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GENTLEMAN SOCIETY, DE GIVENCHY

Perfumart - resenha do perfume Givenchy - Gentleman SocietyO perfume Gentleman Society foi lançado em 2023 e foi motivo de uma festança que aconteceu em São Paulo e movimentou a noite paulistana. Se formos considerar apenas a coleção atual, desde que o pilar foi revivido pela marca com a fragrância de Gentleman Eau de Toilette, em 2017, então este já é o sexto flanker, precedido pelas versões Eau de Parfum (2018), Cologne (2019), Boisée (2020), Intense (2021) e Réserve Privée (2022).

O conceito por trás deste lançamento abrange o produto como um todo, ainda que o mais importante seja a fragrância. Com uma mensagem que nos convida a fazer parte de uma sociedade (não um lugar físico, mas um estado de espírito), Gentleman Society fala de know-how, reforça os códigos de Alta Costura da grife e traz um frasco repaginado, produzido com 15% de vidro reciclado e com uma logo metalizada em relevo no lugar das palavras Gentleman Givenchy, padrão da linha.

A fragrância, classificada como amadeirada-floral-aromática, foi criada pela perfumista Karine Dubreuil-Sereni e contou com a parceria de Maia Lernout, da Takasago. Contém notas de topo de sálvia francesa e cardamomo da Guatemala; Absoluto de narciso selvagem da França e vetiveres do Haiti, do Uruguai e de Madagascar, no corpo; Cedro do Himalaia, sândalo australiano e absoluto de baunilha do Madagascar, no fundo.

Assim que borrifada sobre a pele, a fragrância de Gentleman Society traz uma explosão doce de sálvia esclareia e cardamomo que eu, particularmente, não esperava sentir aqui. De imediato, notei uma total falta de familiaridade com as demais fragrâncias do pilar.

Não bastasse isso, o “gancho” inicial (que é parte importantíssima para a conquista imediata e a concretização das vendas) é mais 2013 do que 2023. Esse acorde adocicado, que costuma misturar notas de sálvia, cardamomo e bergamota, já foi explorado por fragrâncias como Emblem (2014), Ultra Male (2015) e Legend Night (2017), só para citar alguns exemplos. E o mais importante: onde está a íris, o ingrediente-chave da coleção?

Se você, assim como eu, conhece os flankers anteriores, a decepção inicial irá ocorrer. Mas fragrâncias evoluem e esse também é um ponto a ser lembrado. E o fato é que a secagem revela um corpo mais herbáceo e a baunilha, na base, é de alta qualidade e confere uma cremosidade prazerosa, virando o ponto alto da evolução.

Particularmente, acho que Gentleman Society poderia ter sido muito mais do que é. Na minha opinião, não conversa com o resto da coleção, não se comunica com o padrão estabelecido pelas outras fragrâncias e me faz olhar para o meu frasco como um impostor, ali no meio dos demais (tipo um espião de Carolina Herrera vestindo uma peça cara de Givenchy 😊).

Em termos de performance, possui ótima projeção, talvez a melhor delas. E também dura bastante, o que era de se esperar de uma base construída com boas doses de sândalo e baunilha. Em mim, passa de nove horas de uso contínuo.

Só espero que o próximo flanker volte para as mãos de Olivier Cresp e Nathalie Lorson, a quem de fato pertence o pilar Gentleman.


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𝘽𝙤𝙧𝙧𝙞𝙛𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙝𝙖́ 𝙖𝙣𝙤𝙨. Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

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