafados, quando a duração se mostrou muito maior.


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𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

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