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VELVET SPLENDOUR, DE GOLDFIELD & BANKS AUSTRALIA

Perfumart - resenha do perfume Goldfield&Banks - Velvet Splendour

Velvet Splendour teve sua fragrância lançada em maio de 2019, criada pelo perfumista Wessel-Jan Kos (Firmenich). A inspiração foi a região conhecida como Flinders Ranges (comumente chamadas de The Flinders), que compõem uma cordilheira no sul da Austrália com suas cores notáveis. Entre a malva rosada das manhãs ao ocre do entardecer, a região possui muita diversidade natural, incluindo áreas repletas de murtas, samambaias, eucaliptos e as acácias australianas, chamadas de Golden Wattles (Acacia Pycnantha Benth).

Para entender a fragrância de Velvet Splendour, é importante explicar que a acácia dourada australiana está presente até no emblema floral nacional. Os australianos amam tanto sua árvore-símbolo, que criaram até um dia para comemorar a florada dela: 1º de setembro, o Wattle Day. Ela é um pouco diferente da Acacia Decurrens, que é mais explorada na perfumaria. Porém, a maior parte das pessoas conhece as flores da acácia por outro nome: mimosas.

Velvet Splendour é classificado, pela empresa, como um perfume floral, sensual e envolvente. Possui notas de mandarina, hediona, absoluto de flor de laranjeira, absoluto de mimosa australiana, jasmim Sambac, sândalo, patchouli, vetiver do Haiti, couro, fava tonka, opoponax e heliotropina (também conhecida por Piperonal).

Para simplificar um pouco as coisas, vale algumas explicações: a hediona foi utilizada para reforçar o adorável cheiro do jasmim; o opoponax é conhecido por mirra doce e foi utilizado para trazer nuances balsâmicas e adocicadas; a heliotropina costuma ser listada como heliotrópio, que é aquela flor com cheiro de baunilha.

Velvet Splendour, que em nossa Língua significa Esplendor de Veludo, toca a pele como um floral clássico da década de oitenta, com muitas nuances de rosa – especialmente nos minutos iniciais – e nem tantas facetas atalcadas como as fragrâncias daquele tempo. O cheiro de rosas, que comentei acima, não é coisa de maluco. As mimosas trazem essas nuances, bem como algo das tuberosas.

A evolução de Velvet Splendour me parece mais simples do que a sua composição. Basicamente, sinto um floral solar com cheiro de rosas e jasmim, que parece ser mergulhado em uma cera macia e narcótica. Esta cera confere um toque sedoso, aveludado e sensual, que não fica muito doce, sim adocicado. A secagem é divinamente cremosa e duradoura. Entretanto, tudo acontece de forma linear, com variação quase nula.

Na minha pele, continuei sentindo a fragrância mesmo depois de oito horas de aplicação, resultado dos mais de 20% de óleos essenciais na composição que, vale lembrar, é vegana e cruelty free.

Consigo enxergar um maior apelo junto ao público feminino e imagino que alguns acharão Velvet Splendour um perfume nada inovador. Todavia, o crescimento e a popularização da Perfumaria de Nicho trouxeram uma avalanche de desinformação sobre o segmento.

É preciso separar o joio do trigo: uma coisa é uma marca de nicho que vende cópias de fragrâncias lançadas por grifes do segmento Designer, disfarçadas em caixas luxuosas e press releases que defendem ingredientes mais raros; outra coisa é encontrar uma marca de nicho que, em algum momento, lança um perfume fougère, cítrico ou floral menos inovador, mas que está ali para representar todas as famílias olfativas da coleção. E no caso da Goldfield & Banks Australia, depois de conhecer Southern Bloom e White Sandalwood, fica difícil não reconhecer tal diferença.


 

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Crítico de fragrâncias, jurado de premiações nacionais nas categorias de perfumaria fina e cosméticos masculinos, além de consultor particular de estilo em fragrâncias e criador do Perfumart, blog especializado no assunto.

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