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CAIPI D’ARGENT, DE CONDÉ PARFUM

Perfumart - resenha do perfume Condé - Caipi D'Argent

O perfume Caipi D’Argent chega ao mercado brasileiro no final de fevereiro de 2023, época do ano em que as temperaturas estão mais altas. Desta vez, o perfumista Fábio Condé escolheu a cor prata, que representa a coqueteleira e está diretamente relacionada ao conceito, à fragrância e ao seu nome, prestando homenagem à nossa famosa caipirinha.

Para criar a fragrância de Caipi D’Argent, foram combinadas notas de limão siciliano, limão verbena, lima, bergamota e litsea cubeba, além de um acorde alcóolico, no topo da pirâmide olfativa. A parte central revela notas de lavanda, menta, hortelã, ruibarbo e manjericão. Na base, notas de cumarina e um mix de madeiras (guáiaco, vetiver e cedro da Virgínia) se fundem ao ambroxan, na tentativa de trazer o dulçor da caipirinha.

Na pele, tudo é muito prazeroso e algumas conexões se fazem, de imediato, uma vez que fragrância é, acima de tudo, pura memória olfativa. É impossível borrifar Caipi D’Argent e não pensar, instantaneamente, em Allure Homme Édition Blanche (Chanel), por exemplo. E aqui, ainda que não haja baunilha, é possível captar aquele aroma do creme de limão usado em tortas, carolinas ou profiteroles, nos primeiros instantes.

Então, vem a primeira surpresa! O cheiro inicial, que poderia se tornar enjoativo em algum momento, some tão rápido quanto surgiu. E um sumo cítrico – não tão leve quanto uma limonada infantil e não tão ácido quanto uma limonada Suíça – parece ter sido derramado sobre a pele.

Caipi D’Argent começa, então, a revelar todo o frescor da bergamota e da lima, ao mesmo tempo em que um efeito gélido se esforça para aparecer. É a eterna luta do gelo com o álcool, que acaba deixando a caipirinha aguada, mas é indispensável para que ela seja apreciada.

Quando o copo está pela metade (trocadilho intencional), o ruibarbo surge e traz um delicioso efeito metálico. E embora esta não seja uma nota apreciada por muitos, posso garantir que ela não é, de forma alguma, capaz de prejudicar o resultado.

Deste ponto em diante, é só alegria! Você já se sente mais solto, a fragrância parece mais descontraída e o humor está nas alturas. Coisa dos cítricos, que revigoram e são sempre apreciados. Aqui, identifico um parentesco com fragrâncias como L’Eau D’Issey Pour Homme Sport, L’Homme Ideal Cologne e Dior Homme Cologne. Não gosto de fazer comparações, mas elas ajudam a criar o cenário.

Na minha pele, Caipi D’Argent exala por bastante tempo e resiste por cerca de oito horas, graças ao ambroxan. E a melhor parte deste lançamento é ser apresentado à uma nova faceta do perfumista Fábio Condé, que mostra que ele tem talento de sobra para fragrâncias cítricas. E depois de Bois D’Orange, Caipi D’Argent chega para atestar isso.

Podia ser Dior, Guerlain e até Acqua di Parma, mas é nacional e isso é maravilhoso. Alguém traz mais uma caipirinha para mim, por favor!?


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𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

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