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ROADSTER, DE CARTIER

Perfumart - resenha do perfume Cartier - Roadster

Lançado em 2008, Roadster foi a aposta da Cartier – mais precisamente de Mathilde Laurent, a perfumista – para atrair um público mais jovial para suas fragrâncias, uma vez que a grife sempre vendeu muito bem para homens acima dos 40 anos, mas faltava atingir aqueles que dominavam a internet e atuavam como formadores de opinião.

A fragrância de Roadster possui notas de bergamota e menta, que abrem caminho para um corpo mais adocicado, com patchouli e lavanda. No fundo, madeixa de caxemira, vetiver, baunilha e ládano francês. É classificado como aromático-fougère, mas se comporta como um bom amadeirado-fresco.

Na pele, abre de forma frutada e adocicada, trazendo uma faceta terrosa muito evidente, porém, não opressora. É a nuance terrosa do patchouli, que é bem diferente da nuance terrosa do vetiver. Durante a fase inicial (e dependendo da pele), é possível sentir um cheiro de melancia, que soa bastante estranho quando a gente olha para a pirâmide olfativa.

Conforme o tempo passa, Roadster ganha um ar mais sóbrio e a baunilha recebe uma pincelada de vetiver, que a deixa mais seca. O ládano traz calor e um aspecto oriental, encerrando a evolução. E fica claro que a fragrância não é nada linear, o que exige maior atenção antes da compra.

Embora cada pele traga um tipo de reação, particularmente acho muito estranho quando leio comentários valorizando a menta de forma absurda, como se a fragrância fosse um misto de pasta dental com chiclete de hortelã, que deixa um aspecto mega refrescante, ideal para dias de calor. 🤨

Roadster é, basicamente, um perfume de baunilha, patchouli, ládano e vetiver, com uma calda de menta por cima, que vai cortando o dulçor ao mesmo tempo em que confere certo frescor. Dito isso, entendo as comparações simplistas com outras fragrâncias, como Le Male (Jean Paul Gaultier) por exemplo. Na minha pele, me faz lembrar um pouco da secagem de Pour Un Homme de Caron, após umas três horas de aplicação, com doses extras de vetiver e menta.

Não posso terminar esta análise sem falar do frasco. Inspirado no relógio homônimo da marca, seu desenho foi pensado para recriar o mostrador angular da data que se une ao pino de ajustes, aqui representado pela tampa, que só abre mediante encaixe giratório. Por este motivo, deve ser visto por cima, pousado na horizontal. A linha Roadster também possui abotoaduras e até canetas.

Muita gente não gosta, mas eu acho Roadster um belo perfume, com uma fragrância que tende a ficar rente à pele com o passar das horas, mas possui boa duração. Acho que o intuito foi atingido, pois é um perfume que chama atenção daqueles que já passaram da fase das baladas, entraram na casa dos trinta anos de idade e querem usar um perfume que transite entre o descolado e o sóbrio.


 

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Publicitário, amante da comunicação, blogueiro, apaixonado por fragrâncias e cosméticos em geral. É jurado e crítico de fragrâncias nacionais e internacionais, consultor particular de estilo em perfumaria e dono de um grupo no Facebook voltado apenas para os homens. Criador e proprietário do Perfumart, blog especializado em perfumaria.

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