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ÍNDIA MISTERIOSA, DE MAHOGANY

Perfumart - resenha do perfume Mahogany - Índia Misteriosa

O perfume Índia Misteriosa foi lançado em 2010. Na época, seu frasco era arredondado e outros perfumes da Mahogany tinham o mesmo padrão visual, a saber: Frangipani Flower, Zanzibar, Bulgarian Rose, etc. Estes últimos também já passaram por um processo de repackaging e hoje são vendidos com frascos de acabamento reto, que eu, particularmente, acho que comunicam produtos essencialmente masculinos e acredito que isso merecia maior atenção.

De acordo com a empresa, a fragrância de Índia Misteriosa é classificada como floral-oriental e amadeirada e possui notas de mandarina, bergamota, limão, pêssego, abacaxi e melão, na saída. Então, no corpo, chegam notas de mimosa, tuberosa, flor de romã, jasmim, lírio, lótus e rosa. Finalizando, a base carrega notas de sândalo, patchouli, cedro e fava tonka.

Na teoria, Índia Misteriosa é um perfume floral e exótico. Na prática, é um resgate aos anos 90 e uma abordagem, agora atualizada, do tipo de florais que homens do novo milênio podem usar. O que isso significa? Eu explico a seguir.

Ainda sou de uma geração, na qual gêneros importavam muito na perfumaria. Por sorte, esta questão vem sendo discutida com maior flexibilidade na última década e isso se deve, sobretudo, ao crescimento do interesse por fragrâncias do mercado da Alta Perfumaria, que abriu a mente do consumidor vigente e deu voz ao apaixonado por fragrâncias de outrora, aquele que gostava de perfumes, independente do perfil comercial imposto. Estou me referindo, sobretudo, aos homens que gostavam de perfumes como Poison, Chanel Nº5, Anaïs Anaïs, Cabochard, etc. mas sofriam uma pressão social que, até então, parecia muito mais branda quando a situação era inversa.

Em 1994, um perfume foi lançado e não demorou muito tempo para cair nas graças do público. Ele se chamava Eden, da grife Cacharel, e acabou se tornando um dos maiores sucessos, não só da marca, como da perfumaria mundial feminina de uma geração. Esta análise crítica não é sobre ele, mas Índia Misteriosa lhe presta uma homenagem de qualidade irretocável e digna de aplausos.

Quando este perfume toca a pele, é um tanto estranho e faz lembrar, por alguns instantes, aqueles sucos em pó que eram vendidos antigamente. Isso ocorre, porque a saída é frutada e frisante. Em mim, o que sobressai são as nuances de pêssego e abacaxi juntas com a acidez dos citrinos, mas sem a suculência deles. Em seguida, flores, muitas flores. O coração da fragrância pulsa com vigor, trazendo muitas facetas de jasmim e mimosa. Mas o grande destaque fica mesmo por conta do lírio, que deixa um cheiro seco e real, como o das flores naturais com seus estames, cheios de pólen. Conforme evolui e, consequentemente, seca sobre a pele (aquilo que muitos chamam de dry down), um belo patchouli se revela, mostrando seu lado mais terroso que, de alguma forma, combina com a cremosidade da fava tonka. E o resultado final faz a gente pensar em um tipo de incenso queimando dentro de uma loja de artigos esotéricos.

Índia Misteriosa não exala em mim tanto quanto eu esperava, mesmo tendo ouvido falarem sempre tão bem (desde o seu lançamento), fora os inúmeros comentários que li. Mas possui boa duração e me deixa feliz, quando penso que temos esse tipo de fragrância tão incomum e ainda à venda no mercado brasileiro, com excelente relação custo-benefício.


 

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Publicitário, amante da comunicação, blogueiro, apaixonado por fragrâncias e cosméticos em geral. É colecionador de perfumes, crítico de fragrâncias nacionais e internacionais, consultor particular de estilo em perfumaria e dono de um grupo no Facebook voltado apenas para os homens. Criador e proprietário do Perfumart, portal especializado em perfumaria.

2 comments on “ÍNDIA MISTERIOSA, DE MAHOGANY

  1. Gabriella

    Parabéns pela resenha! Uma leitura deliciosa!!!

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