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L’INTERDIT ROUGE EAU DE PARFUM, DE GIVENCHY

Perfumart - resenha do perfume L'Interdit Rouge

L’Interdit Rouge, como irei chamar este perfume a fim de manter uma conexão com minhas leitoras, oficialmente se chama L’Interdit Eau de Parfum Rouge. Foi lançado em 2021, três anos depois do lançamento de L’Interdit Eau de Parfum, que trouxe de volta um pilar de fragrâncias em tributo à versão homônima de 1957. L’Interdit Rouge é, na verdade, o sexto flanker desse pilar renascido, sem considerar a fragrância para os cabelos, que foi lançada em 2020.

Visualmente, L’Interdit Rouge é muito bonito! A pintura em vermelho-rubi representa uma cor que sempre esteve presente na paleta da grife e, também, o lado incandescente do seu acorde picante. Sua fragrância foi criada pelo mesmo trio de perfumistas das versões anteriores: Dominique Ropion, Anne Flipo e Fanny Bal.

De acordo com a página oficial da marca, a composição traz essência de laranja sanguínea Siciliana e acorde de especiarias vermelhas (composto por gengibre e folhas de pimentão), na saída. No centro da pirâmide olfativa, absoluto de flor de laranjeira da Tunísia e absoluto de jasmim sambac da Índia. Na base, essência de patchouli da Indonésia e sândalo da Nova Caledônia.

Ao tocar a pele, L’Interdit Rouge traz uma nova assinatura olfativa para a linha. A laranja é suculenta e o acorde picante é realmente muito evidente. Há, de imediato, um aspecto esfumaçado, que pode levar a(o) usuária(o) a pensar em açafrão. E, não menos importante, não há um combo gourmand na saída, porém, a boca chega a ficar cheia d’água, tamanha suculência. Na minha opinião, conseguiram se superar na ousadia e no gancho, que garante a venda imediata na loja física.

A evolução segue e, ao contrário das versões anteriores, que se preocuparam muito em realçar a beleza da tuberosa, desta vez é o jasmim que brilha mais e revela seu lado carnal. Em L’Interdit Rouge, as facetas florais não são brancas; elas são verdes e frescas, o que ganhou ainda mais força graças ao toque de gengibre.

As notas de fundo não se revelam muito rápido e isso é ótimo, porque o cheiro de flores suculentas exala por bastante tempo, até que o lado mais cremoso do sândalo se evidencie, representando o laço que arremata o buquê.

Das três fragrâncias que pude avaliar em conjunto (a saber, EDP e Intense), L’Interdit Rouge é a mais inovadora, na minha opinião. Particularmente, ela me levou de volta à uma época em que fragrâncias sutis, intimistas demais ou feitas para não incomodar, simplesmente não existiam. E as que existiam, não vendiam bem!

A performance é incrível (três dias sem perder força, na fita), o DNA do pilar foi respeitado e há uma conexão evidente com a versão EDP de 2018. Mas, ao mesmo tempo, há momentos em que esta fragrância se comporta de forma completamente diferente. É como um grito de revolta dos profissionais – especialmente os perfumistas – que não podem mais criar como antes, a não ser que trabalhem com marcas independentes. É a boa e velha perfumaria francesa renascendo em um frasco cuja campanha traz o fogo, forjando a peça final.

L’Interdit Rouge não é sensual, no sentido de envolver, ser atraente. É sexy, no sentido de estimulante, lascivo, tentador.


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𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

3 comments on “L’INTERDIT ROUGE EAU DE PARFUM, DE GIVENCHY

  1. MICHELE DA SILVA ALVES

    Achei tudo, salvo que não tem projeção. Parece que o perfume é só para eu sentir. Decepcionei por esse prisma.

  2. Agnes

    Eu também fiquei pensando nisso, sabe?
    Para os lançamentos dos últimos 5 anos, esse conseguiu ser diferente e eu amei a qualidade das notas. Ele não me cheira a plástico, como os JPG, CH (puig no geral tem exagerado nas notas sintéticas). Ele é carnal, intimista sim!
    Como eu sentia falta de perfumes assim, nossa! Eu ODEIO perfumes com alta projeção, não gosto que todos os cômodos e recintos fiquem com meu lastro de perfume! Acho isso muito inconveniente. Prefiro que sintam o que uso ao me cumprimentarem, ao se aproximarem de mim.
    Sou uma pessoa extremamente discreta. Atualmente esse tipo de característica é visto como um problema de auto estima, algo que deve ser curado para que entremos alegre e bobamente na hiper exposição online. Resisti esse tipo de investida na minha terapia e sigo fiel ao meu conforto de ser discreta. rs
    E meus perfumes? Bom, gosto quando eles acompanham isso.
    Sou a senhora dos florais e orientais clássicos, sempre em comedidas borrifadas para nunca, nunca mesmo, entregar meus segredos de bandeja 😉

    • Que bacana o seu relato Agnes!

      Realmente, preciso ratificar que não achei esta fragrância intimista. Mas se funciona desse jeito na sua pele, ótimo, pois é algo que você busca!

      Não sei se você chegou a conhecer a versão Intense (frasco preto), mas ela fica bem mais intimista e tb é muito bem construída. 😉

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