Perfumart - resenha do perfume Mancera - Soleil D'ItalieLançado em 2019, Soleil d’Italie, cujo nome significa “Sol da Itália”, é uma fragrância da Mancera que busca traduzir o frescor e a luminosidade do Mediterrâneo. Embora a marca a classifique como frutal-oriental, eu discordo completamente dessa definição. Para mim, Soleil d’Italie se encaixa muito melhor na família dos amadeirados-cítricos-musk, com uma construção bastante familiar para quem conhece a perfumaria do segmento Prestige.

É um perfume que apresenta aquele frescor comercial, fácil de reconhecer e de agradar, mas com um cuidado um pouco maior na escolha e no equilíbrio dos ingredientes utilizados na composição. A abertura é cítrica, natural e suculenta, trazendo uma sensação inicialmente mais verde e ácida do que propriamente doce ou límpida. Há, porém, um contraste interessante entre uma mandarina mais adocicada e o frescor cítrico e levemente mentolado do cardamomo, que confere uma vibração aromática à saída.

Segundo a pirâmide oficial da Mancera, as notas de saída incluem frutas cítricas, pimenta-rosa e cardamomo. No coração, aparecem notas aquáticas, rosa e folhas de patchouli, enquanto a base reúne vetiver, cedro, âmbar-cinzento e almíscar branco. Na prática, essa construção se mostra bastante coerente com a proposta de frescor da fragrância, embora o resultado olfativo esteja distante da classificação oriental sugerida pela marca.

Durante a evolução, a rosa não acrescenta qualquer aspecto datado ou excessivamente feminino. Pelo contrário, aparece bem integrada ao conjunto, enquanto o acorde aquoso reforça uma sensação de limpeza, com nuances que remetem ao efeito de banho recém-tomado. O musk, por sua vez, acrescenta uma sensualidade discreta e contribui para a durabilidade da fragrância na pele. Aqui, unissex é o termo correto, sem dúvidas.

Na secagem, o vetiver ajuda a realçar as facetas verdes da composição, sem imprimir excessivamente seu caráter terroso. As madeiras sustentam o conjunto de maneira suave, mantendo a sensação de frescor mesmo quando as notas cítricas já perderam parte de sua intensidade. Não há grandes transformações ao longo da evolução, mas existe uma continuidade agradável entre a abertura e a base.

Para quem gosta de explorar combinações, a própria Mancera sugere o layering de Soleil d’Italie com Aoud Lemon Mint ou Vetiver Sensuel. A primeira opção promete acrescentar uma dimensão mais oriental, com oud seco, madeiras e limão. Já a segunda busca reforçar o contraste entre cítricos, vetiver terroso e madeiras macias, conferindo um toque adicional de suavidade.

De forma geral, Soleil d’Italie é uma fragrância simples e bastante prazerosa. Verdade seja dita, não trouxe absolutamente nada de novo em 2019, quando foi lançada. Muito pelo contrário, repetiu uma fórmula de sucesso já explorada por diversas fragrâncias do mercado, e as comparações fazem todo o sentido. O diferencial está menos na criatividade da construção e mais na qualidade percebida dos ingredientes e no acabamento da composição.

No final das contas, Soleil d’Italie é fácil de agradar. Mas fica a pergunta: vale pagar o preço de uma fragrância de nicho por uma experiência olfativa que clássicos como CK One e Acqua di Gio já oferecem por muito menos?


The following two tabs change content below.
BORRIFANDO CONHECIMENTO HÁ ANOS. Crítico de fragrâncias, avaliador olfativo, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, maior blog especializado no assunto.

Latest posts by Cassiano Silva (see all)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *