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PHANTOM, DE PACO RABANNE

Perfumart - resenha do perfume Paco Rabanne - Phantom

Phantom foi lançado, com pompa e circunstância, em 15 de julho de 2021. Inicialmente, foi vendido apenas na página oficial da marca e em aeroportos selecionados, ganhando mais espaço mundial em agosto.

O conceito foi claro: criar uma fragrância que representasse o futuro, em todos os aspectos. Para tal, reuniram tudo que era possível em um único produto: a Inteligência Artificial (cada vez mais presente nos lançamentos da indústria através do uso da neurociência), a conectividade (os frascos maiores trazem um chip com tecnologia NFC na tampa, oferecendo conteúdos exclusivos sobre o produto), a sustentabilidade (utilizando técnicas de extração modernas, a fim de obter ingredientes mais naturais e, ao mesmo tempo, apoiando as comunidades que os cultivam) e ainda pode ser recarregada (apenas os frascos de 150ml).

Obviamente, não posso deixar de fora o mais impactante: o frasco. Sempre vai ter quem não goste e ache brega. Mas, assim como acontece no universo feminino, ao explorar frascos em formato de bolsa, batom ou sapatos, o universo masculino também precisa manter um pouco desse lado lúdico por trás dos formatos de carros, brinquedos, garrafas de bebida, etc. E esse robozinho, particularmente, me conquistou!

A fragrância de Phantom é classificada como aromática-amadeirada e 100% vegana. Possui, na saída, óleo das cascas do limão siciliano, lavandim orgânico e molécula vintage de Acetato de Estiralila. Então, notas de patchouli da Indonésia, lavanda absoluta e maçã se unem, no coração. Na base, mais lavanda, vetiver do Haiti e baunilha de Madagascar. E o trabalho foi conjunto: Anne Flipo, Dominique Ropion, Loc Dong e Juliette Karagueuzoglou trabalharam para trazer o robô à vida!

O problema, para mim, é que Phantom foi classificado como aromático (por causa do uso da lavanda em altas doses), mas me decepcionou muito nesse quesito. Desde o seu anúncio até o momento em que recebi o meu frasco, a expectativa sobre este “aromático futurista” foi grande de minha parte. Limão, vetiver, tudo isso me levou a crer que a marca estava trazendo uma fragrância mais herbal, mais fresca, mais…aromática. E a verdade é que, na minha pele, a fragrância se comporta mesmo como woody-vanilla (amadeirado-baunilha), cheia de nuances adocicadas, que teriam sido mais bem-vindas no início do inverno (embora o lançamento brasileiro tenha sido primoroso e alinhado com os demais países). A evolução é bacana, ocorre de forma lenta e a secagem revela mais um produto para as baladas, exatamente como na campanha publicitária. Aqui, talvez, resida um outro ponto negativo para mim e, acredito, para muitos. Ninguém conecta, de imediato, as famílias aromática-amadeirada com baladas. Isso ocorre com os orientais ou os especiados, por exemplo.

Na minha pele, Phantom tem uma saída bagunçada (esse é o termo). A fragrância é doce, cremosa e, vale ressaltar, bastante compartilhável. Aliás, meninas, podem comprar sem medo! A tal molécula vintage – toque especial do perfumista Loc Dong – deveria trazer uma carga maior de energia, mas o Acetato de Estiralila é capaz de conferir nuances não apenas frescas, mas também frutadas de maçã, ameixa e damasco. É esse dulçor de ameixa que se destaca no meu olfato.

A evolução melhora (e muito) o resultado dessa fragrância. Um acorde terroso ganha vida e tudo fica melhor depois de horas na pele, quando os tons amadeirados se tornam mais evidentes. O problema é que isso não acontece, pelo menos em mim, tão rápido quanto eu gostaria. E até que isso aconteça, é muita baunilha, pouca lavanda e a impressão de que Phantom roubou a energia vital de várias outras criações do grupo PUIG, entre elas: Ultra Male (JPG), Bad Boy (CH), 1 Million e seus flankers e até um pouco de Invictus Victory (Paco Rabanne).

Os pontos positivos também merecem ser mencionados. Já no meu primeiro teste, recebi elogios. Inclusive, encontrei uma pessoa que também trabalha com perfumes e, ao final do dia, recebi uma mensagem dizendo que meu cheiro havia grudado em suas roupas, depois que nos abraçamos, na despedida. A fragrância é explosiva, chama atenção logo de cara e ainda possui excelente tenacidade. Ou seja, se você faz parte do grupo que gosta de elogios e valoriza, mais do que tudo, projeção e fixação, Phantom é para você!

Por aqui, continuo dando chances e acredito que esse robozinho irá me surpreender em alguma ocasião inesperada. Até lá, acho que a frase que melhor descreve Phantom é: “eu me encontro na minha bagunça”!


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𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

4 comments on “PHANTOM, DE PACO RABANNE

  1. Marcos

    Cassiano, passei este Phantom no braço, minha mulher disse na hora que cheirava a manga, e realmente parece com manga. Será que uma dessas notas trabalhadas na fragrancia que voce citou é parecido com manga ou impressão mesmo?

    • Marcos, eu não consigo sentir manga. Mas vou até prestar mais atenção na próxima vez!

  2. Adriano

    Cassiano Silva Adorei sua resenha e tmb acho o mesmo da parte inicial da fragrância , pode ser isso que assusta e falam tão mal dele. Depois de um tempo fica super agradável com aquele Dna característico de Paco Rabanne. O frasco é coisa mais fofa de 2021, barrou até o ursinho sadô…

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