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EUPHORIA MEN INTENSE, DE CALVIN KLEIN

Perfumart - resenha do perfume Calvin klein Euphoria Intense Men

Euphoria Men Intense, o primeiro flanker masculino da linha Euphoria, chegou às prateleiras no ano de 2008 e sua fragrância também foi criada por Carlos Benaim e Loc Dong, responsáveis pela fragrância de Euphoria Men, em 2006.

Euphoria Men Intense foi lançado em concentração Eau de Toilette, o que não demorou muito para mudar na indústria de fragrâncias, quando as versões mais intensas passaram a ser produzidas em Eau de Parfum ou, pelo menos, Eau de Toilette Intense (que é quando o percentual está no limite para não ser taxado como EDP).

Não sei, realmente, se o fantasma da reformulação ocorreu, mas o meu frasco data de 2011 e a performance nunca foi completamente insatisfatória. Até concordo que pelo caminho olfativo da fragrância – oriental-amadeirada –, era de se esperar maior rastro. Mas Euphoria Men Intense teve seu momento de destaque naquela época, inclusive, porque foi uma das primeiras criações do segmento das marcas Designers a trazer a nota de OUD na composição, quando ninguém ligava para tal ingrediente, tampouco se valia de seu valor comercial para enriquecer press releases.

A pirâmide olfativa lista notas de gengibre e pimenta, o mesmo acorde de chuva da versão anterior e sudachi, que é um fruto cítrico originário do Japão e vem a ser uma versão híbrida da tangerina, embora tenha aparência similar ao limão Tahiti. Então, a parte central traz notas de sálvia, cedro e manjericão, enquanto a base carrega notas de âmbar, OUD, ládano, patchouli, vetiver e mirra.

Na pele, Euphoria Men Intense tenta demonstrar parentesco com a versão original, mas não obtém muito sucesso nessa tarefa. Isso porque, assim que toca a pele, a fragrância traz um frescor picante que até possui semelhanças com a criação anterior, mas esse momento é muito efêmero. Em questão de minutos, o lado mais adocicado emerge e domina toda a evolução. A sálvia é muito evidente, mas o mix de âmbar e mirra é imbatível.

Quanto mais o tempo passa, mais balsâmica e resinosa a fragrância se torna. Temos, então, um cheiro mais quente e sensual, que para muitos começa a se parecer com um acorde de chocolate. E isso não é incomum, porque temos OUD e patchouli juntos, ao fundo.

Voltando alguns passos nas avaliações, preciso dizer que se comparadas lado a lado (uma em cada braço, por exemplo), fica muito evidente o parentesco e a maneira como ambas as fragrâncias evoluem. Todavia, quando usadas em momentos distintos (que é o normal), fica a impressão de que o DNA não foi respeitado nesta versão mais intensa, porque o frescor das notas de gengibre, manjericão e pimenta de uma, parece não existir na outra. E a verdade é que ele existe, mas é sufocado pelo teor ambarado que foi empregado aqui.

Revisitando a fragrância nos dias de hoje, confesso que era uma boa versão noturna para os fãs da original. Se você, por algum acaso, ainda tem as duas versões em sua coleção, eu lhe convido a fazer esse teste comparativo. Então, a gente olha para trás e vê que muito do que foi dito e replicado não era 100% real, e sim resultado de um preconceito recorrente com as fragrâncias dessa grife, que ainda guarda boas surpresas em seu portfólio.

Visualmente, Euphoria Men Intense veio em um frasco de cor âmbar e os acabamentos metálicos ganharam tons de cor champanhe, que não chega a ser um bronze propriamente dito. Depois desta, mais flankers foram lançados no mercado.

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𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

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