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BORÉALE, DE L’ARC PARFUMS

Perfumart - resenha do perfume Boréale

O perfume Boréale foi revelado em dezembro de 2017 e faz parte da The Mémoire Collection, que reúne fragrâncias que retratam as jornadas imóveis, as viagens olfativas e suas sensações ilimitadas. O nome completo do produto é Boréale Vallée d’Étoiles, cujo nome significa, em Língua Portuguesa, Vale Boreal das Estrelas.

O conceito criativo fala de um vale estelar colorido pela Aurora Boreal, tão infinito quanto os sentimentos de Maître de Claude ao contemplar tal visão. Agora, em outubro de 2021, a empresa anunciou um novo perfume com o mesmo nome, ou seja, uma reformulação. Mas também houve uma repaginada visual, que chamamos de repackaging. O frasco, antes em rosa bebê, agora está no padrão branco, mas os acabamentos em dourado permanecem.

A propósito, vale dizer que os frascos da L’Arc Parfums foram criados pela empresa francesa de design ANHA, que já se envolveu em projetos para grifes como By Kilian, Histoires de Parfums e Diesel.

A fragrância de Boréale foi criada pelo perfumista Christian Carbonnel, que já deu vida a fragrâncias de sucesso para marcas como Kajal, Nobile 1942, Xerjoff, Renier, Masque Milano etc. Ela traz notas de íris, rosa da Bulgária e heliotrópio, seguidas por notas de âmbar, lírio do vale e violetas, sobre uma base de almíscar e baunilha.

Quando borrifada sobre a pele, a fragrância de Boréale se mostra floral e bastante atalcada. Consigo entender, perfeitamente, a cor “powdery pink” de antes. No entanto, aqui a violeta se destaca e é belíssima! Ao invés do branco, talvez uma pintura em tons de lilás fizesse mais sentido nesta nova versão.

Temos, então, um cheiro forte de violetas terrosas – graças à raiz da íris – que recebem um frescor limonesco, proveniente da rosa da Bulgária. Durante toda a evolução, há muita presença de violetas e, desta vez, não se trata da faceta mais verde, normalmente explorada em fragrâncias voltadas para o público masculino. Em Boréale, as violetas são românticas, de cor púrpura e pétalas aveludadas, com cheiro adocicado e pulverulento.

O tempo passa e a fragrância ganha nuances mais doces. Baunilha e âmbar se unem para reproduzir um efeito de inocência atemporal, trazendo uma assinatura mais oriental (embora este termo não seja mais utilizado pela indústria). Aqui, esse acorde floral-âmbar me faz lembrar do clássico Shalimar, de Guerlain.

Boréale dura mais de 10 horas na minha pele e, ainda que muitos possam pensar que se trata de mais uma fragrância de íris, na verdade é uma composição de violetas. E vou além: acredito que deve funcionar muito bem para fazer layering com outras criações mais masculinas, daquelas que exploram as folhas da violeta. De toda forma, ainda que esteja mais inclinado para o feminino, é perfeitamente compartilhável e confortável, facilmente virando uma assinatura.

Entrou no meu acervo para preencher uma lacuna em branco e um espaço todo especial na minha memória, uma vez que meu avô materno só usava uma fragrância portuguesa de violetas. Que bom, pois assim consigo unir amor e arte em forma de sprays.


 

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𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

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