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SUCRÉ JUTEUX, DE IN THE BOX

Perfumart - resenha do perfume ITB - Sucré Juteux

O perfume Sucré Juteux foi lançado em janeiro de 2022, juntamente com Maxximus IX. Eles dão seguimento aos lançamentos da linha Match of Senses, cuja programação era trazer seis novas fragrâncias, ainda no ano passado, a fim de atingir uma coleção de 10 perfumes autorais.

No entanto, a busca por um produto final mais refinado e em sintonia com a proposta da empresa, acabou gerando alguns atrasos – comuns, diga-se de passagem – nas amostras e em seus respectivos ajustes.

Sucré Juteux é classificado, pelo fabricante, como um perfume âmbar-baunilha voltado para o público feminino, já seguindo a tendência mundial de banir o termo “oriental” dos catálogos, trocando-o pelo termo “âmbar”. Sua fragrância traz notas de íris, cassis, tangerina, laranja e framboesa, no topo; Flor de laranjeira, caramelo, rosa, patchouli e benjoim, no corpo; Fava tonka, baunilha, cedro, sândalo, almíscar branco e madeira de âmbar, no fundo.

Para Sucré Juteux, (Doce Suculento, em português) a cor escolhida foi púrpura, que transmite mistério, luxo e espiritualidade. Ao tocar a pele, a fragrância parece inverter a ordem do processo evolutivo e traz, de imediato, um conteúdo floral e abaunilhado, que sobrepõe os acordes frutais presentes na pirâmide olfativa. Há um tom mais cremoso e refinado que me faz lembrar do cheiro da gardênia, até mais do que da flor de laranjeira, listada oficialmente. E então, quase que de imediato, as frutas explodem e me fazem recordar daquele pirulito que vem com um sachê, cujo pó crepita na boca. É suculento, mas é artificial. Isso não chega a ser um problema, mas diminui um pouco a qualidade floral do impacto inicial. E é claro, se trata de um composto sintético – provavelmente uma cetona de framboesa – que, para alguns, vai acabar lembrando um doce de uvas, cerejas ou mix de frutas vermelhas.

Sucré Juteux desafia o mercado e mostra que não foi produzido para ser medíocre. Sua fragrância exala bastante e a fita olfativa utilizada por mim, nos testes, permaneceu perfumada por três dias seguidos. E isso só é possível, nos dias de hoje, pagando-se um pouco mais pelas matérias-primas.

Com o passar do tempo, algumas outras facetas vão se tornando mais evidentes, como o caramelo e o patchouli. A fragrância abandona o estado frutado e parte em direção ao dry down, mais leitoso. Na minha pele, a baunilha não ficou tão evidente quanto a fava tonka. No mesmo sentido, o sândalo ficou mais evidente que as demais madeiras.

Sucré Juteux não parece ser um perfume de dimensão única. Já vi relatos de pessoas surpreendidas com o atalcado da íris, bem como de pessoas impactadas por uma suculência cítrica. Não irei questionar pois, de certa forma, a fragrância parece mutante e cheia de vontade própria. Na minha pele, inclusive, vivenciei lampejos mais esfumaçados em alguns dias, que não se repetiram em outros.

Por fim, quem gosta do caminho olfativo do perfume L’Interdit, irá gostar muito de Sucré Juteux. Realmente, é mais voltado para o público feminino, sua performance é excelente e a fragrância não chega a ser limitada apenas para uso noturno ou temperaturas mais amenas.

Conselho de amigo: não se deixe enganar pelo nome, pois Sucré Juteux é menos doce do que aparenta.


 

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𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

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