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MAKE ME FEVER BLUE, DE MAHOGANY

Perfumart - resenha do perfume Mahogany - Make me Fever BlueO perfume Make Me Fever Blue é a nova aposta da Mahogany para 2019. Dá seguimento ao pilar Make Me Fever, que começou em 2012 (inclusive, trazendo a versão masculina) e ganhou variações em 2013 (Make Me Fever Gold) e em 2017 (Make Me Fever Rose).

O novo Make Me Fever Blue traz o conceito de espontaneidade, que transborda através da mulher livre, aquela que escolhe seus próprios caminhos e coleciona momentos. A fragrância possui notas de bergamota e mandarina, na saída; Gengibre, jasmim, flor de laranjeira, tuberosa e magnólia, no coração; Sândalo, âmbar, baunilha e patchouli, na base.

A palavra-chave aqui é leveza! A fragrância de Make Me Fever Blue é classificada como floral-especiada e tem uma saída floral bastante explosiva. Na minha pele, porém, a faceta picante (ligada às especiarias) só aparece no final, quando a evolução chegou ao seu ápice, o poder de difusão já abrandou e nenhuma surpresa irá ocorrer mais. Neste estágio, parece que tem pimenta ou um pouco de noz-moscada na composição. Mas até lá, Make Me Fever Blue se comporta mais como um floral-fresco, com uma abertura cítrica e algumas nuances lactônicas, que se convertem em um floral de aspecto levemente datado, ainda que requintado.

O maior obstáculo de vendas para o novo perfume feminino da Mahogany talvez seja, justamente, este último ponto citado. Make Me Fever Blue tem essa aura de florais levemente atalcados e pode incomodar o público mais jovem, embora eu, particularmente, não enxergue as mulheres abaixo de 30 anos como o público-alvo desta criação. Por outro lado, como na maioria das fragrâncias, o ideal é testar na própria pele e esperar pela evolução, pois surpresas poderão ocorrer. E ocorrem!

A tuberosa não é dominante, mas se faz presente o tempo todo. O jasmim colide com a flor de laranjeira e explode em facetas polvorosas, frutadas e delicadas, mas nada suaves. A baunilha e o âmbar não são doces em demasia, mas conferem cremosidade. E o patchouli empresta um pouco de peso e se funde com o sândalo, criando um tom amadeirado muito sutil.

Antes de encerrar esta análise, gostaria de deixar um parecer bastante particular. Em todas as vezes que usei este perfume, durante a fase de testes, me lembrei de uma outra criação da Mahogany, que se chama Índia Misteriosa. Imediatamente, meu cérebro me conectou com esta fragrância, que também carrega notas de mandarina, bergamota, tuberosa, jasmim, sândalo e patchouli e, provavelmente, as matérias-primas são oriundas dos mesmos fornecedores.

É claro que isso não quer dizer muita coisa, pois existem inúmeras fragrâncias no mercado com notas idênticas e resultados completamente diferentes. Mas, neste caso, várias nuances se mostraram muito similares para mim. Ou seja, se você conhece Índia Misteriosa e gostaria de sentir uma versão mais usável e fácil de agradar e que poderia, tranquilamente, ser chamada de Índia Misteriosa Fraîcheur (ou Blue), então você tem grandes chances de se apaixonar por este lançamento.

Para finalizar, o frasco manteve a identidade visual da linha e ganhou uma pintura na cor azul, com acabamento fosco. A fragrância chama atenção, exala bem e dura em torno de sete horas, na minha pele. É agradável, não é tão atalcada como pode parecer, possui certa versatilidade (principalmente, para mulheres mais velhas, que têm medo de arriscar novos perfumes e perderem sua assinatura) e ainda carrega um ar de requinte, típico dos florais dos anos 90. Eu gostei bastante!


 

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Publicitário, amante da comunicação, blogueiro, apaixonado por fragrâncias e cosméticos em geral. É colecionador de perfumes, crítico de fragrâncias nacionais e internacionais, consultor particular de estilo em perfumaria e dono de um grupo no Facebook voltado apenas para os homens. Criador e proprietário do Perfumart, portal especializado em perfumaria.

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